Max Parrot: “Se recuasse dois anos, escolheria ter cancro novamente”

Uma batalha contra o linfoma de Hodgkin mudou a perspetiva do atleta olímpico do Canadá, que até agradece as dificuldades que atravessou.

Maxence Parrot, ou Max Parrot, é um canadiano especialista no snowboard, que conquistou uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Pyeongchang, em 2018, na especialidade de slopestyle. No entanto, a sua prioridade nos últimos tempos foi outra: linfoma de Hodgkin.

O cancro foi descoberto em dezembro de 2018 e mudou a postura do atleta: “Desde que lutei contra o cancro, senti que há tanta coisa que parece ser importante mas que, afinal, não é assim tão importante, quando pensamos bem nisso. Mas damos tanta atenção a essas coisas e colocamos pressão em nós próprios por causa de tanta coisa”.

“Sempre fui aquele tipo de pessoa que está sempre a pensar no futuro, com antecipação de meses, sempre a pensar no que aí vem – e nunca vivi verdadeiramente o presente. Por isso, no ano passado aprendi a viver o momento e percebi que não estaremos cá para sempre. Por vezes agimos como se fôssemos imortais, como se nunca fôssemos morrer, mas não é isso que vai acontecer”, avisou.

Num mês vence o cancro, no mês seguinte ganha uma prova

Em entrevista ao canal oficial dos Jogos Olímpicos, Parrot explicou o que o motivou mais durante os seis meses de quimioterapia a que foi sujeito, durante o primeiro semestre de 2019: “Voltar à neve foi a minha real motivação para lutar contra a doença. E fiquei mesmo feliz por voltar à prancha, por voltar à competição, e estava a competir muito bem”.

O canadiano estava realmente bem, em forma: no início de julho de 2019, anunciou que o linfoma de Hodgkin tinha ficado para atrás e, logo no mês seguinte, venceu uma prova dos X Games, na Noruega. Há uma justificação: “Acho que uma das razões que originaram esse bom desempenho é que eu estive como um leão numa jaula durante todo aquele tempo que passei no hospital e queria mesmo voltar ao snowboard; por isso, quando derrotei o cancro, foi como se tivessem aberto a jaula e fui logo direto para os treinos, treinei muito e estava mesmo feliz por voltar à neve”.

Escolher ter cancro

O atleta tinha somente três anos quando começou a esquiar e cruzou-se com o snowboard pela primeira vez quando tinha 10 anos. “Quando eu tinha 14 ou 15 anos, o meu grande sonho era tornar-me um profissional no snowboard, viajar pelo mundo e participar em algumas competições. Superei muito esse meu sonho. E isso deixa-me mesmo orgulhoso de mim próprio porque, a partir do momento em que chegas lá, todas as outras pessoas sabem o que é preciso para chegar lá”, contou.

“Todos os anos tenho que ultrapassar limites, tenho que descobrir novas manobras que mais ninguém faz, e isso é mesmo mesmo difícil, duro. Não é que queira mais medalhas, não é só isso; é que eu adoro superar os limites, adoro estar na prancha, descobrir novos caminhos, em dia de competição adoro mostrar a todos o percurso no qual tenho trabalhado”, revelou o multicampeão dos X Games.

E Max Parrot deixou uma confissão curiosa: “Se eu pudesse recuar dois anos e se pudesse escolher não ter cancro e viver uma vida normal, eu não escolheria isso. De certa forma, agradeço o que aconteceu porque sou uma pessoa totalmente diferente e amo mesmo a pessoa em que me estou a tornar e a pessoa que serei. E, no fim de contas, estou grato por tudo que me aconteceu.”

Um “problema” no Canadá

Aos 26 anos, o vice-campeão olímpico prepara-se para uma temporada “esquisita”, por causa do coronavírus, mas garante que não corre risco elevado por ter passado pelo que passou: “Todos queremos que a covid vá embora. Estou muito saudável. O meu sistema imunitário voltou a funcionar em pleno desde que realizei os tratamentos, no último ano e meio. Sou uma pessoa normal, não estou nos grupos de risco. Sinto-me com sorte, estou pronto para a próxima temporada – que é definitivamente importante, porque é ano de qualificação para os Jogos Olímpicos 2022″.

Sobre essa qualificação olímpica, para a prova que está marcada para fevereiro de 2022, Parrot vê um “problema” no Canadá: a existência de “seis ou sete” concorrentes muito bons no snowboard, quando só há lugar para quatro representantes do Canadá, nos Jogos Olímpicos: “Todos merecemos o nosso lugar nos Jogos Olímpicos mas só podem ir quatro. Para nós, canadianos, o próximo ano vai ser essencialmente para competirmos uns contra os outros, para ver quem vai aos Jogos Olímpicos”.

Nuno Teixeira NMT, ZAP //

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