“Alice no país das maravilhas” faz 150 anos

John Tenniel (1820-1914)

Ilustração de John Tenniel (1820-1914) do livro “Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll

Chapeleiro louco, coelho branco e rainha de copas são personagens que fazem hoje parte do imaginário de muitos leitores e que sobreviveram, desde que apareceram pela primeira vez no livro “Alice no país das maravilhas”, de Lewis Carroll, em 1865.

Este ano cumprem-se os 150 anos da publicação de uma obra “que foi inovadora numa época em que os livros para crianças tinham uma voz moralizadora. E sobreviveu aos tempos”, afirmou à agência Lusa Rogério Puga, investigador em estudos anglo-portugueses, da Universidade Nova de Lisboa.

Lewis Carroll, pseudónimo do matemático Charles Dodgson, traçou as primeiras linhas desta obra literária a 4 de julho de 1862, numa viagem de barco na qual estavam presentes três irmãs, uma delas chamada Alice Lidell.

O livro, que começou por se chamar “Alice’s Adventures under Ground”, só saiu em julho de 1865, mas ainda hoje o dia 4 de julho é considerado o “Dia de Alice“, celebrado em todo o mundo com atividades em torno do universo daquela obra.

“É todo um imaginário cultural que sobrevive àquela obra: a figura do chapeleiro louco, da lagarta, do buraco da toca do coelho onde Alice cai e descobre um mundo de non sense e absurdo. É uma obra estranhíssima e ambígua”, que tem sido amplamente estudada, afirmou Rogério Puga.

Portugal junta-se às centenas de atividades em torno dos 150 anos da publicação de “Alice no país das maravilhas”, com a organização de uma conferência de um só dia, a 9 de outubro, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, dedicado à obra.

Nessa conferência estarão presentes, por exemplo, a tradutora Margarida Vale de Gato e as investigadoras Ana Margarida Ramos, Sara Reis da Silva, Dora Batalim SottoMayor, assim como Blanca-Ana Roig Rechou e Isabel Mociño González, da Universidade de Santiago de Compostela.

“É um livro intemporal, ambíguo porque esbate as classificações entre o que é literatura para crianças e para adultos. Na época até havia uma discussão entre o que era realidade e fantasia na literatura e diziam que a fantasia era má para crianças. Foi revolucionário porque fala de loucura e de sonho“, afirmou Rogério Puga.

Em 150 anos, o livro teve centenas de adaptações, versões, traduções e ilustrações. Portugal não foge à regra e estão disponíveis no mercado várias edições, entre as quais a das ilustrações originais de John Tenniel, que deu corpo à figura de Alice, do gato de Cheshire, da lebre de março ou da tartaruga fingida.

A obra foi adaptada para cinema, pela Disney e por Tim Burton, entre outros, para peças de teatro e musicais. O músico Damon Albarn, por exemplo, prepara-se para estrear, no Reino Unido, o musical “Wonder.land”, a partir do livro.

Rogério Puga acredita que milhões de pessoas conhecem a história e reconhecem as personagens sem nunca terem lido a obra. É um dos poderes do livro, diz, e uma das razões de fazer parte do imaginário coletivo.

/Lusa

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