“Achei avisado fazer este aviso.” Matos Fernandes insiste que carros a gasóleo vão acabar

António Cotrim / Lusa

O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes

João Pedro Matos Fernandes voltou a afirmar que os carros a gasóleo vão valer menos dentro de quatro a cinco anos.

Depois da polémica sobre as afirmações do fim-de-semana, em entrevista à Antena 1 e ao Jornal de Negócios, o ministro do Ambiente reafirmou, esta quarta-feira, que os carros a gasóleo vão perder valor dentro de quatro a cinco anos.

Além disso, Matos Fernandes acrescentou que lhe pareceu “avisado fazer este aviso”, porque na origem desta questão está a mudança em torno dos motores de combustão interna., adianta o Dinheiro Vivo.

“Aquilo que eu quis dizer não foi contrariado por ninguém. Muito provavelmente, daqui a quatro ou cinco anos, quem tiver um carro a diesel vai ter um valor mais baixo na sua troca”, sublinhou João Pedro Matos Fernandes.

Por sua vez, ao “Negócios da Semana”, da SIC Notícias, o ministro do Ambiente deixou claro que “não podemos voltar as costas ao futuro“. “Portugal não pode nem vai ficar de fora dessa transformação, está numa posição magnífica para estar na liderança dessa transformação.”

Em relação à perda de receita fiscal que originaria o fim da utilização dos veículos a combustão para o Estado – mais de cinco mil milhões de euros – Matos Fernandes afirmou que seria uma perda significativa.

Segundo o Observador, o governante sugeriu que há outras fontes de receita possíveis. Apesar de não ter respondido diretamente, pareceu não descartar que a perda pudesse ser compensada com mais impostos e menos subsídios sobre os veículos elétricos do que os atuais, ao dizer que o sistema de fiscalidade deve depender no futuro mais de fatores quantitativos – como o número de quilómetros percorridos – do que o grau de emissões poluentes do veículo.

“A mobilidade tem de ter um sistema de fiscalidade que esteja cada vez mais associado ao quilómetro e ao espaço que é ocupada. Só dessa forma é que damos racionalidade a todo o modelo e isso só é comparável se todos os veículos na equação forem comparáveis”, sublinhou.

Matos Fernandes acredita que “daqui a quatro ou cinco anos um veículo elétrico custará provavelmente menos do que custa um veículo a combustão“. Além disso, o ministro acrescentou: “Já hoje, para as empresas – que recuperam o IVA – a diferença é mínima. Os valores até podem pender já hoje para um automóvel elétrico”.

O exemplo do ministro

Matos Fernandes quis dar o exemplo e, esta quarta-feira, chegou à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, à margem da apresentação do “Roteiro para a Neutralidade Carbónica” até 2050, de carro elétrico.

“Têm cada vez mais autonomia, já fui até Vila Real de carro elétrico”, disse o governante, citado pelo Diário de Notícias, explicando porém que não pode ainda deslocar-se sempre de carro elétrico.

Não estou aqui para enganar ninguém, há ainda muita deslocações que faço, nomeadamente quando se afastam de Lisboa, do Porto, da A1 ou da autoestrada para o Algarve, que ainda não consigo ir de carro elétrico.”

ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. E tem toda a razão!
    Claro que o stands, principalmente os mais manhosos, não querem ouvir a verdade e preferem esconder o “sol com a peneira”, até porque são os carros que lhes dão mais lucro!!

  2. Sinceramente espero que o ministro tenha razão e acabem de vez com os motores de combustão!
    Existem alternativas escondidas dos olhos do mundo!não sabemos delas por causa da ganância €€€€€€€.

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