Município brasileiro ensina que foi Espanha a descobrir o Brasil

Biblioteca Nacional de Portugal / Wikimedia

Pedro Alvares Cabral descobre o Brazil, litografia de Maurício José do Carmo Sendim, 1839

Em Cabo de Santo Agostinho, município nordestino brasileiro, ensina-se às crianças que foi o navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón quem descobriu o Brasil, contrariando a versão leccionada na maioria das escolas, de que foi o português Álvares Cabral.

Nesta cidade costeira, localizada no estado brasileiro de Pernambuco, não há espaço nas primeiras lições de História para o lusitano Pedro Álvares Cabral.

Segundo explicou à agência Lusa a secretária municipal da Educação do Cabo, Sueli Lima Nunes, cerca de três meses antes da chegada do português a solo brasileiro, Pinzón atracava nas praias do Cabo de Santo Agostinho.

 

“26 de Janeiro de 1500, com o Tratado de Tordesilhas a dividir os países entre Espanha e Portugal, Vicente Yáñez Pinzón atraca aqui em Cabo de Santo Agostinho, dando-lhe o nome de ‘Santa María de la Consolación’. Porém, ele não se pôde apropriar da terra devido ao tratado”, afirmou Sueli Nunes, acrescentando que o actual nome da cidade foi dado pelos portugueses, aquando da sua chegada àquele território.

Num livro didáctico escolar a que a Lusa teve acesso, em que está descrita a história do Cabo de Santo Agostinho, desde o berço indígena até à actualidade, é uma pintura do busto de Pinzón que serve de entrada ao período dos descobrimentos.

“No livro ‘Terra Pernambucana’, de Mário Sette, há um capítulo intitulado “a primeira gaivota”, no qual é descrita a grande odisseia de Vicente Yáñez Pinzón que teria avistado a terra em 26 de Janeiro de 1500 (…) Há quem afirme não ser tão precisa esta data, mas terá sido entre 20 de Janeiro e 20 de Fevereiro de 1500”, descreve o manual escolar, sem mencionar Cabral, cuja chegada ao Brasil foi registada em 22 de Abril de 1500.

Sueli frisa que não é apenas nos manuais escolares e livros didácticos que Pinzón surge como uma figura importante para os cabenses, habitantes daquele município. A memória do navegador espanhol está presente por toda a cidade, desde monumentos, livros, em nomes de lojas, e até em fachadas de padaria.

Vicente Yáñez Pinzón é uma referência, e se essa referência está colocada na cidade do Cabo de Santo Agostinho, é assim que nós ensinamos, com essa construção. Até porque existe todo um referencial científico que comprova a chegada do espanhol aqui ao Cabo”, salientou a secretária da Educação.

Assinado em 07 de Junho de 1494, o Tratado de Tordesilhas, firmado na cidade espanhola com o mesmo nome, determinou a divisão do mundo “descoberto e por descobrir” em duas partes, através de uma linha imaginária traçada a 370 léguas a oeste de Cabo Verde, de polo a polo, que garantiu os direitos de exploração das terras a oeste à coroa espanhola, e a leste a Portugal.

Cerca de seis anos após a assinatura do Tratado, os irmãos espanhóis Pinzón organizaram uma frota, com quatro caravelas, comandadas por Vicente Pinzón e partiram no sentido Oeste.

Em meados de Janeiro chegaram ao cabo de Santo Agostinho, na costa de Pernambuco. Sabendo que estavam em terras portuguesas, e tendo em conta o acordo firmado em Tordesilhas, o navegador espanhol rumou para norte, segundo a plataforma ‘online’ Ebiografia.

Porém, há historiadores que afirmam que a terra denominada de ‘Santa Maria de la Consolación’ por Pinzón era afinal a ponta do Mucuripe, em Fortaleza, no estado do Ceará, e não o Cabo de Santo Agostinho, tese que é defendida no livro “Vicente Pinzón e a Descoberta do Brasil”, do jornalista Rodolfo Espínola, e pelo historiador Francisco Adolfo de Varnhagen.

Teoria essa que em nada afecta a devoção dos cabenses pelo espanhol. “Pinzón ficou cá por poucos dias, devido ao tratado com Portugal, mas apesar do pouco tempo, foi bastante significativo para todos nós”, reforçou a secretária, que mestre em Ciências da Educação.

O navegador dá ainda nome a um festival no Cabo de Santo Agostinho, que se realiza em 26 de janeiro, data em que os cabenses estimam que o navegador espanhol tenha pisado uma ponta de terra que avança sobre o mar, hoje chamada de Vila da Nazaré, por influência dos portugueses.

Em entrevista à agência Lusa, o prefeito do Cabo de Santo Agostinho, Clayton da Silva Marques, revelou que há um interesse turístico por parte da autarquia local em explorar a imagem de Pinzón, nomeadamente na tentativa de atrair público de língua espanhola.

