Combinação de dois medicamentos mata células ósseas cancerígenas à fome

Uma combinação de dois medicamentos que retira às células cancerígenas a energia, da qual precisam para crescer, pode oferecer uma melhor alternativa a um medicamento usado atualmente na quimioterapia.

O metotrexato é comummente administrado em altas doses para tratar o osteossarcoma, um cancro ósseo. Esse tratamento inclui cirurgia, radiação e um cocktail de medicamentos de quimioterapia que pode causar danos no fígado e nos rins, escreve o Futurity.

“Estamos interessados em desenvolver terapias que matem as células cancerígenas sem prejudicar as células saudáveis, potencialmente evitando os efeitos colaterais, às vezes graves, da quimioterapia tradicional”, disse o autor principal Brian Van Tine, professor de Medicina da Universidade de Washington.

“Em grandes doses, o metotrexato pode levar à insuficiência hepática e à necessidade de diálise renal. Gostaríamos de nos livrar do metotrexato neste regime e substituí-lo por uma terapia metabólica direcionada que encurtaria o tratamento, reduziria os efeitos colaterais e potencialmente eliminaria a necessidade de múltiplas hospitalizações”, acrescentou.

Os investigadores estudaram um medicamento chamado NCT-503, que impede que as células cancerígenas produzam o aminoácido serina, uma fonte de energia que alimenta o crescimento do cancro. Os resultados do estudo foram publicados, em janeiro, na revista científica Cell Reports.

Quando tratadas com este medicamento, as células cancerígenas rapidamente procuram outra fonte de energia. Como tal, os cientistas adicionaram outro medicamento à equação, perhexilina, que bloqueia esta habilidade das células cancerígenas.

Com a mistura destes dois medicamentos, administrados em ratos, os autores repararam que as células morriam à fome.

Nos ratos com osteossarcoma que receberam apenas um dos medicamentos, os tumores cresceram quase 800% em menos de um mês. Por outro lado, ratos administrados com os dois medicamentos viram os seus tumores crescerem apenas 75% num mês.

“Ainda estamos a trabalhar para otimizar estes tratamentos com medicamentos, mas esperamos poder levar estas descobertas para um ensaio clínico“, disse o coautor Brian Van Tine. “O objetivo final é transformar o tratamento, perseguindo as propriedades metabólicas inerentes ao osteossarcoma e afastando-nos dos medicamentos clássicos que danificam todo o corpo”.

Daniel Costa Daniel Costa, ZAP //

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2 COMENTÁRIOS

  1. Pois é, mais uma vez os ratos. Neste caso como noutros as experiências feitas nestes pequenos mamíferos, dão, normalmente, resultados muito promissores, mas quando se passa para o ser humano, normalmente vem a desilusão completa.

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