Jogos de guerra ajudaram exércitos a vencer guerras. É uma tradição secular

Alguns jogos de guerra foram utilizados por vários exércitos internacionais para simular conflitos e treinar militares para guerras reais, contou à revista Vice Antoine Bourguilleau, que escreveu recentemente um livro sobre o fenómeno.

Estes jogos não são meros jogos de tabuleiro. São jogos complexos e estratégicos – podem durar semanas e ter regulamentos de até 60 páginas -, que foram usados por vários exércitos para simplificar e esmiuçar verdadeiras estratégias de guerra.

Bourguilleau, historiador e investigador do Instituto de Estudos de Paz e Guerra da Universidade Sorbonne em Paris, França, revelou à edição francesa da revista Vice que os jogos de guerra são uma “ferramenta” utilizada por exércitos reais há séculos.

“Um jogo de guerra é uma ferramenta que permite compreender um conflito e prepará-lo mentalmente. São bastante úteis, ninguém morre e não custam muito – o que é importante para os exércitos”, começou por explicar o especialista.

O investigador francês revela que os militares começaram a recorrer aos jogos de tabuleiro para preparar guerras quando perceberam que os oficiais mais destacados só tinham conhecimento “teórico” sobre os conflitos.

“No final do século XVIII, os militares prussianos perceberam algo paradoxal: todos os soldados estavam preparados para a guerra, exceto os oficiais superiores que deveriam liderá-los. Os soldados de infantaria aprenderam a usar espingardas e a mudar a sua formação. O mesmo acontecia com a cavalaria ou artilharia. Mas os oficiais mais graduados só tinham sido treinados teoricamente na arte da guerra”.

“Nas escolas militares da época, os oficiais estudavam tratados, batalhas e campanhas. Mas só foram a campo para ver simulações de grandes manobras e para imaginar o que realmente aconteceria. Era muito caro”, explicou.

Questionado pela revista Vice sobre que vitórias podem ser atribuídas aos jogos de guerra, Bourguilleau aponta a Campanha do Pacífico liderada pelos Estados Unidos durante a II Guerra Mundial conta os japoneses.

“O American Naval War College, que treina oficiais da Marinha, incorporou os jogos de guerra no século XIX. Entre 1918 e 1941, organizaram mais de 200 jogos de guerra, alguns com duração de semanas (…) A maioria era sobre potenciais conflitos navais com o Japão. Por exemplo, [os oficiais] perceberam que a guerra seria muito longa e que os japoneses iriam espalhar-se pelas as ilhas do Pacífico. Também entenderam que os japoneses teriam que ir de ilha em ilha para voltar ao Japão – E assim foi”.

Em sentido oposto, o autor francês aponta a Guerra do Vietname como exemplo de uma operação falhada baseada em jogos de guerra.

“Era o início da Ciência da Computação e alguns estrategistas americanos adotaram uma abordagem quantitativa da guerra, o que os levou a concluir que os norte-vietnamitas não eram rivais para si. Mas a guerra não é apenas uma questão de números”.

Bourguilleau frisa ainda que estes jogos não são capazes de prever tudo.

“Um dos principais teóricos militares, o general prussiano Clausewitz, disse que a atividade humana mais bélica são os jogos de cartas. Ambos têm um elemento de incerteza. Na guerra, existe um plano e há elementos que podem levar ao seu fracasso. Problemas com comandantes, soldados doentes, algo não indicado nos mapas, suprimentos atrasados”, elencou, antes de rematar: “Os jogos de guerra não podem prever o futuro, mas permitem que os militares e oficiais se preparem para muitas possibilidades”.

  ZAP //

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