Número de alunos continua a descer (e há cada vez mais professores)

Tulane Public Relations / Flickr

Nos últimos dois anos, houve menos 20.281 alunos nas escolas de Portugal continental. Pelo contrário, o número de professores registou um aumento de 3.228, um fenómeno provocado pelos docentes que estão de baixa médica.

De acordo com os últimos dados da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), citados pelo Público, nos últimos dois anos houve menos 20.281 alunos nas escolas do ensino não superior de Portugal continental, enquanto que o número de professores registou um aumento de 3.228.

Segundo o jornal, a diminuição acentuada no número de alunos tem vindo a registar-se desde o ano letivo 2007/2008 devido à queda da natalidade em Portugal e só não é ainda maior por causa do alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, que se tornou efetivo a partir de 2012/2013.

No passado ano letivo, o secundário foi o único nível de ensino que não registou uma quebra do número de inscritos – teve mais 715 alunos. Por sua vez, os mais atingidos são o 3.º ciclo (7.º, 8.º e 9.º anos) e a educação pré-escolar (dos 3 aos 5 anos de idade).

No 3.º ciclo, os efeitos da queda da natalidade começaram a sentir-se em 2014/2015, com uma diminuição do número de inscritos na ordem dos cinco mil. Dois anos depois, o número de alunos a menos foi de 6.599. Na educação pré-escolar, perderam-se entre 2015/2016 e 2016/2017 cerca de 6.300 crianças.

Em declarações ao diário, Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Directores e Agrupamentos das Escolas Públicas (ANDAEP), considera que esta redução poderá ser já o reflexo “dos anos da troika, um período negro que o país atravessou e que levou muitos casais a optarem por não terem filhos, por não poderem suportar os encargos”.

Isabel Lima, professora da Universidade do Porto que tem o pré-escolar entre os seus campos de investigação, também dá como hipótese a recente vaga de emigração.

Relativamente ao aumento de professores, o presidente da ANDAEP considera que está relacionado com uma maior contratação de docentes, que estão a ser chamados sobretudo para substituir colegas que estão de baixa. Segundo dados da Federação Nacional de Professores (Fenprof), atualmente estarão de baixa médica cerca de 12 mil professores.

Filinto Lima defende que o Ministério da Educação devia permitir aos professores, a partir dos 60 anos, poderem deixar de dar aulas se assim o quisessem, permitindo assim “algum rejuvenescimento” das escolas.

O responsável argumenta também que não se correria o risco de existir “sobrelotação” caso as “turmas fossem mais pequenas” porque seriam “necessários mais professores”, acrescentando que o Governo deveria “aproveitar esta oportunidade para ir mais longe na redução do número de alunos por turma, sobretudo no 1.º ciclo onde é tão necessário que o ensino seja mais personalizado”.

A partir do próximo ano letivo, o número de alunos por turma vai regressar aos limites existentes antes da troika, baixando de 26 para 24 no 1.º ciclo e de 30 para 28 nos restantes níveis do ensino básico.

ZAP //

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10 COMENTÁRIOS

  1. Tem de se controlar as carreiras dos professores, tem demasiados privilégios e salários muito acima da média nacional e dos privados.. num pais pobre e com serios problemas de orçamento este tornam se num dos principais problemas….

    • Candidate-se a professor(a), podendo assim passar a gozar dos conceituados privilégios e dos ditos altos salários! Este é o lado bom da democracia, qualquer um pode estudar e ingressar na faculdade que entender. Todos estamos em pé de igualdade! Vá força sem receio, afinal a média de ingresso para qualquer das áreas de ensino é acessível a todos.

  2. É isso mesmo!.. mas por ser um emprego com tanto luxo e privilégio, a concorrência é feroz, ha milhares à procura do mesmo!… nao é o curso que assusta!.. depois é uma profissão em que o mérito não conta depois de entrar no sistema, pois a progressão é automatica e feita pela antiguidade e auto avaliação!. Tenho a certeza que qualquer professor no privado ia de bom grado para um quadro no público!.. entretanto afunda se o país privilegiando uma classe!..

