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Médico que lidera luta contra o Ébola na Serra Leoa contrai o vírus

usarmyafrica / Flickr

O médico que liderava a luta contra o Ébola na Serra Leoa foi infectado pelo vírus da doença e está internado num hospital em Kailahun, epicentro do surto, no leste do país.

Segundo uma declaração da presidência do país, o virologista de 39 anos Sheik Umar Khan foi transferido para uma enfermaria especial da organização não governamental Médicos Sem Fronteiras.

Khan já teria tratado mais de cem vítimas da doença no país.

A presidência da Serra Leoa informou que Miatta Kargbo, ministra da Saúde, se emocionou quando soube da notícia.

De acordo com a agência Reuters, a ministra apelidou Khan de herói nacional e afirmou que fará “qualquer coisa e tudo em meu poder para garantir que ele sobreviva”.

Greve

Os casos de Ébola na Serra Leoa estão concentrados nos distritos de Kailahun e de Kenema, também no leste.

Segundo Umaru Fofana, correspondente da BBC na capital, Freetown, dezenas de enfermeiras do hospital público da cidade de Kenema, que trata todos os casos da doença do distrito, entraram em greve na segunda-feira depois da morte de três colegas, em casos suspeitos de Ébola.

A greve, contudo, foi suspensa depois do governo analisar as reivindicações das enfermeiras, que exigiam a transferência da enfermaria para tratamento dos doentes com Ébola para outro hospital e que os Médicos Sem Fronteiras assumam as operações nesta enfermaria.

No último sábado a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que entre 632 casos de Ébola que até então haviam resultado em mortes na África, 206 aconteceram na Serra Leoa.

No total, o país registou 442 casos da doença.

Na vizinha Guiné, foram 410 casos e 310 mortes. A Libéria registou 196 casos e 116 mortes.

Pior surto

Este está já a ser considerado o pior surto de Ébola conhecido.

O vírus mata cerca de 90% das pessoas infectadas, e o contágio acontece por contato direto com fluidos corporais, como sangue e secreções, de uma pessoa infectada. Não há vacina ou cura para a doença.

Contudo, se os pacientes receberem o tratamento logo no início da doença, têm mais hipóteses de sobrevivência.

Os sintomas iniciais incluem fraqueza, dores musculares, dores de cabeça e de garganta, vermelhidão nos olhos. Posteriormente ocorrem vómitos, diarreia, coceiras e, em alguns casos, sangramentos.

O período de incubação do vírus do Ébola varia entre dois e 21 dias, segundo a OMS.

ZAP / BBC

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