Morreu o ex-ministro Jorge Coelho

João Relvas / Lusa

Jorge Coelho, antigo ministro das Obras Públicas e também da Administração Interna pelo Partido Socialista (PS)

O ex-dirigente socialista e antigo ministro Jorge Coelho morreu esta quarta-feira, disse à agência Lusa fonte do PS.

Faleceu esta quarta-feira, aos 66 anos, o ex-ministro e dirigente socialista Jorge Coelho. O ex-governante sofreu um ataque cardíaco, na Figueira da Foz, onde se encontrava em visita particular.

De acordo com Jody Rato, comandante dos Bombeiros Voluntários da Figueira da Foz, Jorge Coelho sentiu-se mal durante a visita a uma habitação na rua da Liberdade, na zona turística do Bairro Novo.

“A senhora que estava com ele ligou para o 112 e quando a nossa equipa chegou ao local ele estava em paragem cardiorrespiratória. Foram feitas manobras de reanimação mas não foi possível reverter a situação”, tendo o óbito sido declarado no local, adiantou o comandante.

Nascido a 17 de abril de 1954, em Mangualde, Jorge Coelho era militante socialista desde 1982. Foi ministro de três pastas nos governos de António Guterres: ministro Adjunto; ministro da Administração Interna; ministro da Presidência e do Equipamento Social.

A partir de 1992, com Guterres na liderança, Jorge Coelho foi secretário nacional para a organização do partido, contribuindo para a vitória eleitoral dos socialistas nas legislativas de outubro de 1995.

O seu percurso como Ministro do Estado e do Equipamento Social marcou a vida política portuguesa quando assumiu a responsabilidade pessoal pela queda da ponte de Entre-os-Rios, que provocou mais de 60 vítimas mortais, e na sequência da qual apresentou a sua demissão.

Após abandonar a atividade política, Jorge Coelho dedicou-se à gestão de empresas, tendo sido presidente da Mota-Engil até 2013. Voltou à administração da construtora, sem funções executivas, em 2018, cargo que ainda ocupava. Recentemente, tinha lançado um projeto de produção de queijos regionais na sua cidade natal.

A sua trajetória política fica também marcada pela grande combatividade, de que é exemplo a célebre frase “quem se mete com o PS, leva“, que ficou para a história da política nacional.

Tristeza e saudade “pelo amigo”

O presidente da Assembleia da República e ex-líder socialista Ferro Rodrigues mostrou-se chocado e muito triste com a morte do seu amigo e camarada, antigo ministro, deputado e dirigente também do PS.

“Recebo, com choque e muita tristeza, a notícia do falecimento de Jorge Coelho, um amigo de há longas décadas. Homem bom e solidário, foi sempre alguém que se bateu por causas, em especial pela democracia e pela igualdade. Foi também um sobrevivente, com quem aprendi a enfrentar as adversidades”, lê-se em nota de Ferro Rodrigues, enviada à agência Lusa.

“Neste momento tão difícil, quero endereçar à sua família, em especial à sua mulher, filhos e netos, e aos muitos amigos que deixa, de todos os quadrantes políticos, as mais sentidas condolências”, lê-se ainda no breve texto do presidente da Assembleia da República.

Também o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lembrou o ex-ministro, em nota publicada no site da Presidência, na qual recorda, “com saudade, o amigo” e apresenta à sua Família “as mais sinceras condolências”.

“Com o dramático falecimento de Jorge Coelho desaparece uma das mais destacadas personalidades da vida pública portuguesa nas décadas de 70, 80 e 90, em que foi governante, parlamentar, Conselheiro de Estado, dirigente partidário, analista político e gestor empresarial”, diz a nota do presidente.

“Reunindo grande intuição, espírito combativo, perspicácia política, afabilidade pessoal e sentido de humor, por entre os escolhos inevitáveis dos apoios e das contraditas, deixou na memória dos Portugueses o gesto singular de assumir, em plenitude, a responsabilidade pela Tragédia de Entre-os-Rios e a capacidade rara de antecipar o sentir do cidadão comum”, acrescenta a nota de Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República recorda, com saudade, o amigo e apresenta à sua Família as mais sinceras condolências.

António Costa, primeiro-ministro e secretário-geral do PS, disse estar “muito chocado” com a notícia da morte de Jorge Coelho e expressou as “profundas condolências” à mulher e à filha do companheiro de partido, um “amigo de todas as gerações do PS”.

Para o governante, Coelho foi “uma força da natureza” que “ajudou a reerguer o PS” durante os “anos duros de oposição” da década de 90.

“Foi quase uma espécie de braço direito do engenheiro António Guterres na construção da alternativa e da nova maioria em 1995”, recordou António Costa, sublinhando que, no Governo, Jorge Coelho desempenhou as suas funções de forma “exemplar”.

Numa mensagem a partir do Largo do Rato, a sede do partido, Costa prometeu uma homenagem quando a pandemia de covid-19 o permitir e, segundo o Expresso, sublinhou: “Nunca ninguém expressou tão bem a alma do povo socialista como Jorge Coelho.”

Também o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou-se “chocadíssimo” com a notícia da morte do antigo dirigente socialista, seu “amigo muito querido”.

Numa declaração enviada à Lusa, António Guterres, secretário-geral do PS entre 1992 e 2002, afirma que Jorge Coelho “foi um admirável servidor da causa pública, um político de extraordinária inteligência e dedicação”.

“Mas, acima de tudo, Jorge Coelho era um amigo muito querido, que me acompanhou em momentos decisivos da minha vida e face ao qual tenho uma enorme dívida de gratidão”, frisa o secretário-geral das Nações Unidas.

António Guterres considera que, para si, a morte de Jorge Coelho era “impensável, pois a sua alegria, o seu entusiasmo e a sua força interior eram uma verdadeira personificação da vida”.

ZAP // Lusa

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5 COMENTÁRIOS

  1. Como é que este gajo que era operário metalúrgico chega onde chegou a não ser num país governado por bandidos? Este personagem recebeu escola em Macau com Neto Valente um personagem e tanto que aqui há uns anos foi raptado pelas tríades, aliás é este 33 de Macau o instrutor de muitos rapazes do PS, tudo boa gente…
    Uma coisa é certa, morreu seguramente feliz a fazer conta do relato da noticia… Até a morrer teve sorte.

  2. Tudo o que foi político , quando morre, é sempre um herói, um insubstituível, um homem de grande caracter , que dedicou a vida à causa publica etc etc etc .
    Na vida, sempre se aproveitou do cargo e não valia coisa nenhuma , mas enfim é o que temos …

    • Reconheço-lhe uma coisa. Admitiu o que se tinha passado em Entre-os-Rios e demitiu-se. Hoje em dia todos assumem a culpa de tudo e ninguém se vai embora.

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