Astrónomos descobrem nova classe de “vaca espacial” (ainda mais poderosa)

Bill Saxton, NRAO / AUI / NSF

Comparação de uma supernova normal com uma supernova semelhante a uma “vaca espacial”

Em 2018, foi avistado no céu havaiano um misterioso flash numa galáxia vizinha: a explosão estelar foi dez vezes mais brilhante à luz visível do que as típicas supernovas. Agora, a classe Cow acaba de receber um novo membro. 

Batizado de “AT2020mrf“, o novo evento é o quinto a integrar a classe Cow [Vaca] e é considerado o mais brilhante já observado até ao momento.

Segundo o Tech Explorist, é possível que a supernova recém-descoberta, assim como as demais da mesma categoria, seja alimentada por um objeto extremo, como um buraco negro em formação ou até uma estrela de neutrões.

Os astrónomos detetaram AT2020mrf em raios-X, em vez de luz ótica. O evento foi originalmente detetado em julho de 2020, utilizando dados de raios-X do telescópio russo-alemão Spektrum-Roentgen-Gamma (SRG).

A equipa verificou as observações feitas à luz ótica pelo Zwicky Transient Facility (ZTF), que funciona a partir do Observatório Palomar da Caltech, e descobriu que o ZTF também tinha avistado o mesmo evento.

Os dados revelaram que esta explosão brilhava inicialmente com 20 vezes mais luz de raios-X do que o evento original.

Um ano mais tarde, os dados captados pelo Observatório de Raio-X Chandra, da NASA, mostraram que a explosão estava a brilhar com 200 vezes mais luz de raio-X do que a detetada no evento original.

“Quando vi os dados do Chandra, não acreditei. Reanalisei várias vezes. Esta é a supernova Cow mais brilhante já observada em raios-X”, salientou Yuan Yao, estudante de pós-graduação da Caltech.

A grande quantidade de energia libertada, juntamente com a rápida variabilidade de raios-X, sugerem que existe um magnetar ou um buraco negro bastante ativo a alimentar esta supernova. No entanto, ainda não se sabe exatamente o motivo pelo qual os “motores centrais” destes eventos são tão ativos.

A possível explicação pode incidir no tipo de estrela que os formou, que pode ter causado algo diferente das explosões comuns.

Como esse evento não era parecido com os anteriores, Yao considera que a classe Cow é ainda mais diversificada do que se pensava.

O artigo científico foi submetido para publicação no The Astrophysical Journal, mas encontra-se disponível no arXiv, carecendo ainda de revisão por pares.

  ZAP //

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