Médicos ucranianos poderão trabalhar já, mesmo sem falarem português. Venezuelanos não percebem

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Ordem dos Médicos apresenta sugestão excepcional e inédita. Associação de venezuelanos em Portugal contesta a decisão.

Entre os milhares de pessoas refugiadas que já estão a chegar a Portugal, provenientes da Ucrânia, estarão vários médicos – que poderão começar a trabalhar em instituições portuguesas, mesmo que não saibam falar português.

Na quarta-feira passada, em Conselho de Ministros, ficou decidido que iriam ser reconhecidas as qualificações profissionais dos refugiados, para que “possam exercer a sua atividade profissional com celeridade, permitindo-lhes assim assegurar a sua subsistência”.

Esse decreto-lei aplica-se a “profissões regulamentadas cuja autoridade competente para o reconhecimento de qualificações seja um serviço ou entidade da administração direta ou indireta do Estado ou uma entidade administrativa independente, estando excluídas as profissões exercidas no âmbito da operação, gestão ou manutenção de infraestruturas críticas e as que impliquem sério risco para a segurança dos respetivos destinatários”.

Nesta segunda-feira o bastonário da Ordem dos Médicos, confirmou à rádio TSF que os médicos provenientes da Ucrânia podem passar já ao activo, enquanto “vão aprendendo português”.

“Podem tratar de análises, de raio-x… Podem começar. Vão começando, vão entrando. É como qualquer médico que entra no sistema. Não vai entrar e começar logo a fazer tudo”, explicou Miguel Guimarães.

É essa a intenção da Ordem dos Médicos mas esta medida inédita e excepcional ainda não é uma certeza porque vai haver diálogo com o Governo.

Venezuelanos não podem exercer

Os venezuelanos em Portugal não compreendem esta sugestão. A associação Venexos queixa-se: “A lei não pode ser de uma forma para uns e de outra forma para outros”.

Para poderem trabalhar no sector em Portugal, os venezuelanos precisam de realizar exames em faculdade e na Ordem dos Médicos (além de terem de falar português fluente), num processo burocrático arrastado.

Christian Höhn, presidente da Venexos, lembra que há médicos venezuelanos em Portugal que ainda não têm autorização para exercer medicina em solo luso.

“É certo que a Ucrânia está a passar por uma guerra, não dizemos o contrário. Mas a Venezuela quase passou por uma guerra civil, teve problemas económicos muito graves e, quando a pandemia chegou a Portugal, foram precisos muitos médicos e muitos auxiliares – e os venezuelanos profissionais de saúde estavam a trabalhar na Uber ou nas obras”, descreveu Christian, que lembrou que muitos desses profissionais venezuelanos mudaram-se para a Galiza, nos últimos dois anos.

Além disso, o responsável não percebe onde estarão os “benefícios” de colocar médicos a trabalhar em Portugal que não falam a língua portuguesa: “Espanhol ainda seria parecido. A maioria dos médicos venezuelanos fala um português interessante, correcto; mas continuamos à espera”.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

9 Comments

  1. Ainda bem!!!!
    Que venham por favor!!!! Talvez assim se acabe com a arrogância e prepotência de muitos funcionários de saúde, que acham que estão a fazer um “favor” em “tratar” os utentes!!! Talvez assim finalmente teremos uma medicina à altura dos elevados impostos que pagamos e que infelizmente somos muito mal servidos.

  2. Pois eu pessoalmente não tenho grande interesse em ser atendido num hospital por um sul americano ou Africano. Os europeus menos mal. Portugueses, talvez se formassem mais em vez de manter o lobby. A concorrência sempre fez bem em todos os trabalhos, não sei porque este tem de ser excepção.

    • Racismo ou descrença? Todos são reconhecidos pela OM. Mas no privados podes escolher o médico, a sua raça, a nacionalidade, o continente de origem e outros “atributos”. Depois pagas e tá tudo bem.

  3. Os Ucranianos irão apreendendo com vontade de certeza, conhecemos muitos esforçam-se e são humildes, os Venezuelanos como afirmam, nem são portugueses vêm para cá fazer do nosso Portugalex uma Venezuela, uma língua tão parecida e nem se esforçam um pouco para falar melhor, é puro Espanhol, prefiro Europeus.

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