Memória do gelo do Monte Branco vai ser guardada na Antártida

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Monte Branco, Chamonix

Monte Branco, Chamonix

Uma equipa de investigadores vai tentar armazenar amostras do glaciar do Monte Branco na Antártida para preservar o gelo da montanha mais alta dos Alpes da ameaça do aquecimento global.

“Não é pelo prazer de armazenar cubos de gelo. O gelo é um poço de informação“, explicou à agência France Press Jerôme Chappelaz, diretor de investigação no Laboratório de Glaciologia e Geofísica do Ambiente (LGGE) em Grenoble, sudeste de França.

Uma equipa de dez glaciólogos franceses, italianos e russos vai passar vários dias em agosto a 4.300 metros de altitude no maciço dos Alpes franco-italianos a perfurar três núcleos de gelo com 140 metros de comprimento.

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A base franco-italiana Concordia, na Antártida

A base franco-italiana Concordia, na Antártida

Amostras de várias toneladas serão depois acondicionadas em caixas próprias e uma delas será analisada no laboratório de Grenoble, onde será criada uma base de dados aberta à comunidade científica. Os outros dois núcleos serão depositados na base franco-italiana Concordia, na Antártida, em 2019 ou 2020.

Está prevista para a primavera de 2017 uma segunda operação semelhante de recolha de núcleos de gelo no glaciar de Illimani, a 6.300 metros de altitude, na Bolívia, em condições bastante mais difíceis.

Formados pelo efeito das chuvas de neve, os glaciares emprisionam nas suas profundidades pequenas bolhas de ar e impurezas, que são testemunhos ricos da atmosfera de há varias dezenas de milhares de anos.

Foi através do seu estudo que os glaciólogos conseguiram estabelecer a ligação entre a temperatura e os gases com efeito de estufa.

Os glaciares do Monte Branco oferecem aos investigadores a possibilidade de estudarem a evolução da poluição ou dos efeitos da atividade industrial no ambiente na Europa nos últimos séculos.

Por exemplo, ilustra Jerôme Chappelaz, “temos um belo pico de césio 137 em abril de 1986”, depois da catástrofe da central nuclear de Chernobyl.

Corrida contra o tempo

Com o avanço tão rápido da tecnologia, “não temos como prever o que poderemos fazer a nível científico em 50 ou 100 anos”, sublinha.

“O que é que poderemos medir? Que informação relacionada com o ambiente, clima ou biologia poderemos obter?”, questiona o cientista, que cita nomeadamente os estudos sobre mutações de vírus ou bactérias presos no gelo.

Esta é, no entanto, uma corrida contra o tempo, já que os glaciares estão a dissolver-se rapidamente.

Os que estão a menos de 3.500 nos Alpes deverão desaparecer antes do fim do século. Nos Andes, o glaciar de Chacaltaya, na Bolívia, que culminava a 5.300 metros, desapareceu em 2009.

“Este ano houve derretimento a seis mil metros no Glaciar de Illimani com o fenómeno do El Niño”, sublinhou Patrick Ginot, investigador no projeto.

Ou seja, dentro de 50 anos “teremos seguramente os meios para analisar, mas talvez já não tenhamos os núcleos de gelo para o fazer”, remata Jerôme Chappellaz.

Além do Monte Branco, os glaciólogos preveem levar a cabo duas dezenas de recolhas de amostras de gelo de glaciares em todo o mundo nos próximos dez anos.

O conjunto destas amostras será igualmente guardado numa cave de neve em Concordia, na Antártida, um “congelador natural a -50ºC”, ao abrigo de avarias elétricas ou de eventuais atentados.

O projeto é apoiado pela Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

ZAP / Lusa

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