Afinal, há lagos no Ártico que não são chaminés de carbono

David Butman / University of Washington

Um novo estudo sugere que um determinado tipo de lago ártico pode não representar uma ameaça aos níveis globais de carbono, como pensávamos até agora.

O Ártico está a aquecer duas vezes mais rápido do que o resto do planeta – e esta, por si só, não é uma notícia feliz. Uma consequência desta tendência é o degelo do permafrost, uma camada da Terra que permaneceu congelada durante milhares de anos em algumas áreas. Este solo detém, atualmente, mais que o dobro do carbono encontrado na atmosfera.

Mas há agora uma boa notícia: um estudo recente sugere que um tipo particular de lago ártico pode não representar uma ameaça aos níveis globais de carbono, como pensávamos. Pelo menos para já.

Grande parte do Ártico está coberta pelo permafrost, a espessa camada de gelo que raramente se derrete. No entanto, há medida que o mundo aquece, perdemos o permafrost, fazendo com que o solo e a vegetação, congelados há centenas de milhares de anos, sejam expostos.

O impacto deste fenómeno é algo que assusta os cientistas, uma vez que o solo e a vegetação estão a armazenar, atualmente, o dobro da quantidade de carbono da atmosfera. Uma vez expostos, os micróbios do solo “mastigam” a matéria orgânica e libertam carbono como dióxido de carbono e metano.

Pesquisas anteriores deixaram os cientistas ainda mais preocupados, depois de descobrirem que alguns lagos do Ártico, conhecidos como termocársticos, podem fazer com que o permafrost ao seu redor derreta ainda mais rápido, acelerando a libertação de carbono profundamente congelado.

Mas há espaço para otimismo, graças a um novo estudo da Universidade de Washington e do Serviço Geológico dos Estados Unidos, que mostra que nem todos os lagos do Ártico estão a libertar carbono à mesma velocidade que os lagos termocársticos.

“Descobrimos que nem todos os lagos de alta latitude são grandes chaminés de carbono para a atmosfera e que os lagos na região não estão a processar muito permafrost nem a plantar carbono na terra”, disse o bioquímico Matthew Bogard, da Universidade de Washington, citado pelo ScienceAlert.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas recolheram amostras de, pelo menos, 20 lagos da região de Yukon Flats, no nordeste do Alasca, durante junho e agosto de 2016 e abril de 2017. Para cada lago, a equipa mediu fatores essenciais como o carbono inorgânico dissolvido na água, temperatura e pH.

Em quase todos os lagos testados, não havia sinais de carbono antigo que havia sido libertado do permafrost. Desta análise, os cientistas concluíram que os lagos estavam a produzir menos emissões de carbono do que o esperado. O artigo científico foi recentemente publicado na Nature Geoscience.

No entanto, apesar da boa notícia, os cientistas ainda não sabem de que forma é que estes lagos podem mudam um clima mais quente, dado que esta é a primeira vez que são estudados. Além disso, alertam os cientistas,é preciso ter em conta que o nosso planeta está a aquecer a um nível sem precedentes.

ZAP //

PARTILHAR

RESPONDER

COP25 aprovou conclusões. Não há acordo para regulação dos mercados de carbono

A cimeira da ONU sobre o clima terminou hoje em Madrid assinalando a urgência para conter as alterações climáticas, mas a mais longa cimeira sobre o clima de sempre sem chegar a acordo nos pontos …

Afinal, os deuses da Antiguidade eram às cores (e já as podemos ver)

https://vimeo.com/379277357 Nos nossos livros da escola e em museus de todo o mundo, as obras de arte da antiga Grécia e Roma não têm cores: são simples, puro e branco mármore. Mas será este apenas um mito? …

A sede do petróleo está a levar os povos indígenas do Equador à extinção

Os povos indígenas do Equador estão sob ameaça dos interesses do território em que habitam. Quase metade das reservas equatorianas de petróleo estão debaixo do Parque Nacional Yasuní. Os interesses dos políticos e dos grandes magnatas …

"Lesmas-leopardo" acasalam da forma mais espantosamente bizarra (e ninguém sabe porquê)

As "lesmas-leopardo" têm talvez o acasalamento mais intrigante e espantoso de todo o reino animal. Os biólogos ainda não conseguiram decifrar porque razão estes moluscos acasalam desta forma. Na escuridão da noite, duas grandes "lesmas-leopardo" começam …

Naufrágio romano com 2.000 anos encontrado na Grécia. É um dos maiores do Mar Mediterrâneo

Uma equipa de cientistas da Universidade de Patras, na Grécia, descobriu os vestígios de um navio romano que naufragou há cerca de 2.000 anos perto da ilha grega de Kefalonia, avança o Greek City Times.  …

Qual é o verdadeiro significado da vida? Um novo estudo pode ajudar com a resposta

Um novo estudo aponta que encontrar significado na nossa vida é algo positivo para a nossa saúde e bem-estar mental, mas o processo de procura tem o efeito contrário. Encontrar significado na nossa vida é uma …

A crise climática vista do Espaço. Vídeo da NASA revela degelo dos glaciares no Alasca

https://vimeo.com/379314673 Um vídeo publicado recentemente pela NASA mostra o derretimento dos glaciares do Alasca visto do Espaço. Algumas imagens revelam mudanças de quase 50 anos. O nosso planeta está a caminhar a passos largos para uma situação …

Ciência explica porque é que alguns cheiros desencadeiam memórias fortes

O cheirinho de pão acabado de sair do forno pode, por exemplo, funcionar como um portal do tempo, levando-nos de volta àquele pequeno café em Paris que visitámos há alguns anos. Os cheiros têm a capacidade …

Quase 40% dos americanos com dificuldades financeiras. Doar sangue é a sua maior receita

A economia dos Estados Unidos (EUA), considerada uma das maiores do mundo, permitiu avanços sociais e tecnológicos inestimáveis. Contudo, atualmente, cerca de 40% dos norte-americanos afirmam ter dificuldade em pagar por comida, por habitação, por …

"Políticos devem ser colocados contra a parede". Greta pede desculpa

A ativista do clima Greta Thunberg pediu desculpa por ter dito que os políticos devem ser colocados “contra a parede”, após diversas pessoas terem considerado que a jovem estava a defender a violência. A sueca de …