Khashoggi. EUA saúdam passo importante, Guterres pede investigação imparcial

Erdem Sahin / EPA

Estados Unidos consideram que a condenação de cinco sauditas à morte é “um passo importante”. A ONU pede, por sua vez, uma investigação independente e imparcial.

Os Estados Unidos afirmaram, esta segunda-feira, que a condenação à pena de morte de cinco sauditas pela Justiça saudita pelo assassínio do jornalista Jamal Khashoggi é “um passo importante”.

“Os veredictos de hoje são um passo importante para fazer pagar todos os responsáveis por este crime terrível”, disse aos jornalistas um alto responsável norte-americano, que pediu para não ser identificado.

Enquanto a Turquia, a ONU e várias organizações de direitos humanos criticaram fortemente a decisão do tribunal de Riade, que eximiu de responsabilidades dois dos principais suspeitos, o funcionário norte-americano limitou-se a pedir “mais transparência” à Arábia Saudita, país aliado dos EUA.

“O secretário-geral continua a sublinhar a necessidade de uma investigação independente e imparcial do assassinato, para assegurar uma análise geral e uma responsabilização por todas as violações de direitos humanos cometidas neste caso”, disse, numa conferência de imprensa, o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric.

O representante também referiu que António Guterres reitera “o compromisso da ONU para assegurar a liberdade de expressão e a proteção dos jornalistas”, insistindo também na histórica oposição à pena de morte por parte das Nações Unidas.

“A sentença serve para branquear as acusações e não faz justiça nem mostra a verdade a Jamal Khashoggi e aos seus familiares”, declarou, em comunicado, a diretora da unidade da Amnistia Internacional para o Médio Oriente, Lynn Maalouf, classificando o julgamento como “um processo injusto”.

“Esta sentença não aborda o envolvimento das autoridades sauditas no crime”, acrescentou, lembrando que o julgamento foi realizado à porta fechada.

A Turquia pediu a extradição de 18 sauditas detidos por suspeita de envolvimento no assassínio, tendo Riade recusado e afirmado que seriam julgados na Arábia Saudita.

Os advogados dos suspeitos pediram para conhecer as acusações exatas contra os seus clientes e um período para as analisar, mas, apesar de o tribunal ter aceitado os seus pedidos, não marcou qualquer data para uma nova audiência.

Fontes próximas do processo disseram que vários dos réus se defenderam em tribunal dizendo que estavam a cumprir ordens do general Ahmed al-Assiri — outro dos conselheiros próximos do príncipe herdeiro saudita —, descrevendo-o como “o líder” da operação.

Tanto Ahmed al-Assiri como Saud al-Qahtani foram alvo de ordens de prisão emitidas no início de dezembro pelas autoridades turcas por alegado envolvimento na morte de Khashoggi.

Das 11 pessoas acusadas neste caso, cinco foram condenadas à morte, três a penas de prisão que totalizam 24 anos, e as restantes foram absolvidas. Os condenados podem recorrer, de acordo com o texto do comunicado de imprensa.

O tribunal realizou um total de nove audiências na presença de representantes da comunidade internacional e de parentes de Jamal Khashoggi, tendo concluído que o assassínio de Khashoggi “não foi premeditado”.

No entanto, a CIA e a relatora especial das Nações Unidas sobre execuções sumárias afirmaram que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita está ligado ao assassínio, acusações que Mohammed bin Salman nega.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, recusou aceitar a posição da CIA e defendeu que não havia provas sólidas para a acusação. As Nações Unidas e os grupos de direitos humanos pediram uma investigação independente sobre o assassinato.

A 2 de outubro de 2018, o jornalista saudita, que morava nos EUA, entrou no consulado da Arábia Saudita em Istambul, para tratar de alguns documentos necessários para o casamento com uma cidadã turca. O jornalista não voltou a sair do consulado, onde foi morto por agentes sauditas, que saíram da Turquia e regressaram à Arábia Saudita logo após o assassínio.

ZAP // Lusa

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