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Muçulmanos invadiram a Sicília e revolucionaram o comércio de vinho

Uma equipa de investigadores da Universidade de York, no Reino Unido, encontrou resíduos químicos de uvas em ânforas, um tipo de recipiente medieval, sugerindo um próspero comércio de vinho na Sicília islâmica.

Foram ainda encontrados cacos encharcados de vinho degradados no solo, que permitiram à equipa de arqueólogos concluir que as frutas presentes nas ânforas eram uvas usadas na produção de vinho.

O primeiro assentamento muçulmano no sul de Itália foi em Mazara, fixado em 827. A Sicília passou a ser controlada a partir de 902 e o Emirado da Sicília durou de 965 até 1061, tendo sido a principal base muçulmana em Itália.

Enquanto Itália era (e é) um país reconhecido pela sua produção de vinhos, os muçulmanos não eram (nem o são agora) um povo que, por regra, consuma álcool. No entanto, foram capazes de ver o potencial da região e apostaram na comercialização de vinho.

“O álcool não desempenhou – e ainda não desempenha – um papel importante na vida cultural da sociedade islâmica, por isso estávamos muito interessados na questão de como é que essa comunidade medieval prosperou numa região dominada pelo vinho”, explicou Martin Carver, professor do Departamento de Arqueologia da Universidade de York, citado pelo portal HeritageDaily.

Aliás, os muçulmanos “não apenas prosperaram, como construíram uma base económica sólida que lhes deu um futuro muito promissor, sendo a indústria do vinho um dos elementos centrais do seu sucesso”, acrescentou Carver.

Antes da ocupação islâmica, o vinho na Sicília era maioritariamente importado, sendo mais focado no consumo do que na produção. As novas evidências sugerem que a comunidade islâmica virou a atenção para a produção e exportação de vinho.

Apesar disso, não há evidências de que os membros desta comunidade realmente consumiam o vinho que produziam e comercializavam.

Os comerciantes islâmicos parecem ter feito um rebranding do vinho siciliano, usando um tipo particular de ânfora que os investigadores agora podem rastrear por todo o país e pelo mundo para identificar as rotas comerciais.

  Daniel Costa, ZAP //

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