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Neandertais tinham a capacidade de falar e perceber a linguagem humana

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Eunostos / Wikimedia

Crânio do “La Chapelle-aux-Saints 1”, que foi analisado nesta investigação

Um novo estudo mostra que os nossos parentes Neandertais tinham a capacidade de ouvir e produzir os mesmos sons da fala dos humanos modernos.

Nos últimos anos, várias evidências científicas provaram que os Neandertais eram muitos mais desenvolvidos do que se pensava, tendo criado ferramentas e até obras de arte. Se falavam uns com os outros, essa é uma questão que continua a ser um mistério, embora os seus comportamentos complexos sugiram que seriam capazes de comunicar.

Se for esse o caso, será sempre muito difícil provar. Mas o primeiro passo poderá passar por determinar se estes nossos antepassados podiam produzir e perceber sons baseados na fala humana.

De acordo com o site Science Alert, foi isso que uma equipa de cientistas se propôs a fazer.

Os investigadores fizeram tomografias computadorizadas de alta resolução dos crânios de cinco Neandertais, para depois criarem modelos virtuais em 3D das estruturas das orelhas.

O mesmo processo foi realizado com crânios de Homo sapiens e de um muito mais antigo descoberto em Sima de los Huesos, na serra de Atapuerca, em Espanha, que pertenceu a um dos ancestrais dos Neandertais, que viveram há cerca de 430 mil anos.

De seguida, foi aplicado um modelo da capacidade auditiva destas estruturas para entender o alcance de frequência a que as orelhas eram mais sensíveis, algo conhecido como “largura de banda ocupada”. No caso dos humanos modernos, trata-se do alcance vocal humano.

Segundo o site EurekAlert!, este conceito está relacionado com o sistema de comunicação, tanto que uma largura de banda maior permite que um maior número de sinais acústicos facilmente distinguíveis sejam usados na comunicação oral de uma espécie. Isto, por sua vez, melhora a eficiência da comunicação, ou seja, a capacidade de entregar uma mensagem clara no mais curto espaço de tempo.

Modelo 3D e reconstrução virtual da orelha de um humano moderno (à esquerda) e de um Neandertal (à direita)

A equipa descobriu que os Neandertais tinham uma melhor audição na faixa de quatro a cinco quilohertz do que o “hominídeo Sima” e que a sua largura de banda ocupada era mais próxima da dos humanos modernos do que desses seus ancestrais. Segundo o Science Alert, esta otimização sugere que os Neandertais precisavam de ouvir a voz uns dos outros.

“Esta é realmente a chave. A presença de habilidades auditivas similares, particularmente a largura de banda, demonstra que os Neandertais possuíam um sistema de comunicação que foi tão complexo e eficiente como o discurso humano moderno”, declarou Mercedes Conde-Valverde, paleoantropóloga da Universidade de Alcalá, em Espanha, que liderou o estudo publicado, esta segunda-feira, na revista científica Nature Ecology & Evolution.

Curiosamente, a largura de banda ocupada dos Neandertais estendeu-se para frequências acima de três quilohertz, sendo que estas estão principalmente envolvidas na produção de consoantes. Isto, observou a equipa, distinguiria as suas vocalizações das vocalizações baseadas em vogais de primatas não humanos e outros mamíferos.

No entanto, tal como destacam os cientistas, ter uma anatomia que era capaz de produzir e ouvir este tipo de fala não significa necessariamente que os Neandertais tivessem a capacidade cognitiva para o fazer.

Mesmo assim, consideram, “estes resultados, juntamente com as recentes descobertas que indicam comportamentos simbólicos, reforçam a ideia de terem possuído um tipo de linguagem humana, um que foi muito diferente na sua complexidade e eficiência quando comparada com qualquer outro sistema de comunicação oral usado por organismos não humanos”.

  ZAP //

6 Comments

  1. Ora aqui está uma brilhante conclusão de um grupo de não menos brilhantes cientistas que ganham fortunas para descobrir esta coisas maravilhosas………….

      • Senhor Osório, eu vivo no planeta real, mas há pessoas que não sabem onde fica. As únicas pessoas que não ganham fortunas no planeta onde vivo, são os que trabalham. Vai-me dizer que um cientista para chegar a esta brilhante conclusão, não foi remunerado, e bem?
        Se o senhor por ventura é cientista, não deve de ser do grupo dos que concluem estas coisas sábias, pois se fosse, dirlhe-ia que todo e qualquer centimo gasto para obter esta conclusão era mal empregue.
        Mas eu sou dos que respeita a opinião dos outros.

        • Caro Fernando, o senhor disse no seu comentário inicial que os cientistas ganham fortunas. Isso é totalmente mentira. Na sua resposta quer que eu confirme se eles são remunerados e bem, o que é um pouco diferente de ganharem fortunas, portanto já mudou de opinião, o que é ótimo. Mas respondendo novamente: alguns cientistas passam por períodos a trabalhar de graça (sem remuneração), e os que são remunerados, não ganham bem. Não ganham bem nem para chegar a esta conclusão, nem para terem descoberto a teoria da relatividade, nem para descobrirem a cura para qualquer doença. Ganham pessimamente, sobretudo em termos relativos, e no entanto são efetivamente os responsáveis por todos os avanços da humanidade, incluindo aqueles avanços que nos permitem conversar hoje desta forma e não termos mortalidade infantil de dois dígitos, por exemplo. Informe-se. Cumprimentos.

  2. Quem Ganha bem E Rouba Fortunas sao a classe politica e governantes e ainda temos gente preocupada Com o que ganha uma pessoa fechada num laboratorio ,as vezes com uma indumentaria tipo astronauta ,durante horas a Fio ,para descobrir uma Vacina ou outra coisa qualquer que nos faz falta ,sao os Herois Desconhecidos e pelos vistos maltratados por muitos que usufruem do seu trabalho ;este Senhor Fernando devia ter vergonha,pois se calhar esta vivo devido a algo que foi o trabalho arduo de um cientista ,tipo vacinas ! ou ainda se calhar um dia ve a morte adiada ;por algo desenvolvido por cientistas

  3. “estes nossos antepassados”.
    Nossos antepassados? Quem os Neandertais?! O Homo Neandertal não é um antepassado do Homo Sapiens. O Homo Neandertal foi uma espécie paralela ao Homo Sapines.

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