Moradores do Porto pagam a seguranças para se protegerem dos senhorios

Nos últimos anos, são vários os especuladores imobiliários que têm vindo a adquirir edifícios no centro do Porto, obrigando os inquilinos a abandonarem as suas casas.

Porém, há quem tenha vindo a pagar a seguranças como uma forma de proteção face a comportamentos agressivos por parte dos proprietários.

Há relatos de senhorios, conta o Jornal de Notícias, que contratam “capangas” para intimidar os inquilinos, sobretudo idosos – chegando mesmo a ameaças de morte. As associações de inquilinos citadas pelo mesmo jornal classificam estas práticas como “ações de guerrilha”, “bullying imobiliário” e “criação de terror”.

A alegada coação por parte de alguns proprietários para que os inquilinos abandonem os edifícios será um “segredo bem guardado” que poderá ter vindo a público depois de um incêndio, com suposta mão criminosa, num prédio na rua Alexandre Braga, junto ao Bolhão, ter morto um homem no sábado. A família a testemunhou ter recebido “visitas” de indivíduos “corpulentos” que ameaçaram os inquilinos de morte caso estes não abandonassem a casa.

Este fenómeno tem-se também observado noutras zonas do Porto como a Sé e Miragaia. Sob anonimato, os inquilinos admitiram ao JN que têm vindo a contratar indivíduos ligados “à segurança” que, a troco de valores que rondam os 50 euros, se dispõem a enfrentar os senhorios.

“As pessoas vivem aterrorizadas”, afirmou José Fernandes, advogado da Associação de Inquilinos do Norte, citando ainda exemplos de “técnicas de intimidação” como “inundar zonas comuns do prédio”, “cortar luz ou água sem razão”, “aparecer sem avisar para mostrar a casa a um investidor” ou “levar gorilas que intimidem as pessoas”.

Inês Branco, do movimento “Temos Direito à Cidade”, denuncia que as “técnicas de intimidação são cada vez mais fortes”, com os senhorios a recorrerem a “mentiras, ameaças verbais ou físicas”. A associação mostra-se preocupada “com o nível de desproteção das pessoas”, pedindo à Câmara do Porto que intervenha ao limitar as licenças de alojamento local.

O número de despejos tem vindo a diminuir, segundo dados do Balcão Nacional de Arrendamento. Em 2018, registaram-se 3087 requerimentos de despejo, dos quais apenas se concretizaram 912, o número mais baixo desde 2013. Isto poderá ser explicado pela moratória que proíbe que inquilinos com mais de 65 anos ou com 60% de incapacidade sejam despejados.

O número real de despejos pode, porém, ser superior, alertou ainda a Habita – Coletivo pelo Direito à Habitação e à Cidade.

ZAP //

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7 COMENTÁRIOS

    • Joaquim cheira-me que pertence aos destruidores da sociedade, ou seja, direita, correcto ? Dê-se por contente por os patrões ainda poderem ficar com quase todo o lucro de uma empresa, lucro esse gerado apenas pelo trabalho dos funcionários, e que sem o trabalho deles a empresa nem existiria. É muito fácil ser-mos indecentes e monstros quando estamos do lado certo da sorte não é ?

      • O Estado se quer fazer caridade que faça com o proprio patrimonio e nao com o dos outros.
        Se ha trabalhadores q acham q sao roubados quando produzem riqueza têm bom remédio. Porque não trabalham por conta propria? Estamos numa sociedade livre.

        • Têve piada quando escreve “se os trabalhadores acham que são roubados”… Não, não estamos numa sociedade livre, estamos numa sociedade parcialmente livre, se fosse livre, você seria obrigado a distribuir a riqueza de forma correcta, ao invés de pagar um ordenado abaixo do custo de vida. A pessoas desta notícia sairiam de bom agrado das casas, pois “teriam sido recompensadas financeiramente no seu trabalho ao invés da exploração que toda a vida foram sujeitos”. Só de pensar que se não houvesse OM, vocês nem 300 euros dariam, que monstros. É esse um dos problemas da sociedade, é as elites ainda terem um conceito de escravatura e não de colaboração a nível laboral, obviamente que isto estará sempre ligado à decência do ser humano.
          Imagine que amanhã o estado DIZ-LHE QUE FICARÁ COM 90% DO LUCRO DOS ARRENDAMENTOS, VENDA DE EDÍFICO OU LUCRO DE UM EMPRESA.
          Pois é, não é, agora seria a você que lhe fariam a mesma sacanisse a mesma indecência a mesma desigualdade e injustiça.
          Mas no seu caso sabemos que acharia correcto e no fim diria “EU QUE FOSSE UM GOVERNO, ESTAMOS NUMA SOCIEDADE LIVRE”.
          A QUESTÃO NÃO É TABALHAR-MOS POR CONTA PRÓPRIA É TERMOS RESPEITO E DECÊNCIA PELOS OUTROS, E ASSIM O PATRÃO CONTINUARIA A SER RICO MAS O FUNCIONÁRIO TAMBÉM, E TAMBÉM CONTINUA A TRABALHAR PARA O PATRÃO.
          A vida é só uma, não a use para estragar a vida dos outros. Você sozinho é nada, um carro mais caro, uma casa mais cara nunca o farão feliz.

          • Quer a riqueza distribuida de forma correcta. Ok, 80% dos restaurantes vao a falencia no 1º ano. Deve ser distribuida riqueza para cobrir os prejuizos de empresarios que metem o seu capital e os trabalhadores recebem mais do que o que produzem para o patrao? Só para perceber a sua prespectiva comunista da coisa. Ou isso só é injusto quando o empresário tem lucros? Quem nao gosta de patroes tem bom remédio. Trabalhe por conta propria. Não faz isso porquê?

  1. E as ações dos inquilinos nunca são divulgadas? Quartos subalugados ao dobro ou triplo da renda que pagam ao senhorio, obras sem consentimento, inundações, rendas não pagas. Depois admiram-se que os prédios caiam por falta de obras.

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