Yoan Valat / EPA

Marine Le Pen durante debate sobre moção de censura
Esta terça-feira, o tribunal que vai julgar os recursos da condenação de Marine Le Pen admitiu responder ao recurso da líder da extrema-direita. Assim mantém-se a esperança de uma candidaturs às eleições presidenciais de 2027.
Marine le Pen declarou-se vítima de uma sentença “política”, depois de, esta segunda-feira, ter sido condenada a 4 anos de prisão, por desvio de fundos europeus.
Desta forma, a líder da extrema-direita francesa ficou impedida de concorrer nas eleições presidenciais de 2027; e de se candidatar a cargos públicos com efeito imediato, durante 5 anos.
Le Pen apresentou um recurso que permita que se apresente como candidata.
O apelo da antiga presidente presidente da União Nacional (RN) e atual líder do grupo parlamentar do partido na Assembleia Nacional francesa é de que a decisão seja rápida – antes de março de 2027 (limite para apresentar a candidatura).
Esta terça-feira, os juízes que vão julgar os recursos da condenação de Marine Le Pen admitiram responder ao recurso até agosto de 2026. Assim, a histórica política francesa mantém a esperança de se candidatar às presidenciais.
Se o Tribunal Superior de Recurso, que admitiu uma apreciação mais célere do processo, lhe der razão, Le Pen terá luz verde.
Candidatar-se-á contra o que sempre defendeu
Apesar de condenada, Le Pen tem insistido que está inocente, acusando a justiça francesa de perseguição política.
“Considero que este processo movido contra nós por adversários políticos se baseia em argumentos que não são válidos. Trata-se de um desacordo administrativo com o Parlamento Europeu. Não há enriquecimento pessoal, não há corrupção, não há nada disso”, justificou-se ao canal TF1, esta segunda-feira à noite.
“Há milhões de franceses que acreditam em mim, milhões de franceses que confiam em mim (…), há 30 anos que luto contra a injustiça e vou continuar a fazê-lo e vou fazê-lo até ao fim (…) Não me vou deixar eliminar facilmente!, garantiu.
Marine Le Pen assume que luta pela justiça, mas agora contradiz-se, atacando-a.
Outra das contradições da líder de extrema-direita reside no facto de sempre ter defendido a inelegibilidade dos políticos condenados por corrupção. Agora, apesar de condenada por esse crime, defende que a elejam.
Esta segunda-feira, muito rapidamente os líderes nacionalistas e de extrema-direita começaram a revoltar-se com as conclusões do Tribunal Penal de Paris e a “assustar” o Conselho Superior da Magistratura (CSM) francês, que ficou “preocupado com as reações virulentas” à condenação.
Entre Donald Trump, Elon Musk, Jair Bolsonaro ou Viktor Orbán, quem se destacou foi André Ventura, por estranhamente fugir à regra da sua unida família política e sair… contra a amiga Le Pen.
Curiosamente, o Chega parece estar dividido em relação a esta questão.
Enquanto o líder se mantém firme dizendo que quem é condenado não pode candidatar-se; outros deputados saíram em defesa de Marine Le Pen.
Diogo Pacheco de Amorim questionou a lei que impede quem é condenado não se poder candidatar a cargos públicos enquanto espera pelo recurso.
“A lei acessória de inelegibilidade não espera para o trânsito em julgado da acusação principal. Ou seja, Marine Le Pen e os seus advogados podem recorrer da sentença para instâncias superiores, e é possível vir a ser ilibada, mas entretanto ficou inelegível”, disse, ao Observador.
Rita Matias, noutro exemplo, recorreu ao X para sugerir que a justiça francesa está a subverter a democracia. “Liberdade, igualdade e fraternidade uma ova”.
Cada líder político que não conseguirem derrotar nas urnas, vão eliminar pela via judicial. Subverter a democracia para “proteger a democracia”. Liberdade, igualdade e fraternidade uma ova. pic.twitter.com/cmPjTPmxfC
— Rita Maria Matias (@ritamariamatias) March 31, 2025
Por cá, o “eng.” José Socrates também se diz perseguido pela Justiça por motivos políticos (ainda estamos todos por perceber porquê). Por que será que quando a Justiça lhes é desfavorável todos se fazem de vítimas, mas exigem aos outros transparência, honestidade, etc.?