Cientistas encontraram a “Millennium Falcon dos mares”

A criatura marinha com 500 milhões de anos, encontrada no Folhelho Burgess, nas Montanhas Rochosas Canadianas, tem semelhanças com a famosa nave da Guerra das Estrelas.

Trata-se de uma criatura marinha carnívora, que usava as suas garras como um ancinho para apanhar as suas presas e que estava protegida por uma enorme concha com pontas afiadas.

“O corpo é um bocadinho ridículo. Tem uma cabeça gigantesca, com uma concha gigantesca e minúsculas barbatanas por baixo. Portanto, há alguma coisa que parece disfuncional na sua capacidade de nadar de forma eficiente”, afirma o co-investigador do estudo Jean-Bernard Caron, curador de paleontologia de invertebrados no Royal Ontario Museum, no Canadá, citado pelo Live Science.

Os investigadores batizaram esta criatura com 506 milhões de anos de Cambroraster falcatus. O nome que identifica o género – Cambroraster – faz referência ao período Cambriano e à palavra em latim “rastrum”, que significa “ancinho”. O nome da espécie – falcatus – é uma homenagem à Millennium Falcon, mítica nave da Guerra das Estrelas.

Caron e a restante equipa encontraram os fósseis do C. falcatus pela primeira vez em 2012, durante uma escavação no Folhelho Burgess, nas Montanhas Rochosas Canadianas, um local famoso pelos tesouros de fósseis cambrianos.

Jean-Bernard Caron / Royal Ontario Museum

Cambroraster falcatus

Porém, foi apenas em 2018 que encontraram um local com muitos destes “animais nave”, assim apelidados pelos paleontólogos. O grande grupo indicou que “não eram predadores isolados”, mas sim que “viviam em grandes grupos”, explica Caron.

O agora extinto C. falcatus era um tipo de artrópode primitivo conhecido como radiodonte, um parente distante das aranhas, crustáceos e insetos modernos. Dos 140 espécimes descobertos pelos paleontólogos, a maioria em idade adulta era do tamanho da mão de uma pessoa, embora o maior tenha medido cerca de 30 centímetros de comprimento.

“Este tamanho devia ser ainda mais impressionante na altura em que foi vivo, uma vez que a maioria dos animais durante o período Cambriano eram mais pequenos do que o nosso mindinho”, declara Joe Moysiuk, estudante de doutoramento em ecologia e biologia evolutiva na Universidade de Toronto, que tem a sua sede no Royal Ontario Museum.

De acordo com Caron e Moysiuk, este animal usou provavelmente as suas garras em forma de ancinho para para peneirar os sedimentos do fundo do mar. Também é possível que tenha usado a carapaça para atravessar a lama e descobrir alimento.

O estudo foi publicado, esta quarta-feira, na revista Proceedings of the Royal Society B.

ZAP //

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