// Lusa

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18 COMENTÁRIOS

    • Seria melhor, penso eu, designar esses habitantes de Cabo de Santo Agostinho, de falarem Portunhol, aliado ao Brasuquês em voga.

    • Lula se faz favor, a Barrabás o que é de Barrabás e a Deus o que é de Deus.

      Já agora e os Índios que já habitavam a América há muitos anos?

      • Mas quais índios?!
        Os índios nunca lá chegaram e, o maior “índio” que por lá passou, terá sido mesmo esse tal “espanholito”!….

  1. Com certeza que esta secretária de educação, que sabe mais de história do que qualquer historiador, só pode ser descendente de espanhóis, esta arrogância reconhece-se em qualquer lado

  2. Hahahaaaa!…
    Eu acho que quem descobriu o Brasil foram ET’s!…
    E agora com um presidente enviado por Deus e com uma ministra que fala com Jesus (e tem títulos bíblicos), aposto que vão aparecer mais fenómenos destes por todo o Brasil!
    Juntando estes lerdos todos com os palermas da terra plana e dos ET’s, o Brasil ainda vai dar muito que rir (pelo menos, para quem vê de fora)!…

  3. Certamente e com os meios de vias de comunicação da época e a extensão do território brasileiro o Pedro Álvares Cabral não poderia de uma assentada estar em toda a costa brasileira ao mesmo tempo, mas a ignorância essa ainda é e será muitíssimo mais extensa por muitos e longos anos e esta notícia será mais uma prova disso mesmo, além disso parece haver aqui uma certa prostituição turística em vista.

  4. Ficaram a gostar muito dos espanhol…
    Mal sabem eles que se os espanhóis lhes fizessem a eles o mesmo que fizeram aos Incas, hoje nem descendentes tinham!
    São mesmo anormais, os espanhóis chacinaram os Incas e os mesmo aconteceria com os nativos Brasileiros.
    Isto a ser verdade, obviamente!

    • O que é que você acha que os Portugueses fizeram aos nativos Brasileiros? A populacão nativa brasileira constitui atualmente 0.6% do total… Acha que os negros são nativos do Brasil?

      Os Portugueses têm tendência a achar que eram muito melhores que os Espanhóis para os povos colonizados. Eram iguais.

      • Ah?!
        Menos!…
        Actualmente os índios/nativos são 0,6% da população brasileira?
        E, sabes qual era quantos era a percentagem de nativos antes de 1822 (quando se declarou independente do Reino de Portugal)?!
        Pois… era mais de 10%…
        Portanto, o melhor é perguntar o que fizeram os “brasileiros” aos nativos depois da Independência do Brasil… faziam e, ainda AGORA fazem!!

  5. Apesar de ter cerca de 400 familiares a viverem lá à mais de 250 anos, à sempre uns anormais ditos intelectuais, como por cá, com o dito acordo ortográfico, feito por pseudo matemáticos da língua, para já não comentar na idiotice da gramática.

  6. É igual. Tal como é indiferente terem sido vikings os primeiros europeus a chegar à América. Na verdade, terão sido Homo Erectus os primeiros a chegar e a dar início ao povoamento do continente americano. Provavelmente, muitos anos antes dos vikings, também fenícios lá terão aportado e por lá terão ficado. De qualquer maneira, tudo aponta para o facto de, dois anos antes de Pedro Álvares Cabral, Duarte Pacheco Pereira tenha encontrado a América do Sul, pelas latitudes do Brasil atual ou um pouco mais a norte.

  7. É igual. Tal como é indiferente terem sido vikings os primeiros europeus a chegar à América. Na verdade, terão sido Homo Erectus os primeiros a chegar e a dar início ao povoamento do continente americano. Provavelmente, muitos anos antes dos vikings, também fenícios lá terão aportado e por lá terão ficado. De qualquer maneira, tudo aponta para o facto de, dois anos antes de Pedro Álvares Cabral, Duarte Pacheco Pereira ter encontrado a América do Sul, pelas latitudes do Brasil atual ou um pouco mais a norte.

  8. Sem provas (quer a política de sigilo seguida nos Descobrimentos Portugueses, quer pela destruição, em 1755, da Casa da Índia onde se depositavam os documentos das viagens), mas com muitos indícios, outros portugueses terão aportado ou avistado as “Índias Ocidentais” entre 1488 (passagem do Cabo da Boa Esperança) e 1494 (Tratado de Tordesilhas). Durante esse período realizaram-se as viagens secretas no Atlântico Sul para estudo das correntes e ventos dominantes, assim como, das constelações para orientação em alto mar, com o intuito de preparar a expedição à Índia. Esta teria que ser feita com naus, daí a necessidade de aproveitamento de ventos e correntes favoráveis. É a única explicação razoável da insistência de D. João II em alargar o meridiano de Tordesilhas para Ocidente. Grandes Portugueses de outros tempos!…

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