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Marques Mendes revela que especialistas vão propor fim das restrições horárias

Mário Cruz / Lusa

Luís Marques Mendes

No seu comentário semanal habitual, Luís Marques Mendes deixou um alerta aos líderes políticos do país e fez uma revelação sobre o processo de desconfinamento – que deverá ganhar novas proporções esta semana.

No Jornal da Noite da SIC, Luís Marques Mendes revelou que esta semana as restrições de horários deverão sofrer alterações. Afirmou ainda que podem também acabar as regras “em função da incidência, concelho a concelho”.

O comentador avança que os peritos “vão propor que acabem” as limitações horárias atualmente em vigor para o funcionamento de atividades, e que em alternativa irão propor “que se aposte na testagem e na vacinação, no certificado Covid”.

A proposta, diz Marques Mendes, vai condicionar o acesso a quem não tiver vacinação ou teste negativo. “Nesses estabelecimentos quem tem vacinação ou teste não tem problemas. Fora isso, [quem não tiver] pode ter alguma dificuldade”.

Contudo, estas mudanças só serão divulgadas após a próxima reunião do Infarmed que está prevista para o dia 27 de julho.

Relativamente ao processo de vacinação, o antigo líder do PSD avançou ainda alguns dados que diz ter tentado “obter junto da task-force da vacinação”, relativamente aos objetivos para este verão.

Segundo Marques Mendes, o objetivo é a 15 de agosto ter 66% da população com a vacinação completa e 75% com pelo menos uma dose.

Referiu ainda que a 1 de setembro, o objetivo será ter 83% das pessoas com pelo menos uma dose e 69% com vacinação completa. No final de setembro, dia 30, a task-force conta ter 84% da população totalmente vacinada e toda a população elegível (com mais de 12 anos) com pelo menos uma dose recebida.

O comentador disse ainda acreditar que a vacinação das crianças será mais difícil de tomar. “A maioria dos especialistas não quer a vacinação generalizada das crianças entre os 12 e os 15 anos”, destacou.

“Vivemos numa situação pantanosa”

Luís Marques Mendes abriu ainda espaço para falar sobre o estado atual da política portuguesa.

O comentador aproveitou para deixar um alerta a todos os líderes políticos, dizendo que “politicamente falando, vivemos numa situação pantanosa. As coisas não vão bem, quer do lado do Governo, quer da oposição”.

“O Governo está manifestamente em fim de ciclo: cansado, esgotado, com a geringonça partida a meio e já sem o apoio que antes tinha do PR – não é oposição, mas não é o apoio que tinha anteriormente”, disse sobre o Executivo de António Costa.

As críticas também incidiram na oposição, que, segundo Marques Mendes, “não existe”. “É um vazio. A oposição tem estado deprimente“, refere.

Depois de assistir ao debate sobre o Estado da Nação, o comentador frisou que “a prazo, isto pode conduzir mesmo à ingovernabilidade política, seja à esquerda, seja à direita. Podemos voltar aos governos de curta duração dos anos 80”.

“O debate sobre o estado da Nação foi uma deceção. Passou ao lado do essencial. E o essencial é que a Nação está numa encruzilhada. E não é só pela fadiga pandémica. Há três razões mais profundas. Politicamente, vivemos numa situação pantanosa; economicamente, o país está sem ambição; socialmente, a situação está muito degradada”, afirmou.

Sobre o Plano de Recuperação e Resiliência, aponta que este tem uma falha de “ambição, estratégia correta e ímpeto reformista. Nos próximos anos, vamos crescer, é verdade, mas vamos crescer menos que os países de leste; estamos a caminho da cauda da Zona Euro, ficando apenas a Grécia atrás de nós”, realça.

Para finalizar, o comentador reagiu ainda à morte de Otelo Saraiva de Carvalho, que descreveu como “uma personalidade complexa e por isso mesmo polémica e controversa ao longo da sua vida”.

  Ana Isabel Moura, ZAP //

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