MP suspeita que a Caixa favoreceu empresários e escondeu dívidas de clientes

João Carvalho / wikimedia

Edifício-sede da Caixa Geral de Depósitos, CGD

Edifício-sede da Caixa Geral de Depósitos, CGD

As administrações de Santos Ferreira, Faria de Oliveira e José de Matos na Caixa Geral de Depósitos (CGD) estão sob suspeita de “favorecimentos” a empresários na concessão de créditos e de ocultação deliberada de passivos e de incumprimento de clientes.

Estes dados constam do acórdão entregue no Parlamento, redigido pelo Tribunal da Relação de Lisboa sobre o pedido de levantamento de sigilo bancário na CGD, recusado pelo Banco de Portugal, e são divulgados pelo jornal Público.

O diário nota que o Ministério Público suspeita de “gestão danosa” devido a práticas realizadas entre 2007 e 2016, envolvendo assim as administrações de Santos Ferreira, Faria de Oliveira e José de Matos.

O acórdão nota a “suspeita de que a Caixa tem vindo a acumular, desde pelo menos a década de 2000, um conjunto de negócios consubstanciados em concessões de crédito, sem que as mesmas se revelassem colaterizadas por garantias bancárias adequadas“.

O documento menciona ainda “uma deficiente análise de risco” e “negligência na observância dos níveis prudenciais adequados”, concluindo que estão em causa procedimentos que podem “consubstanciar uma intencional prática de favorecimento de determinados agentes económicos em detrimento de outros, face às condições de acesso ao mercado de crédito”, conforme cita o Público.

Há também suspeitas de que as imparidades registadas na CGD foram uma via para “limpar” créditos cuja concessão violou “normas de racionalidade na gestão”.

O acórdão refere que “se detectou que clientes que apresentavam operações vencidas e tido [como] pagas foram classificadas no segmento ‘créditos sem incumprimento'”, situação que “aponta para uma acção deliberada no sentido de omitir o passivo gerado na esfera do banco”.

Estas práticas suspeitas podem ter “relevância criminal, sendo passíveis de configurar, pelo menos, a comissão de crime de administração danosa”, menciona ainda o documento citado pelo Público.

O Banco de Portugal ainda não foi notificado da decisão e não conhece os seus termos, pelo que só depois decidirá como actuar.

ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. A banca pública que deveria ser um exemplo para o país afinal está metida num atoleiro igualzinho à banca privada, evitam de vir os defensores de alguma das partes dizer que uma é melhor que a outra, são ambas lixo!.

  2. Os meus parabéns ao Ministério Público.
    Têm vindo a mostrar trabalho, agora é preciso conseguir condenações com penas exemplares, que ajam como factor dissuasor para que estes comportamentos não se repitam.

    • Não temos juízes à altura do trabalho do MP ou da PJ. Estão comprados pelo poder político, uns, e outros julgam-se deuses

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