Moluscos revelam erros nos cálculos da árvore evolutiva

Ao examinar moluscos fossilizados, uma equipa de investigadores descobriu que um protocolo normalmente usado esconde o verdadeiro alcance de como as espécies vivem e morrem durante grandes extinções.

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Os cientistas pensavam que os moluscos em questão teriam origem antes da extinção Permo-Triássica, há 250 milhões de anos. No entanto, numa análise melhorada, concluiu que tiveram origem após a extinção.

Os investigadores avaliaram centenas de espécies fósseis de moluscos para reconstruir uma árvore evolutiva ao longo de centenas de milhões de anos, explica o portal Europa Press.

A análise revelou que uma suposição feita na maioria dos modelos pode distorcer o quadro evolutivo, fazendo com que a escala de recuperação de uma extinção em massa seja distorcida em até 400%.

Em causa está a ideia de que quando uma nova espécie é criada, a linhagem divide-se em duas novas espécies, fazendo com que a espécie original se extinga. No entanto, é possível que, às vezes, uma nova linhagem “brote” de uma linhagem já existente.

“Dependendo das suposições que coloque no modelo, pode acabar com duas imagens totalmente diferentes”, disse David Jablonski, autor principal do artigo, em comunicado divulgado pela Universidade de Chicago.

A equipa de cientistas desenvolveu um quadro abrangente para todos os bivalves, cobrindo as 97 famílias principais e 525 milhões de anos. Depois, fez os cálculos usando a suposição da “bifurcação” das linhagens e outros cálculos com a teoria do “brotamento” de uma nova linhagem.

Foi aqui que encontraram uma grande diferença. “Pode pensar que uma decisão simples não tenha um efeito tão grande”, disse Jablonski. “Mas acontece que, se forçar essa suposição nos dados, perderá parte do quadro geral”.

A teoria da “bifurcação” faz com que novas linhagens supostamente tenham surgido mais cedo do que na realidade.

Por exemplo, o método da “bifurcação” sugere que sete linhagens principais surgiram após a extinção no final do Mesozoico. Mas o registo fóssil diz que foram 28.

“As extinções em massa são incrivelmente influentes na formação da biodiversidade. Obtemos linhagens que são completamente eliminadas e outras inteiramente novas que emergem em resposta. Elas são um fator importante na evolução”, disse Jablonski.

O estudo foi publicado, na semana passada, na revista científica Proceedings of the Royal Society B.

  ZAP //

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