Novo tratamento permite que pessoas com lesões na espinal medula voltem a mexer mãos e braços

Uma equipa de investigadores da Universidade de Washington conseguiu ajudar seis participantes com lesões traumáticas da espinal medual a recuperar alguma mobilidade de mãos e braços.

Muitas das pessoas que sofrem lesões traumáticas da espinal medula não conseguem usar as mãos e os braços nem fazer tarefas diárias – como comer, limpar-se ou beber água – sem ajuda.

Agora, uma equipa de investigadores da Universidade de Washington (UW) conseguiu que seis pessoas recuperassem alguma mobilidade de mãos e braços, usando fisioterapia combinada com um método não invasivo de estimular as células nervosas da espinal medula.

“Usamos as nossas mãos para tudo – comer, escovar os dentes, abotoar uma camisa. Pacientes com lesão na espinal medula consideram a recuperação da função das mãos a prioridade absoluta para o tratamento. É cinco a seis vezes mais importante do que qualquer outra coisa”, disse Fatma Inanici, investigadora em engenharia elétrica e de computação que realizou este estudo como aluna de doutoraento em medicina de reabilitação na School of Medicine da UE, em comunicado divulgado pelo EurekAlert.

Depois de uma lesão na espinal medula, muitos pacientes fazem fisioterapia para tentar recuperar a mobilidade. Recentemente, uma série de estudos mostrou que implantar um estimulador para fornecer corrente elétrica a uma espinal medula danificada pode ajudar pacientes paralisados ​​a andar novamente.

A equipa, composta por investigadores do Centro de Neurotecnologia, combinou a estimulação com exercícios fisioterapêuticos padrão. A estimulação não requer cirurgia. Em vez disso, envolve pequenas manchas que se colam na pele do participante como um penso rápido. Os adesivos são colocados ao redor da área lesionada na parte de trás do pescoço, onde libertam pulsos elétricos.

Os cientistas recrutaram seis pessoas com lesões crónicas na espinal medula. Todos os participantes estavam lesionados há pelo menos um ano e meio. Alguns participantes não conseguiam mexer os dedos ou polegares, enquanto outros já tinham alguma mobilidade no início do estudo.

Os investigadores elaboraram um programa de treino de cinco meses. Durante o primeiro mês, os cientista monitorizaram os movimentos basais dos membros dos participantes a cada semana. No segundo mês, a equipa colocou os participantes em treino intensivo de fisioterapia, três vezes por semana, durante duas horas seguidas. No terceiro mês, os participantes continuaram a fisioterapia, que foi combinada com o estímulo.

“Ligaáos o dispositivo, mas continuaram a fazer exatamente os mesmos exercícios que fizeram no mês anterior, progredindo para versões um pouco mais difíceis se melhorassem”, disse Inanici.

Nos últimos dois meses, os participantes foram divididos em duas categorias: participantes com lesões menos graves receberam mais um mês de treino e, em seguida, um mês de treino mais estimulação. Pacientes com lesões mais graves receberam o oposto – treino e estimulação primeiro, seguido por apenas treino no segundo mês.

Enquanto alguns participantes recuperaram alguma função da mão durante o treino sem estimulação, todos viram melhorias quando a estimulação foi combinada com a fisioterapia.

“As pessoas que não tinham movimento das mãos no início do estudo começaram a mover as mãos novamente durante a estimulação e conseguiram produzir uma força mensurável entre os dedos e o polegar”, disse Chet Moritz, professor de eletricidade e engenharia da computação, medicina de reabilitação e fisiologia e biofísica. “Essa é uma mudança dramática, deixar de ficar completamente paralisado abaixo dos pulsos para mover as mãos à vontade.”

Alguns participantes notaram outras melhorias, como frequência cardíaca mais normal e melhor regulação da temperatura corporal e função da bexiga.

A equipa acompanhou os participantes até seis meses após o treino e descobriu que as melhorias permaneceram intactas, apesar de não haver mais estímulos.

“Achamos que estes estimuladores fazem com que os nervos que fazem os músculos contraírem-se muito perto de serem ativos. Não fazem com que o músculo se mova, mas deixam-no pronto para se mover“, disse Moritz. “Quando alguém com lesão na espinal medula quer mover-se, as poucas conexões que podem ter sido poupadas ao redor da lesão são suficientes para fazer com que os músculos se contraiam”.

“No início do nosso estudo, não esperava uma resposta tão imediata desde a primeira sessão de estimulação. Como médica de reabilitação, a minha experiência era que havia sempre um limite para a quantidade de pessoas que se recuperariam. Mas agora parece que isso está a mudar. É muito gratificante ver estes resultados”, rematou Inanici.

A investigação está a avançar no sentido de ajudar as pessoas na clínica e já levou ao desenho de um ensaio clínico internacional.

Este estudo foi publicado este mês na revista científica IEEE Transactions on Neural Systems and Rehabilitation Engineering.

Maria Campos Maria Campos, ZAP //

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