Durante uma hora e meia, Kamala Harris foi a primeira presidente dos EUA

Carlos M. Vazquez II / DoD

A vice-presidente dos EUA, Kamala Harris

Kamala Harris protagonizou hoje um momento histórico ao tornar-se, ainda que por pouco mais de uma hora, na primeira mulher presidente dos Estados Unidos, após Joe Biden lhe ter transferido os poderes para se submeter a uma colonoscopia.

A administração de Joe Biden, que na véspera de completar 79 anos é a pessoa mais velha a ocupar o cargo de presidente, continua a estabelecer recordes e Kamala Harris, que já se havia tornado na primeira pessoa negra e descendente do sul da Ásia a ser vice-presidente, foi hoje a presidente interina dos Estados Unidos durante uma hora e 25 minutos.

O democrata submeteu-se a uma colonoscopia de rotina no Centro Médico Militar Nacional Walter Reed e transferiu os poderes para a vice-presidente enquanto estava submetido a uma anestesia, noticia a agência AP.

A porta-voz do governo dos Estados Unidos, Jen Psaki, explicou que Biden retomou as suas funções após falar com Harris e o chefe de gabinete da Casa Branca, Ron Klain, aproximadamente pelas 11:35 [16:35 em Lisboa].

Enquanto presidente interina, Kamala Harris trabalhou desde o seu gabinete na ala oeste da Casa Branca, revelou Jen Psaki.

Assim que Biden acordou do procedimento médico, Harris viajou para Ohio.

Jen Psaki salientou que a vice-presidente “faz história todos os dias” e que Biden sabia bem da dimensão da escolha quando a convidou para a administração.

“Hoje foi certamente mais um capítulo dessa história. Acho que é notável para as mulheres e meninas de todo o país”, acrescentou a porta-voz do governo.

O interesse pela saúde do Presidente norte-americano tem estado em alta desde que este anunciou a corrida à Casa Branca, em 2019, e continua numa altura em que há especulações sobre uma eventual recandidatura em 2024.

Biden foi ao centro médico nos subúrbios de Washington para o seu primeiro exame físico de rotina enquanto Presidente, o primeiro desde dezembro de 2019.

No último exame físico, os médicos tinham considerado Biden “saudável e vigoroso” e “apto para executar com sucesso as funções de Presidente”.

Segundo o relatório médico da altura Biden teve, desde 2003, episódios de fibrilação atrial, uma forma de batimento cardíaco irregular e potencialmente sério, mas tratável.

O médico responsável, Kevin O’Connor, citou uma lista de testes que demonstravam que o coração de Joe Biden estava a funcionar normalmente e que o único cuidado era a toma de um medicamento para prevenir o risco de coágulos sanguíneos ou derrames.

Em 1988, Biden teve um grave problema de saúde, que requereu cirurgia para tratar dois aneurismas cerebrais. Segundo o médico, desde então o atual Presidente não teve mais problemas deste tipo, citando um exame de 2014.

Seguindo a 25.ª emenda da Constituição, Joe Biden assinou cartas ao senador democrata Patrick Leahy, presidente do Senado, e à presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, às 10:10 [15:10 em Lisboa], referindo que não podia cumprir as suas funções durante o efeito de anestesia.

Após a conclusão do exame, às 11:35 [16:35 em Lisboa], enviou novamente cartas a estas figuras para reassumir funções.

  // Lusa

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