“Monarquia criminosa”. Parlamento declara Catalunha republicana e não reconhece o rei

Job Vermeulen / Parlament

O Parlamento catalão aprovou esta sexta-feira uma resolução na qual declara que “a Catalunha é republicana e, portanto, não reconhece nem quer ter um rei”, rotulando a monarquia de “criminosa”.

A resolução foi aprovada em sessão plenária extraordinária do Parlamento pelas três forças políticas independentistas (Juntos por Catalunha, Esquerda Republicana da Catalunha e Candidatura de Unidade Popular) e contou com os votos contra do Cidadãos, Partido Socialista da Catalunha e Partido do Povo da Catalunha.

O texto afirma que “a saga dos Bourbon tem sido uma calamidade histórica para a Catalunha” e acusa o rei emérito Juan Carlos de ter aceitado “a sucessão do general Franco, jurando fidelidade aos princípios do seu regime”, pelo que a monarquia espanhola é a continuação do regime anterior.

A resolução também denuncia a “fuga consentida do rei emérito Juan Carlos para escapar à ação da justiça” e fala de uma “monarquia criminosa”, de “sistema autonómico falido” e de “democracia intervencionada pelo poder judiciário”.

Juan Carlos comunicou na segunda-feira ao seu filho, rei Felipe VI, que decidiu deixar Espanha e escolher outro país para viver, perante a repercussão pública das investigações sobre os seus alegados fundos em paraísos fiscais.

Em nota à comunicação social, o rei emérito explica que enviou uma carta ao filho comunicando a decisão, que garante que tomou “com profundo sentimento, mas com grande serenidade”.

Juan Carlos diz que pretende facilitar o exercício das funções de Felipe VI, pelo que deixa de viver no Palácio da Zarzuela e sai de Espanha, perante “a repercussão pública” de “certos eventos do passado”.

Em junho, o Supremo Tribunal espanhol decidiu investigar as suspeitas de delito de corrupção do rei emérito na construção do comboio de alta velocidade entre Medina e Meca, na Arábia Saudita.

No ano passado, o antigo monarca, de 82 anos, também já tinha anunciado que iria deixar de exercer atividades institucionais e que iria abandonar a vida pública, cinco anos depois de ter abdicado da coroa em favor do filho.

Juan Carlos, que viveu em Portugal quando era jovem, foi o primeiro rei após a ditadura franquista e um artífice essencial na transição espanhola da ditadura para a democracia a partir de 1977.

ZAP // Lusa

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9 COMENTÁRIOS

  1. Apesar de ditatorialmente nomeado sucessor pelo caudilho, a quem teve de dobrar a cerviz em vida, Juan Carlos rapidamente se afirmou como um monarca dos novos tempos e foi uma figura essencial na vitória e consolidação do regime democrático em Espanha.
    No entanto, subsiste um problema de fundo: o carater multifacetado da Espanha, a natureza artificial da Espanha. Há pelo menos 2 Espanhas: uma monárquica, católica e conservadora; uma republicana, laica e cosmopolita. Esta clivagem acentuou-se com as feridas da Guerra Civil espanhola, ainda longe de cicatrizarem.
    O futuro da Espanha, como Estado unitário e monárquico, é incerto e dificilmente sobreviverá no século XXI.

    • Amigos españoles, qué pasa con la monarquía? Como tu sabes, España sólo consigue quedar con más que la Castilla histórica de Toledo, en ditadura ou por lo menos en ejercício no democrático de tratar los pueblos (en dicha democracia, sin aceptar referendos) y con monarquía de un estranjero que no pertenezca a ninguna de las regiones españolas. Con monarquía y antes de las condemnas políticas de dirigentes catalanes, el referendo catalano seria perdido y el asunto arrumado por décadas; pero ahora con eles encarcelados, el referendo seria  ganado con independencia de Cataluña; en república democratica a vontade dos povos domina: em democracia, um brexit nao poderia depender dos Estados da UE, pois só pode depender da vontade do próprio povo querer união ou sesessão. Sem a monarquia e em república não franquista ou sem outra solução autocrática, prevejo a Ibéria (Espanha romana), com um território de grande Estado, a velha Castilha (de Fernando pré-nupcial, com Leão, Extremadura, etc., Toledo mas agora também a nova Madrid), um Estado histórico (Portugal, o mais antigo Estado europe de fronteiras fixadas), dois Estados para-históricos (Sevilha berbere y englobando Gibralter que de anglisaxónico… nunca teve nada senão o inglês; e Catalunha dos Benisar e bourbons de Aragão e sul de Itália, do tempo de Isabel), País Vasco (um dia, anexante do seu território ocupado pela França), etc., mas devolvendo os territórios ocupados a Marrocos, como Portugal e Reino Unido fez à China com Macau e Hong Kong…

  2. A Monarquia é uma instituição humana e, como tal, falível. Tal como a República. A questão é saber qual das duas instituições falíveis pode mais facilamente servir o bem comum. Juan Carlos mostrou-se pouco ético e até corrupto, mas a sua acção como Rei claramente serviu o interesse de Espanha e dos espanhóis. Muito melhor do que a República que antecedeu a ditadura franquista. Com todos os riscos que podem estar-lhe associados, julgo que a Monarquia é menos má do que a República, embora possa haver Presidentes de República melhores do que alguns Reis. Nos países que têm a sorte de ser Monarquias, a prudência mandaria que esse regime fosse protegido porque a alternativa pode ser muito pior. Portugal, apesar de alguns bons Presidentes, é um óptimo exemplo disso.

    • Discordo totalmente do que diz. Numa monarquia a inviolabilidade do rei faz com que possa existir alguem com impunidade vitalicia. Ainda por cima sem que se entenda por que motivo que não seja hereditário.
      Se o rei, à luz do preceituado da Constituição Espanhola (e que não é muito diferente de outros píses monárquicos) cometer um crime, este é impune e as vitimas do mesmo nunca poderão ter justiça e, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal, mesmo depois de ter abdicado só podem ser julgados os crimes cometidos após deixar de ser chefe de estado.
      Numa república a imunidade só existe para o Presidente durante o seu mandato, cessando com ele e permitindo a investigação dos crimes cometidos durante que não relevem estritamente das funções que desempenhava. Donde nunca se poderia considerar como mais adequado um regime que isenta alguem da justiça e nega às vitimas o direito ao acesso a essa justiça.
      É óbvio que desta leitura nunca se poderia considerar uma monarquia superior a uma república em nenhum aspecto.

  3. A situação no meu entender é grave e mais grave ainda quando este monarca opta pela escolha de um local de alto luxo que quanto a mim, é extremamente provocatório para todos os espanhóis ou não e quer sejam monárquicos ou republicanos, possivelmente até irá viver à grande e de borla, mas aqui também denunciará alguma cumplicidade entre ele e os governantes do país de acolho, tudo isto é vergonhoso demais para ser realidade e afetará a credibilidade da monarquia espanhola.

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