Migrantes intercetados no Algarve apagaram rasto da rota para a Europa

GNR

Migrantes marroquinos intercetados pela GNR no Algarve.

Os migrantes que desembarcaram esta semana no Algarve atiraram ao mar os telemóveis e os documentos de modo a apagarem o rasto para a Europa.

Um grupo de 21 migrantes foi esta terça-feira intercetado pela GNR na praia da Ilha do Farol, em Faro. A embarcação utilizada por este grupo já se encontrava na areia quando as autoridades chegaram ao local e os migrantes estavam nas imediações da praia.

O Correio da Manhã escreve, esta quinta-feira, que os migrantes atiraram ao mar os telemóveis e os documentos antes de chegarem à praia. O objetivo seria apagar o rasto da nova rota usada pelos migrantes ilegais do Norte de África para chegarem à Europa.



“Quando estavam quase a chegar ao areal, começaram a atirar os telemóveis e as carteiras para dentro de água. A GNR só chegou depois de ligarem para eles, quando os migrantes já estavam sentados a comer sopa e pão num restaurante da ilha”, contou uma testemunha ao CM.

Na quinta-feira, os migrantes “vão ser entregues” ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), que “seguirá com as demais diligências”, explicou o comandante do  Destacamento de Controlo Costeiro de Olhão, capitão Nuno Marinho.

A diretora nacional do SEF afirmou esta quarta-feira que é “inegável” a sucessão de desembarques de migrantes marroquinos na costa algarvia, mas considerou “prematuro” falar da existência de uma rota de imigração ilegal.

“Passado este tempo [desde o primeiro desembarque, em dezembro] é inquestionável e é inegável que houve uma sucessão muito próxima no tempo de desembarques inesperados e que têm muitas semelhanças todos entre eles”, disse Cristina Gatões.

No entanto, segundo aquela responsável, que falava aos jornalistas junto à Câmara de Olhão, distrito de Faro, dizer se existe uma rota ou uma rede de imigração ilegal “é ainda prematuro”, mesmo tendo este último desembarque sido o quinto num espaço de oito meses.

“Ainda há investigações que estão em curso, há avaliações que têm de ser feitas. Ainda não temos informação suficiente sobre este último desembarque para podermos afirmar se há uma rota, se há uma rede”, apontou.

Questionada pelos jornalistas se não foi um erro conceder estatuto de refugiado aos primeiros migrantes que desembarcaram no Algarve, Cristina Gatões frisou que, “desta vez, nenhum deles requereu [esse estatuto] no momento de chegada”.

“Isso seria presumir que o estatuto de proteção internacional ou do asilo é um erro”, sublinhou, notando que o pedido de proteção internacional pode ser feito por qualquer cidadão logo que entra em território nacional, ou mais tarde, e que o Estado português está obrigado a avaliar esses pedidos.

Para a diretora nacional do SEF, é necessário que haja cada vez mais “um envolvimento das várias entidades, nacionais e não só”, já que “não há nenhum problema de imigração que possa ser resolvido apenas por um Estado”.

Segundo Cristina Gatões, tem havido, nesta matéria, um “diálogo muito franco e aberto” entre as autoridades portuguesas e marroquinas, que também “estão interessadas em que a situação seja resolvida”.

Questionada sobre o facto de nenhum dos migrantes que desembarcaram no Algarve ter sido já restituído ao seu país de origem, aquela responsável frisou que isso só pode acontecer quando estes estiverem documentados.

“Ainda que já estivessem documentados, não há aviões para os levar”, notou, referindo-se às interdições no espaço aéreo de vários países causada pela pandemia de covid-19, acrescentando que só podem ser restituídos aos seus países quando estiverem “devidamente identificados”.

Segundo a RTP, o Governo português revelou que está a trabalhar num acordo de migração legal com Marrocos para restituir estes migrantes ao seu país de origem.

A diretora nacional do SEF defendeu, ainda, ser necessário “aumentar e intensificar a cooperação policial” entre as autoridades portuguesas e marroquinas, não apenas no que se refere à atuação daquele serviço, mas também de outras autoridades policiais.

O Algarve tem sido procurado por migrantes ilegais como porta de entrada para a Europa, tendência que se tem acentuado no últimos meses. Desde dezembro, já foram intercetados 69 migrantes oriundos do norte de África na região.

  ZAP // Lusa

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