    • Não sei que luxos os professores têm….
      Têm de comprar o computador;
      Não têm uma secretária nem telemóvel de serviço;
      Não têm carro de serviço, mesmo dando aulas em duas escolas do mesmo agrupamento, separadas por 10 ou 15km;
      Têm de comparar todo o material para trabalharem, pagando inclusive o papel de Justificação de consulta médica;
      Fazem 40 ou mais horas, muitas vezes à note, fins de semana e feriados, sem receberem nada;
      Se quiserem dar um mimo aos miúdos, têm de pagar tudo do seu Bolso;
      Ficam colocados a 100 ou mais km, sem qualquer ajuda por parte da entidade patronal, que apenas tem dinheiro para as ajudas para os Deputados ou Juízes;
      Sou casado com uma professora, que tem 22 anos de carreira, Licenciada Pré-Belonha, que ganha o mesmo que um miudo estagiário acabado de sair da Universidade

      • É o que diz o meu marido, só quem está casado com uma professora é que sabe…. noites e fins de semana a trabalhar, a cabeça feita em água ao fim do dia, com 30 alunos nas salas (os pais ficam cansados nas férias com 1 ou 2 filhos), vivemos num stress permanente. Preparar exames, vigiar e corrigir em que a última data para reclamações vai até 24 de agosto. Dou aulas há 30 anos e ainda faço diariamente 70 km por dia. O que ganhamos, qualquer pessoa sem estudos o ganha, havendo ainda a acrescentar inúmeras despesas inerentes à profissão. Mas porque é que qualquer ignorante poder falar dos professores? A ministra Mª de Lurdes colocou-nos na lama permitindo que qualquer pessoa pudesse opinar sobre a nossa vida. O professor deveria ser reconhecido na sociedade porque prepara todas as outras pessoas para a vida principalmente profissional (muitas vezes pessoal). Já alguns pais, felizmente que não é a maioria na minha zona, são muito mas mesmo muito negligentes com os filhos. “Despejam-nos” junto da escola e só têm pena que aos sábados e domingos a escola esteja fechada. Como diretora de turma, já fui ameaçada por um pai só porque lhe telefonei a informá-lo do excesso de faltas do filho, dizendo-me que eu é que tinha a obrigação de tomar conta dele. Enquanto os pais e a sociedade não derem valor aos professores, os alunos continuarão a ser mal educados e mal comportados, achando que nos estão a fazer um favor e não a aprender. Muita gente que fala da nossa boa vida, ficaria estupefacta se passasse apenas um dia na escola, só um dia bastava. Quanto aos colegas dos colégios podem concorrer para o ensino público, têm é de andar pelo país todo entre 10 a 20 anos, que foi o que nos aconteceu, ou então ter uma boa média no curso ou então (isto parece ridículo) terem ao menos uma licenciatura, porque sei de casos que nem isso têm, quanto mais um mestrado. Meus senhores leiam, estudem, informem-se e não escrevam sobre factos que desconhecem.

        • Parabéns, Isabel, pelo seu testemunho. Penso que é um pouco “malhar em ferro frio”. É o destino de quem abraçou/abraça a mais nobre actividade humana. Há que ser resistente. Que a teimosia e a utopia a acompanhem.
          Um bem-haja!

  3. Gostava que alguém me explicasse, que se há excesso de Professores, porque é que temos mais de 28 alunos dentro da Sala e temos milhares de Alunos sem aulas?
    Que raio de Secretário de Estado sem palavra, que manda emails a prometer e depois mentem e não cumprem?
    Ninguém se questiona, porque razão esta noticia sai agora, em plena Greve de Professores?

  4. Eram 150 mil, diminuíram para cerca de 100 mil ou pouco mais, mas um aumento de cerca de 3 mil justifica o título “há cada vez mais professores”?!!!

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