Marcas misteriosas feitas por canibais em ossos humanos intrigam cientistas

Kurt Thomas Hunt / Flickr

Caverna de Gough (Reino Unido).

Um osso com uma série de marcas em ziguezague, encontrado numa caverna do Reino Unido, é a prova de que os homens que viviam ali há 15 mil anos comiam carne humana. E depois, marcavam os ossos, provavelmente como parte de um ritual.

O estudo, publicado na revista científica Plos One, analisou o osso de um antebraço, que tinha sinais de que fora desarticulado, cortado em filetes e mastigado – mas os ziguezagues não se parecem com os danos que se esperaria de tais acções.

Segundo os cientistas, que já sabiam de práticas canibais na caverna, em Gough, na região de Somerset, no Reino Unido, a novidade foi a descoberta das marcas em ziguezague feitas supostamente após o consumo da carne.

Os cientistas supõem que as marcas tenham algum significado simbólico, conforme cita a BBC. Além disso, os ziguezagues assemelham-se a desenhos gravados em outros objectos do mesmo período.

Silvia Bello et all.

Ossos humanos com marcas de canibais encontrados na Caverna de Gough (Reino Unido).

Os investigadores afirmam que os cortes atípicos no osso do antebraço – no caso, um rádio – foram intencionais. Não são simplesmente marcas de carnificina, muito menos marcas de dentes.

“As marcas cravadas no osso da caverna de Gough são semelhantes a gravuras observadas noutros locais de cultura Magdalenian (do período Paleolítico) da Europa”, refere a investigadora Silvia Bello, do Museu de História Natural de Londres, em declarações à BBC.

“O que é inusitado, neste caso, é a escolha da matéria-prima (osso humano) e o contexto canibal em que foi produzido”, acrescenta a investigadora envolvida na pesquisa.

“A sequência de alterações realizadas neste osso sugere ainda que se trata de um componente premeditado da prática canibal, rica em conotações simbólicas”, acrescenta Silvia Bello.

“Embora em análises anteriores se pudesse sugerir que o canibalismo na caverna de Gough tinha sido praticado como um ritual simbólico, este estudo fornece uma evidência ainda mais forte”, conclui a investigadora.

A caverna de Gough fica na Garganta de Cheddar, um desfiladeiro profundo de pedra calcária, na margem sul das colinas de Mendip, perto da localidade de Cheddar, em Somerset.

As investigações na região começaram há mais de 100 anos. O local ficou famoso após a descoberta, em 1903, do “Homem Cheddar”, o esqueleto completo de um indivíduo do sexo masculino que data de há cerca de 10 mil anos.

Em 2011, Silvia Bello e a sua equipa apresentaram três casos de crânios que podem ter sido usados como copos. Os crânios foram adaptados de forma tão meticulosa que o seu uso como recipientes para líquido parecia a única explicação razoável.

Essa interpretação ganha força após a divulgação deste último estudo.

ZAP // BBC

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