Malvinas: Reino Unido enviou 31 armas nucleares, argentinos protestam 40 anos depois

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O RFA Sir Galahad foi afundado em 1982 na Guerra das Malvinas por um Skyhawk vendido por Israel à Argentina

Documentos revelam que três navios carregaram armas nucleares, que originaram receios no próprio governo do Reino Unido. Ministério da Argentina já reagiu.

O HMS Hermes, navio porta-aviões, transportava 18; o HMS Invincible, outro navio porta-aviões, levava 12; e ainda havia mais uma num navio auxiliar. O Reino Unido transportou 31 armas nucleares através do Oceano Atlântico, durante a Guerra das Malvinas.

O conflito começou no dia 2 de Abril de 1982, quando as ilhas sob administração do Reino Unido foram invadidas por forças militares da Argentina. A guerra prolongou-se até ao dia 14 de Junho do mesmo ano e, pelo meio, sabe-se agora, foram mobilizadas 31 armas nucleares.

O portal de jornalismo de investigação, Declassified, teve acesso a um documento oficial que confirma o envio de armas nucleares – o Ministério da Defesa local já tinha admitido, há quase 20 anos, que armas nucleares foram enviadas pela frota britânica, mas não se sabia quantas eram.

Logo na altura esse envio de armas nucleares causou problemas no seio do próprio governo do Reino Unido, na altura liderado por Margaret Thatcher. Entre elementos de Ministérios da Defesa e dos Negócios Estrangeiros, havia quem sentisse receio (ou mesmo pânico) por causa das possíveis consequências, quer físicas, quer políticas – estava em causa uma iminente violação de tratados internacionais de não proliferação de armas.

Numa acta do Ministério da Defesa, assinada no dia 6 de Abril de 1982 (quatro dias depois do início da guerra), lê-se que havia uma “grande preocupação” porque as armas nucleares poderiam perder-se ou danificar-se e, assim, toda a gente ficaria a saber do envio: “As repercussões internacionais de tal incidente podem ser muito prejudiciais”.

A ideia seria atacar submarinos mas os navios nunca saíram da “zona de exclusão total” que rodeava as ilhas. As armas não chegaram a outras águas territoriais. Havia um plano para descarregar as armas na base britânica na Ilha de Ascensão, no Oceano Atlântico Sul, mas essa ideia foi rejeitada pela Marinha.

Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros receava a presença das armas nucleares por causa do Tratado de Tlatelolco, de 1967, que definiu que, naquela zona da América Latina e nas águas vizinhas (incluindo as Malvinas), as armas nucleares estavam proibidas.

Aviso argentino

Quase 40 anos depois, a política volta a originar um confronto entre Reino Unido e Argentina porque o Ministério dos Negócios Estrangeiros argentino já reagiu. Publicou um comunicado no qual avisa que, se esta notícia se confirmar, vai apresentar um protesto junto do governo do Reino Unido porque considera que estes factos são graves. E pode levar este caso aos organismos internacionais competentes.

Alberto Fernández, presidente da Argentina, já disse, noutros contextos, que quer voltar às negociações com o Reino Unido porque a reivindicação das Ilhas Malvinas deveria ser permanente na vida dos argentinos.

A Guerra das Malvinas provocou a morte de cerca de 900 pessoas, quase todas militares e a maioria militares argentinos. No ano seguinte (1983), a ditadura caiu, na Argentina.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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