Morre infetado senador brasileiro que criticava isolamento social para combater pandemia

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Senado Federal / Flickr

O senador Arolde de Oliveira

O senador brasileiro Arolde de Oliveira, de 83 anos, que frequentemente se posicionava contra as medidas de isolamento social para travar a pandemia, morreu na noite de quarta-feira vítima de covid-19.

“Comunicamos que nesta noite (21 de outubro) o Senhor Jesus recolheu para si nosso amado irmão, Senador Arolde de Oliveira. Falecido vítima de covid-19 e como consequência a falência dos órgãos. A família agradece o carinho e orações”, comunicou a conta oficial do senador no Twitter, noticiou a agência Lusa.

O octogenário, aliado do Presidente, Jair Bolsonaro, era empresário e tinha uma extensa carreira política. Depois de nove mandatos como deputado federal, chegou ao Senado nas eleições de 2018.

Desde a chegada da pandemia da covid-19 ao Brasil, registada oficialmente no país em 26 de fevereiro, o senador posicionou-se contra as medidas de isolamento social decretadas por governadores e prefeitos e referiu-se ao novo coronavírus como “vírus chinês”.

“Os números do vírus chinês no mundo e no Brasil demonstram a inutilidade do isolamento social. Autoridades, alarmistas por conveniência, destruíram o setor produtivo e criaram milhões de desempregos. O Presidente Jair Bolsonaro estava certo desde o início”, escreveu Arolde de Oliveira no Twitter, em abril.

Num outro posicionamento, o senador defendeu que a covid-19 não teria no Brasil o mesmo impacto que estava a ter na Europa. “Não sejamos idiotas (…) Em Itália o clima está frio, população é idosa, há elevado número de fumantes. Não é o nosso caso. O Brasil não pode parar”, frisou o político.

O senador brasileiro também manifestava publicamente o seu apoio a Bolsonaro e à forma como o chefe de Estado se mostrava cético em relação à gravidade da pandemia, defendendo uma rápida reabertura económica.

“Conclamo os patriotas, comprometidos com a nação, a continuarem apoiando sem restrições o Presidente Jair Bolsonaro, que é sensato em evitar o pânico. O caos só interessa aos inimigos do Brasil (esquerdopatas e aliados que devastaram o país) corja de irresponsáveis”, disse, na mesma rede social.

Fernando Bizerra / Lusa

O senador, que estava internado numa unidade de cuidados intensivos num hospital do Rio de Janeiro, acabou por não resistir à doença.

O Senado do Brasil decretou luto oficial de três dias.

“É com tristeza que recebi a notícia de que perdemos o senador Arolde de Oliveira. Infelizmente, mais um brasileiro perdeu a vida por consequência desse vírus que já ceifou mais de 150 mil pessoas no nosso país. (…) O Senado Federal decreta luto oficial em homenagem à memória do senador. Um dia triste para esta casa”, disse o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em comunicado.

Vários senadores lamentaram a morte de Arolde de Oliveira, que ocorreu no dia em que o Brasil ultrapassou as 155 mil mortes devido à covid-19.

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de mortos (mais de 5,2 milhões de casos e 155.403 óbitos), depois dos Estados Unidos.

Bolsonaro sem máscara com ministro da Saúde, infetado

Na quinta-feira, Bolsonaro publicou um vídeo no Facebook ao lado do ministro da Saúde brasileiro, Eduardo Pazuello, que testou positivo à covid-19 na terça-feira. Ambos estavam sem máscara e não mantinham qualquer distância, revelou o Observador.

No vídeo, Pazuello disse que tomou três medicamentos para a covid-19: a hidroxicloroquina – usada para tratar a malária e cuja utilização não é aconselhada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) -, a annitta – um antiparasitário utilizado para tratar gastroenterites -, e a azitromicina – trata infeções bacterianas.

“A experiência que eu tenho é positiva”, afirmou o ministro, referindo-se aos medicamentos. Já Bolsonaro frisou: “Mais uma prova que tomou e deu certo. Alguns reclamam que a hidroxicloroquina não tem uma comprovação científica. Não tem para a covid, mas tem para outras coisas e não tem efeito colateral”.

Pazuello indicou que o medicamento já tem “uma nova certificação científica” e vai ser aprovada. “Siga as prescrições do médico, se o médico prescrever [hidroxicloroquina] tome o mais rápido possível”, acrescentou. Caso o médico se recuse a receitar o medicamento, o paciente deve chamar outro “e se quiser tomar, assina o compromisso e toma”, sublinhou.

O Presidente, que contraiu o coronavírus em julho, elogiou a prestação de Pazuello: “Foi um dos melhores ministros da Saúde que tivemos, falei isso para a imprensa, pode ter certeza o trabalho dele está sendo excecional”.

  ZAP //

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