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“A idade não é um critério”. Há menos idosos e cada vez mais jovens nos cuidados intensivos

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Caroline Blumberg / EPA

O perfil dos doentes internados em unidades de cuidados intensivos está a mudar: há menos idosos e mais jovens em grave situação de saúde.

Se em novembro do ano passado a percentagem de doentes com mais de 80 anos era de 8,3%, agora, no final de janeiro, era de apenas 2,3% do total de pacientes internados em unidades de cuidados intensivos. Especialistas ouvidos pelo jornal Público avisam que este é um fenómeno que é preciso ser estudado.

Os idosos continuam a representar o grupo mais volumoso se tivermos em consideração todos os internamentos hospitalares. Contudo, a percentagem de pacientes mais jovens está a aumentar em todas as faixas etárias.

No dia 31 de janeiro, 2,77% do total de pacientes em cuidados intensivos tinham entre 30 e 39 anos; 9,1% tinham entre 40 e 49 anos; cerca de um quinto tinha entre 50 e 59 anos; um terço tinha entre os 60 e os 69 anos; e 27,6% tinham entre os 70 e os 79 anos.

A 31 de janeiro, havia, em todo o país, registo de dois internamentos em cuidados intensivos, dos 0 aos 19 anos.

“Se há mais crianças infetadas, há, mas há na população em geral, houve um aumento global, porque aumentou a circulação do vírus. As idades que apanhavam menos apanham mais. Se é mais grave a doença, não. Se há mais número de doentes com critérios de gravidade, sim. Porque aumentou o número absoluto”, explica Gonçalo Cordeiro Ferreira, diretor da área de pediatria do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central.

“Com a densificação da pandemia e o número crescente de novos casos e de casos ativos nas diversas faixas etárias, a taxa de incidência em idades mais jovens, como entre os 40 e os 50 anos e os 50 e 60 anos, aumentou muito“, diz, por sua vez, João Ferreira Ribeiro, diretor do serviço de Medicina Intensiva do Hospital de Santa Maria.

“São doentes que estão a procurar os cuidados de saúde e preenchem os critérios [de admissão em cuidados intensivos]”, acrescenta.

Outra explicação possível é que eles podem refletir “uma rutura do sistema [de saúde] e uma limitação da capacidade de acesso”.

Embora afaste a ideia que estamos numa situação de catástrofe, admite que estamos num cenário de rutura: “Se o Governo está a pedir ajuda internacional, então não estamos em rutura?”.

O presidente do colégio da especialidade de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos, José Artur Paiva, diz que é preciso “desmistificar a ideia” de que os casos graves de covid-19 só ocorrem em pessoas idosas ou frágeis.

“Estas novas variantes têm incidência maior nos mais jovens, isso dá um shifting [deslocação] para aquele lado, outra coisa pode ser, eventualmente, a redução do acesso”, explica, acrescentado que este vai ser um “trimestre de purgatório” nas unidades de cuidados intensivos.

O diretor do serviço de Medicina Intensiva do Hospital de São João salienta que “a idade não é um critério” para internar em unidades de cuidados intensivos: “Isto não tem a ver com a idade. Há pessoas que têm 80 anos e que têm uma capacidade muito grande de recuperar”.

Atualmente, o número de pacientes infetados em estado crítico, internados em unidades de cuidados intensivos, já ultrapassa os 850. José Artur Paiva defende que ainda é possível abrir mais camas em todo o país e chegar até às 1.500, para todas as patologias.

  Daniel Costa, ZAP //

14 Comments

  1. Agora com a chegada dos Médicos e Enfermeiros alemães, espero que os nossos Senhores Doutores e Enfermeiros aproveitem para aprender alguma coisa, a serem mais humanos, a mais trabalho e menos conversa, a Humanismo, á União de esforços sem regatear ou comentar, obstruir com quem está á frente do Leme a pilotar contra uma pandemia inimiga que ninguém conhece

  2. “Contudo, a percentagem de pacientes mais jovens está a aumentar em todas as faixas etárias.”

    Mais jovens por faixa etária?

  3. Este país não é para velhos… é apenas para artistas reles que não se coibem de interpretar a lei da vacinação à luz do seu diminuto intelecto, obviamente a seu favor e em detrimento de isodos, profissionais de saúde…
    Se passar por algum desses artistas na rua vou insultá-lo e questioná-lo alto e bom som acerca da postura que teve. Faço questão de o fazer. Monto uma peixeirada que esse sr(a). reles não vai saber onde se meter.
    Proponho que todos façam o mesmo. É altura de pedirmos justificações aos “patrões” do país e de lhes mostrar que quem manda somos nós e que apenas delegámos neles temporariamente a gestão da coisa pública.
    Lembrem-se quando há uns anos atrás um cidadão exemplar confrontou à entrada do tribunal o Vara com aquilo que ele tinha feito. Ou um empresário quando há muitos anos atrás fez o mesmo ao Sócrates. Acho que está na altura de todos fazermos isso.
    E quanto aos chico-espertos da vacinação há pelo menos 3 casos bem próximos de mim. Quando me cruzar com eles, e irei cruzar, até pondero gravar para disponibilizar no youtube. Basta de CHICO-ESPERTISMO!

  4. “Eles podem refletir uma rutura do sistema de saúde e uma limitação da capacidade de acesso”.
    Digam isso de outra forma: os medicos estão a fazer uma selecção dos doentes pela idade e os mais velhos deixaram de ter acesso aos cuidados intensivos.

  5. e que tal se analisarmos assim:
    a época começa em Novembro e termina lá para Março/Abril.
    e calha a todos, mas ataca mais os de idades mais avançadas.
    quer dizer que em Novembro os acima dos 80 anos mais frágeis estão uma semana nos UCI e logo falecem.
    Ficando lá os de menor idade e com maior resistência.
    É por isso, muito normal que a percentagem dos de entre 49 e 69 em Uci e internamento tenha tendência a aumentar porque são os que por lá se vão aguentando.
    Os mais velhos entram mas logo saem para a contagem dos Mortos.
    Por isso que com o passar da pandemia tenda a aumentar um numero e a diminuir o outro.

  6. Grande parte dos jovens têm andado a desafiar o vírus como o forcado desafia o touro, começam a ter o proveito da sua intolerância e insensatez, pior são as vítimas inocentes a pagar por tais abusos!

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