Naves espaciais enviadas da Terra podem ser um “artefacto extraterrestre”

Apenas 5 naves espaciais da Terra estão a sair do nosso sistema solar e nenhuma está direcionada para um sistema estelar em específico. Mesmo se assim fosse, não alcançariam outro sistema estelar durante dezenas de milhares — ou centenas de milhares — de anos.

Avi Loeb, astrónomo de Harvard, defende que Oumuamua, um objeto interestelar que passou pelo nosso sistema solar em outubro de 2017, foi enviado por extraterrestres.

O astrónomo ponderou se os alienígenas criaram o nosso universo num laboratório e, no mês passado, sugeriu que o meteoro de 2014 que atingiu o Oceano Pacífico era composto por tecnologia extraterrestre.

A 27 de abril de 2022, enviou um e-mail à EarthSky com uma analogia que explicava como qualquer uma das nossas naves espaciais pode ter colidido com outro mundo, criando um “artefacto extraterrestre” para uma civilização distante.

Loeb explicou à EarthSky que o meteoro de 2014 pode ter vindo, possivelmente, de fora do nosso sistema solar, antes de aterrar no Pacífico.

O astrónomo quer criar uma equipa para procurar o que resta do meteoro, porque acredita que existe a possibilidade de ser tecnologia alienígena.

Para provar o seu ponto de vista, Loeb partilhou uma analogia — neste caso, uma história inventada — baseada em alguns factos históricos sobre o meteoro de 2014.

Utilizou o exemplo da nave espacial New Horizons da NASA, que visitou Plutão em 2015, e está agora a sair do nosso sistema solar, para descrever o que uma nave espacial terrestre pode parecer num mundo extraterrestre.

“Imaginem que a nave espacial New Horizons continua na sua viagem interestelar durante mil milhões de anos e acaba por chocar com um planeta habitável, em torno de uma estrela distante”, começa por relatar.

Até lá, seria apenas “um pedaço de lixo espacial composto por elementos pesados com uma cratera de superfície rugosa, com numerosos impactos de poeira interestelar, gás e partículas de raios cósmicos”, prossegue.

“Agora imaginem os astrónomos naquele exoplaneta a descobrir este lixo tecnológico, à medida que ele se aproxima da sua estrela-mãe, que ilumina a escuridão à sua volta. Usam o seu telescópio mais avançado para vigiar o céu em busca de objetos que possam ter impacto no seu planeta, um sistema de alerta para evitar catástrofes a partir de rochas espaciais”, continua Loeb.

“Mas este objeto não parece comportar-se como um asteroide ou cometa comum. Em particular, o objeto não tem cauda. No entanto, parece ser afastado da estrela por uma força que decresce inversamente com a distância ao quadrado, devido à pressão de radiação da estrela nas suas paredes”, sublinha o astrónomo.

“Depois de haver um debate sobre as anomalias deste objeto, um dos peritos em rochas espaciais declara: ‘Este objeto é tão estranho, que eu desejava que nunca tivesse existido'”, pressupõe.

“Outros peritos optam por escrever um artigo de revisão numa revista prestigiosa e argumentam que este deve ser um objeto natural e não há razão para suspeitar de mais nada, com base no seu vasto conhecimento sobre as rochas espaciais”, acrescenta Loeb.

“Meses mais tarde, uma equipa de outros especialistas argumenta que este objeto é uma rocha de um tipo que nunca tinham visto antes, nomeadamente um iceberg de hidrogénio, e é por isso que a cauda é invisível. Outra equipa sugere que o objeto é um conjunto de pó, empurrado pela luz. E uma terceira equipa de peritos argumenta que deve ser um iceberg de azoto, lascado da superfície de um planeta distante“.

“O consenso entre todos os peritos é que, embora o objeto esteja em rota de colisão com o seu planeta, nada deve ser feito para desviar a sua trajetória, porque todas as explicações prováveis para a sua origem implicam que o objeto arderá rapidamente na atmosfera do planeta, e nada sobreviverá para danificar a superfície”, realça.

“Os satélites governamentais mais sofisticados monitorizam o mergulho do objeto na atmosfera. Argumentam que os seus dados podem decidir qual das três explicações dos peritos é a correta, com base na rapidez com que o objeto arde”, nota Loeb.

“À medida que a New Horizons choca com a atmosfera do planeta, desafia todas as expectativas. A bola de fogo ocorre a uma altitude muito mais baixa do que o esperado”, indica o astronauta.

“A curva da luz do meteoro na atmosfera inferior implica que a composição do meteoro era muito mais dura do que uma rocha comum. A sua resistência material é muito maior do que a de qualquer meteorito pedregoso”, lê-se na analogia.

“A comunidade astronómica recusa-se a acreditar nos dados do governo, porque não incluem incertezas de medição. Estas incertezas são classificadas para fins de segurança nacional, porque os sensores utilizados para recolher os dados são classificados”, prossegue.

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“Após três anos, o governo emitiu uma carta, juntamente com a curva de luz da bola de fogo, declarando que a composição do objeto é altamente invulgar. Em resposta, os peritos são amplamente citados nos jornais como dizendo que uma carta do governo não é a forma como a ciência é feita e, uma vez que os dados reais são classificados, nunca saberão o que isso significa“, continua Loeb.

“Mas um pequeno grupo de cientistas decide procurar fragmentos do meteorito no fundo do oceano, que possam ter sobrevivido à bola de fogo. Enquanto conduzem a expedição, encontram no fundo do oceano uma pequena caixa que foi presa à nave espacial New Horizons”.

“A caixa contém trinta gramas das cinzas de Clyde Tombaugh, um ‘humano’ que descobriu um planeta chamado ‘Plutão’. Concluem imediatamente que o meteoro interestelar deve ter sido uma relíquia tecnológica de uma chamada ‘civilização humana’ que o lançou, há um bilião de anos atrás”, prevê o astronauta.

“E também argumentam que esta ‘civilização humana’ não foi particularmente inteligente porque destruiu a informação genética sobre a pessoa que pretendia comemorar. O ADN de Tombaugh foi queimado em cinzas que não são diferentes das cinzas de um cigarro. Isto implica um ritual primitivo que faz pouco sentido para uma comunidade inteligente baseada na ciência”, realça Loeb.

“‘Se os humanos ainda estiverem por aí, não queremos ter nada a ver com a sua mentalidade destrutiva’, concluem eles no seu relatório. Fim da história”.

A analogia de Loeb para o meteoro interestelar de 2014 é, em parte, uma resposta para os seus críticos.

O astronauta recria a nossa própria nave espacial interestelar a alcançar outro mundo, milhares de anos depois de ser lançada. Quastiona que se isto pode acontecer em qualquer outro mundo, porque não no nosso?

“A história está baseada em factos. Quem me conhece, sabe que eu não gosto de ficção científica”, conclui Avi Loeb.

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  Alice Carqueja, ZAP //

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