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Nobel da Economia atribuído a David Card, Joshua Angrist e Guido Imbens

(dr) Niklas Elmehed

Nobel da Economia atribuído a David Card, Joshua Angrist e Guido Imbens

Os economistas David Card, Joshua Angrist e Guido Imbens receberam, esta segunda-feira, o Prémio Nobel da Economia por “tirarem conclusões de experiências inesperadas” e aplicá-las à análise do mercado de trabalho.

Em comunicado, a Academia Real das Ciências da Suécia anunciou que o Prémio Nobel da Economia 2021 foi atribuído, de forma dividida, a David Card pelas “suas contribuições empíricas para a economia do trabalho”, sendo a outra metade da dupla Joshua Angrist e Guido Imbens pelas “suas contribuições metodológicas para a análise das relações causais”.

Os laureados deste ano, considerou a academia sueca, “deram-nos novas perceções sobre o mercado de trabalho e mostraram quais as conclusões sobre causa e efeito que podem ser tiradas de experiências naturais”, acrescentando que a sua abordagem “espalhou-se para outros campos e revolucionou a pesquisa empírica“.

“Muitas das grandes questões nas ciências sociais lidam com causa e efeito. Como é que a imigração afeta os salários e os níveis de emprego? Como é que uma educação mais longa afeta o rendimento futuro de alguém?. Estas são perguntas difíceis de responder porque não temos nada para usar como termo de comparação. Não sabemos o que teria acontecido se houvesse menos imigração ou se essa pessoa não tivesse continuado os estudos”, pode ler-se.

“Porém, os laureados deste ano mostraram que é possível responder a estas questões, e outras parecidas, usando experiências naturais. A chave está em usar situações em que eventos casuísticos ou alterações de política podem resultar em que grupos de pessoas sejam tratados de forma diferente, de uma forma que se assemelha aos ensaios clínicos feitos na Medicina”, explicou a academia na mesma nota.

Usando experiências naturais, David Card, da Universidade da Califórnia, “analisou os efeitos dos salários mínimos, imigração e educação no mercado de trabalho. Os seus estudos, do início da década de 90, desafiaram a sabedoria convencional, levando a novas análises e perceções”.

“Os resultados mostraram, entre outras coisas, que o aumento do salário mínimo não leva necessariamente a menos empregos. Agora, sabemos que os rendimentos das pessoas que nasceram num certo país podem beneficiar de uma nova imigração, enquanto as pessoas que imigraram anteriormente correm o risco de ser afetadas negativamente. Também percebemos que os recursos nas escolas são muito mais importantes para o sucesso futuro dos alunos no mercado de trabalho do que se pensava anteriormente”, detalhou.

Ainda segundo a academia, no entanto, “os dados de uma experiência natural são difíceis de interpretar. Por exemplo, estender a escolaridade obrigatória em um ano para um grupo de estudantes (mas não para outro) não afetará todos naquele grupo da mesma forma. Alguns alunos teriam continuado a estudar de qualquer maneira e, para eles, o valor da educação muitas vezes não é representativo de todo o grupo. Então, é mesmo possível tirar alguma conclusão sobre o efeito de um ano a mais na escola?”, questionou.

Em meados da década de 90, Joshua Angrist e Guido Imbens, do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e Universidade de Stanford, respetivamente, “resolveram esse problema metodológico, demonstrando como conclusões precisas sobre causa e efeito podem ser tiradas de experiências naturais”, destacou, por fim, a Academia Real das Ciências da Suécia.

O Nobel da Economia é o último a ser anunciado e será entregue, tal como os outros, no próximo dia 10 de dezembro.

Ao contrário dos outros prémios Nobel, o da Economia não foi estabelecido no testamento de Alfred Nobel, mas sim pelo banco central sueco em sua memória em 1968, tendo o primeiro vencedor sido selecionado um ano mais tarde.

  ZAP // Lusa

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