Lagarde prevê subida das taxas em julho e fim de juros negativos em setembro

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Marcello Casal Jr. / ABr

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, confirmou que a entidade monetária começará a aumentar as taxas de juro em julho e que a zona euro sairá das taxas de juro negativas até ao final do terceiro trimestre.

Lagarde disse num ‘post’ de blogue, publicado no ‘site’ do BCE, que espera que a compra da dívida “termine no início do terceiro trimestre”.

“Isto permitiria uma subida das taxas de juro na nossa reunião de julho, de acordo com a nossa orientação”, acrescentou Lagarde.

A presidente do BCE assinalou hoje que uma saída da era das taxas de juro negativas poderia ocorrer “até ao final do terceiro trimestre”, uma vez que a subida da inflação obriga a instituição a reagir.

“Com base nas perspetivas atuais, poderemos provavelmente sair das taxas de juro negativas no final do terceiro trimestre“, escreveu Lagarde.

O euro, que tem vindo a sofrer há vários meses com o aperto mais rápido da política monetária nos Estados Unidos, aumentou os ganhos hoje de manhã face ao dólar (+0,57% para 1,0624 dólares às 08:45 TMG) após a publicação do BCE.

A instituição com sede em Frankfurt é conhecida há vários meses pela sua relutância em anunciar um calendário para o aperto das condições de crédito.

No entanto, os comentários de Lagarde estão agora de acordo com as expectativas dos intervenientes no mercado, que contam com várias subidas de taxas no segundo semestre do ano.

A primeira subida deverá ser decidida em julho, afirmou Lagarde, pouco depois do fim das compras de ativos líquidos, o outro instrumento de apoio que já não é significativo num contexto de inflação elevada.

Impulsionada pelos preços da energia e pela escassez de alguns produtos num contexto de uma elevada procura pós-covid-19, a inflação estabilizou em 7,4%, em termos homólogos, no mês passado na zona euro, um nível ainda muito acima do objetivo de 2% do BCE.

Durante um período de baixa inflação em 2014, o BCE tinha tornado a sua taxa negativa, colocando uma tensão sobre alguns dos depósitos dos bancos, para os encorajar a emprestar à economia.

A saída da era das taxas negativas diz, portanto, respeito a este instrumento, que se situa atualmente em -0,5% e é uma referência no mercado.

Nas últimas semanas, os “falcões” do Conselho do BCE defenderam um ritmo mais rápido de normalização da política monetária, ultrapassando as “pombas” que querem estimular a economia.

  Lusa //

1 Comment

  1. Os falcões andam há muito tempo a agoirar os povos da Europa ameaçando com o aumento dos juros para acabarem de apertar o laço no pescoço dos pobres que têm estado a salvo das suas garras até agora.
    Era bom que os supervisores dos bancos, como em Portugal, explicassem como é possível os bancos já estarem a aumentar as suas taxas de juro ( os spreads) quando o Banco Central, que lhes empresta o dinheiro, mantém em 0% o juro.
    Para já não falar que os Bancos sempre mantiveram os seus empréstimos com taxas elevadas, como o de 16% no crédito pessoal.

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