Musk pode não ser tão apologista da liberdade de expressão como diz ser

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dmoberhaus / Flickr

Elon Musk, CEO da Tesla e SpaceX

Elon Musk, o CEO da Tesla e da SpaceX será, em breve, o novo proprietário da plataforma de comunicação social Twitter.

Esta segunda-feira, a direção do Twitter aceitou a oferta do Musk de cerca de 44 mil milhões de dólares para comprar a empresa.

O CEO da Tesla e da SpaceX, por seu lado, enquadrou a aquisição como um esforço para promover a liberdade de expressão na plataforma.

“A liberdade de expressão é a base de uma democracia funcional, e o Twitter é a praça digital da cidade, onde são debatidos assuntos vitais para o futuro da humanidade”, sublinhou Musk, numa declaração.

As suas próprias ações, porém, questionam esse ideal. Musk tem um longo historial de silenciar os seus críticos, forçando os empregados a assinar contratos de silêncio, e de atacar jornalistas e analistas, como várias publicações o têm salientado.

Embora Musk ainda não tenha falado sobre os seus planos para o Twitter em grande detalhe, muitos argumentam que a sua visão simplista da liberdade de expressão pode levar a indústria para os seus primórdios, salienta a Techdirt.

Numa entrevista, pouco depois do anúncio de que Musk tencionava comprar o Twitter, ele disse que pretendia criar uma “arena inclusiva para a liberdade de expressão“, onde as pessoas pudessem “falar livremente dentro dos limites da lei”.

Por outras palavras, é exatamente o tipo de redação idealista a partir da qual os CEOs tecnológicos fundaram as suas empresas de comunicação social.

Mas há um grande problema: a realidade é muito mais confusa do que isso, como Musk descobriu em primeira mão, ao lidar com críticos e bots na plataforma.

Musk pode ter doado milhões de dólares à União Americana das Liberdades Civis e argumentado repetidamente que é um “absolutista da liberdade de expressão” mas, ao longo dos anos, não demonstrou a mesma consideração pelo discurso que vai contra as suas próprias crenças, argumenta a Bloomberg.

A Tesla, por exemplo, tem um historial de manter os empregados em silêncio. Os trabalhadores devem assinar acordos de confidencialidade, e são despedidos se assinalarem os problemas mais graves da empresa em público.

Musk também tem atacado pessoas que o criticam. o britânico Vernon Unsworth ajudou a resgatar 12 rapazes presos numa caverna tailandesa, em 2018.

Unsworth chamou as contribuições de Musk — o bilionário queria enviar um submarino para ajudar os rapazes encurralados — uma “proeza de relações públicas”. Musk ripostou, chamando-lhe um “pedófilo“.

O bilionário também tentou pagar a Jack Sweeney — o adolescente tem uma conta que segue o jato privado de Musk — para encerrar o projeto.

O bilionário tentou também minar a credibilidade dos jornalistas e das publicações, apelando a um “site de classificação da credibilidade dos media“, numa sondagem de 2018 no Twitter, alimentando ainda mais a desconfiança nos media, tal como defendido pelo antigo presidente dos EUA, Donald Trump.

Quanto ao Twitter, Musk bloqueou várias contas, incluindo a de Sweeney, o que parece estranho para alguém que afirma ser um defensor da liberdade de expressão.

Musk explicou que, com a compra do Twitter, pretendia “eliminar o spam e os exércitos de bot” da rede social. O único problema? O spam e os bots são tecnicamente um exercício de liberdade de expressão.

Se o homem mais rico do mundo — que já está envolvido no dia-a-dia de várias outras grandes empresas — terá força de vontade suficiente para ver quaisquer mudanças sérias, é algo que teremos de esperar para ver.

Quem vai realizar os seus desejos é também outra questão. A aquisição do Musk já foi mal recebida por vários trabalhadores no Twitter, que estão preocupados com os anos de trabalho árduo que dedicaram a estabelecer um lugar inclusivo e aberto para “servir a conversa pública“. Algo que pode vir a ser desfeito.

  Alice Carqueja, ZAP //

3 Comments

  1. Assinar acordos de confidencialidade é uma coisa completamente normal, nos EUA e em Portugal…Uma coisa
    é liberdade de expressão, outra é querer liberdade para denegrir a empresa para a qual se trabalha… Quem trabalha na Tesla e quer falar mal da mesma na praça pública é livre de o fazer, mas não deve esperar receber um cheque da Tesla ao fim do mês!

  2. O verdadeiro artista… se ele já antes usava o Twiter para manipular o mercado, como será sendo ele o dono?
    Também é estranho o aumento brutal da sua fortuna e a origem de tanto dinheiro…

  3. Isso da liberdade de expressão…………………….para uns o que pode ser liberdade de expressão, para outros pode não ser…….

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