“Costa tem grandes hipóteses de ascender a Presidente do Conselho Europeu”

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Carlos Barroso / Lusa

Luís Marques Mendes

Marques Mendes acredita que António Costa pode estar a tentar sair para a Europa em 2024, e escolheu o novo Governo a pensar nisso mesmo.

Luís Marques Mendes considera que o reforço de poderes de Mariana Vieira da Silva, agora a número dois de António Costa e no Planeamento e Administração Pública, pastas importantes do Governo, mostra que António Costa gostava de a ver um dia no cargo de secretária-geral socialista, segundo o Observador.

“Assim se vê quem o primeiro-ministro gostava que lhe sucedesse. A questão é que não é o primeiro-ministro quem escolhe o seu sucessor como líder do PS”, afirmou o antigo líder social-democrata.

Marques Mendes, no habitual espaço de comentário na SIC, apontou três grandes riscos que António Costa enfrenta depois de ter decidido o novo Governo.

“A ministra da Agricultura é uma inexistência. Mantê-la é um erro. Fica a ideia de que o primeiro-ministro não arranjou ninguém para a substituir”, começou por dizer o comentador.

“Catarina Sarmento e Castro é uma académica sem perfil para a Justiça. Precisava-se de uma ministra mais executiva, tipo Alexandra Leitão”, continuou o comentador, antes de deixar uma avaliação sobre António Costa e Silva.

“Um excelente conselheiro. Culto, preparado, conhecedor, cheio de mundo. Receio é que seja mais um filósofo da economia que um ministro prático e eficaz. Acrescem duas contradições: é especialista em energia, mas não tutela a energia; é o ‘pai’ do PRR mas não vai tratar do PRR”, apontou.

João Gomes Cravinho também não ficou de fora das críticas. O novo ministro dos Negócios Estrangeiros, que transitou da Defesa, depois de, alegadamente, Marcelo Rebelo de Sousa ter impedido a sua continuidade no cargo está, segundo o social-democrata, irremediavelmente fragilizado.

Um meio ministro. Um ministro politicamente diminuído. [António Costa] tira-lhe metade do Ministério e logo a parte mais importante (Assuntos Europeus). Aceitou o que Santos Silva nunca aceitaria (ser meio ministro). Nunca mais será levado a sério. Nem pelo Presidente da República, nem pelo primeiro-ministro, nem pelo próprio Ministério”, disse Mendes.

O comentador acredita ainda que António Costa desenhou um Governo a pensar na sua saída para presidente do Conselho Europeu, em 2024.

A escolha de Tiago Antunes como secretário de Estado dos Assuntos Europeus, pasta que passa a estar sob a dependência direta do primeiro-ministro, é um sinal disso mesmo, acrescenta.

“O primeiro-ministro tem grandes hipóteses de ascender a Presidente do Conselho Europeu, cargo para o qual já foi convidado em 2019. Mas teria de deixar de ser primeiro-ministro. Só que a saída do primeiro-ministro pode dar origem a eleições antecipadas. O primeiro-ministro tem a legítima ambição de exercer um cargo europeu e tudo ajuda, menos o calendário político”.

“De resto”, continuou Marques Mendes, “esta é uma das explicações para o primeiro-ministro ter dividido o Ministério dos Negócios Estrangeiros em dois e ter colocado o secretário de Estado dos Assuntos Europeus [Tiago Antunes] na sua dependência. Assim, controla melhor todos os contactos e negociações com vista à sua eventual ida para a Europa”, antecipou Marques Mendes.

  ZAP //

6 Comments

  1. Como Durão Barroso como António Guterres e agora Costa, para estes qual é o interesse em governar Portugal… Zero todos querem é taxo na Europa….

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