Novo presidente da Interpol já foi acusado de tortura enquanto General dos Emirados Árabes Unidos

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Ipixelpro / Wikimedia

Ahmed Nasser al Raisi

Novo presidente é acusado de tortura na Turquia e na França. A Presidente Comissão Europeia escreveu uma carta a opôr-se à escolha.

O major-general Ahmed Nasser Al Raisi, dos Emirados Árabes Unidos, foi eleito novo presidente da Interpol durante a assembleia do organismo internacional, apesar de já ter sido acusado de tortura em França e na Turquia.

A estrutura da Interpol funciona de forma a que seja o secretário-geral, actualmente o alemão Jürgen Stock que foi reeleito em 2019, a ser o verdadeiro dirigente da organização internacional de cooperação policial, tendo um mandato de cinco anos.

Assim, o presidente tem um papel mais representativo e honorário, só a tempo parcial e sem remuneração. O mandato tem a duração de quatro anos e é exercido a partir do país de origem.

“Ahmed Naser Al Raisi, dos Emirados Árabes Unidos, foi eleito para o cargo de presidente (para um período de quatro anos)”, anunciou a Interpol no Twitter.

Al Raisi derrotou Sárka Havránková, da República Checa, que tinha prometido “adequar o trabalho da Interpol ao espírito da Declaração Universal dos Direitos Humanos”.

Várias organizações internacionais já se tinham manifestado contra a candidatura de Al Raisi devido à sua influência nas forças policiais dos Emirados Árabes Unidos, que acusam de usar repressão contra os dissidentes políticos.

“Estamos convencidos de que a eleição do general Al Raisi afetaria a missão e a reputação da Interpol”, escreveram este mês a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e três deputados europeus, incluindo Marie Arena, presidente da subcomissão de Direitos Humanos do Parlamento Europeu.

O Centro de Direitos Humanos para o Golfo já tinha denunciado Al Raisi em França, acusando o general de estar envolvido na tortura do activista Ahmed Mansur nos Emirados Árabes Unidos. Um grupo de advogados da Turquia também já tinha feito queixa à procuradoria do país devido ao mesmo caso.

O ex-procurador britânico David Calvert-Smith publicou um relatório em Abril onde afirma que Al Raisi “coordenou o aumento da repressão contra os dissidentes” através da tortura e da manipulação do sistema judicial no país.

Dois cidadãos britânicos também apresentaram uma queixa contra Al Raisi por tortura. Um deles, Matthew Hedges, foi condenado a prisão perpétua nos EAU por suspeitas de espionagem e indultado e libertado há três anos

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