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Medicamentos para pressão arterial podem proteger a memória

Os idosos que tomam determinados medicamentos para pressão arterial podem reter durante mais tempo as suas habilidades associadas à memória, sugere um novo estudo norte-americano.

Neste novo estudo, publicado na Hypertension, os investigadores descobriram que a toma de certos inibidores da ECA e bloqueadores do recetor da angiotensina II (ARBs), duas das principais classes de medicamentos para pressão arterial, que penetram no cérebro, podem impedir a entrada de substâncias tóxicas no cérebro.

Dos 12.900 pacientes analisados, os que tomaram medicamentos que penetram no cérebro demonstraram menos perda de memória em três anos, em comparação com aqueles que tomaram remédios que não cruzam a barreira hematoencefálica – estrutura que protege o sistema nervoso central de substâncias tóxicas presentes no sangue.

A hipertensão é considerada um fator de risco para a demência, existindo evidências sobre a redução do risco de comprometimento cognitivo através do controle rígido da pressão arterial, permitindo diminuir o declínio nas habilidades de memória e raciocínio à medida que as pessoas envelhecem.

De acordo com o investigador Daniel Nation, professor do Instituto para Deficiências de Memória e Distúrbios Neurológicos da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos (EUA), esta descoberta sugere que os medicamentos que penetram no cérebro podem trazer um “benefício adicional”, além da redução da pressão arterial.

“Acho que esse efeito é independente do controle da pressão arterial”, disse Nation. Os inibidores da ECA e os ARBs atuam no sistema renina-angiotensina do corpo, fundamental na regulação da pressão arterial. Mas o cérebro, explicou, tem seu próprio sistema renina-angiotensina, separado do corpo.

A equipa reuniu dados de 14 estudos com idosos, geralmente na faixa dos 60 ou 70 anos, que tomavam inibidores para hipertensão, alguns desses capazes de cruzar a barreira hematoencefálica. O que ainda não foi comprovado, apontou Daniel Nation, é se esses medicamentos reduzem o risco de demência.

O grupo apontou, no entanto, que embora esses pacientes se tenham saído melhor nos testes de memória, tiveram resultados piores relativamente à atenção. Este capacidade, porém, pode ser influenciado pelo stress e pelo humor.

  Taísa Pagno //

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