Luso-venezuelanos regressam em massa à Madeira

Miguel Gutierrez / EPA

Luso-venezuelana em Caracas durante protestos contra o governo de Nicolás Maduro

Luso-venezuelana em Caracas durante protestos contra o governo de Nicolás Maduro

Entre 3.000 e 4.000 luso-venezuelanos regressaram à Madeira, avançou hoje na Venezuela o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus, Sérgio Marques, admitindo que o número possa vir a aumentar.

“Temos vindo a registar um número crescente de conterrâneos que regressam da Venezuela, isso tem-se vindo a intensificar nas últimas semanas. É notório”, disse.

Sérgio Marques falava à agência Lusa, na cidade de Maracay, a 100 quilómetros a oeste de Caracas, no âmbito de uma viagem de quatro dias à Venezuela, conjuntamente com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesa, José Luís Carneiro.

“Estamos a tentar apurar o número das pessoas que tenham entrado na Madeira com rigor. Todos os cidadãos que entram com passaporte português, não há um registo de entrada e por isso temos alguma dificuldade em apurar esse número. De qualquer forma estimo que entre 3.000 e 4.000 pessoas possam ter regressado da Venezuela“, disse.

Por outro lado sublinhou esperar “que esse tenha sido um regresso temporário, porque o desejo das pessoas que têm chegado à Madeira, é que uma vez alterada a situação de crise política, económica e social que se vive na Venezuela possam ter condições para de novo retomar a normalidade das suas vidas na Venezuela“.

“Mas é um facto que temos já largas centenas de conterrâneos regressados à Madeira, e é óbvio que esta situação não é uma questão regional, é uma questão nacional, para que a Madeira possa da melhor forma apoiar o regresso de todos estes conterrâneos, tem que contar com a ajuda do Governo da República”, frisou.

“Este é um problema nacional em que todos temos que assumir as nossas responsabilidades, seja o Governo da República, seja o Governo da Venezuela”, acrescentou o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus.

Vontade de voltar e de reconstruir

Os portugueses radicados na Venezuela estão conscientes da gravidade do momento que estão a passar e o Governo português tudo fará para acolher os que decidam regressar a Portugal, vincou o secretário de Estado português das Comunidades.

O momento é muito grave. O momento que se vive na Venezuela é muito, muito grave, e os portugueses estão conscientes da gravidade do momento que estão a passar”, disse o o secretário de Estado das Comunidades, José Luis Carneiro, em Caracas.

“O mais surpreendente de tudo é que encontrei é uma vontade muito grande de vencer estas dificuldades, disse.

“Pude testemunhar in-loco portugueses que foram vítimas de assaltos que destruíram o seu património, que destruíram os seus estabelecimentos e já se encontram a tentar recuperar esses estabelecimentos, já se encontram de novo a abrir as portas e a afirma que querem fazer da Venezuela o seu país de futuro”, acrescentou.

“A grande maioria, mais de 90% das pessoas mostraram a vontade de recuperarem os seus estabelecimentos, de investir na Venezuela, por sentirem que pese embora este momento profundamente grave por que estão a passar, a Venezuela é um país com muitas oportunidades de investimento e oportunidades em relação ao futuro”, concluiu.

As manifestações a favor e contra o Presidente Nicolás Maduro intensificaram-se desde 1 de abril passado naquele país da América do Sul, depois de o Supremo Tribunal de Justiça  ter divulgado duas sentenças que limitavam a imunidade parlamentar e em que este organismo assumia as funções do parlamento.

Entre queixas sobre o aumento da repressão, os opositores manifestam-se ainda contra a convocatória para uma Assembleia Constituinte, feita a 1 de maio pelo presidente Nicolás Maduro. Dados oficiais dão conta de que pelo menos 56 pessoas já morreram desde abril, em vários confrontos entre as forças do regime e os oposicionistas a Maduro.

ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Temporário?, em Cuba o Temporário já vai em 60 anos, o homem i matando gente todos os diase náo quer saber de nada, esta com menos de 15 % de popularidade,

  2. Há um ditado que diz que há males quem vêm por bem, neste caso a pouca sorte dos nossos compatriotas vítimas do ditador socialista na Venezuela contrasta com o convite do nosso 1º ministro socialista que diz que está na hora dos nossos compatriotas regressarem para usufruírem do grande progresso porque estamos passando.

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