Mutação genética pode ser a culpada por não conseguir deixar de fumar

Uma mutação presente em 35% dos europeus não só aumenta o risco de dependência da nicotina, como também de ter uma recaída, de acordo com uma equipa de cientistas franceses.

Porque é que algumas pessoas têm recaídas meses depois de deixar de fumar? Um grupo de cientistas franceses crê ter encontrado a resposta numa mutação genética, depois de realizar uma investigação em cobaias.

O estudo foi levado a cabo por investigadores do Intituto Pasteur e do Centro Nacional de Investigações Científicas (CNRS), em colaboração com a Universidade de Sorbonne e o Instituto Nacional de Saúde e da Investigação Médica (Inserm). Os resultados da investigação foram publicados, na passada quinta-feira, na revista Current Biology.

Os autores explicam que a nicotina causa vício ao unir-se aos recetores nicotínicos no cérebro, pelo que o consumo de tabaco de um determinado indivíduo está estreitamente relacionado com a sensibilidade de estes recetores, compostos por cinco subunidades (α1, α2, α3, α4 e α5).

Nos últimos anos, vários estudos genéticos demonstraram que uma mutação no gene CHRNA5 que codifica a subunidade α5 aumenta de forma significativa o risco de dependência da nicotina. Esta mutação está muito presente na população a nível mundial (por exemplo, em 35% dos europeus e até 50% da população do Médio Oriente).

Os cientistas tentaram determinar que etapa desta dependência se vê afetada por esta mutação e qual é o seu mecanismo de ação. Para isso, introduziram a mutação em cobaias e avaliaram o seu efeito sobre diversos comportamentos associados com a dependência da nicotina.

A pesquisa demonstrou que a mutação provoca um maior consumo de nicotina em doses muito altas, assim como um aumento na taxa de recaída. Da mesma forma, a investigação mostrou que este efeito está associado com uma redução da atividade neuronal no núcleo interpeduncular, uma estrutura cerebral com a maior concentração de subunidades de recetores nicotínicos α5.

Estes resultados sugerem que uma substância capaz de aumentar a atividade dos recetores nicotínicos que contêm a subunidade α5 “poderia reduzir o consumo de tabaco e diminuir o risco de recaída depois de deixar de fumar”, explica Uwe Maskos, um dos investigadores deste estudo.

ZAP // RT

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