Jayme foi “escolhida” pelo raptor quando entrava para o autocarro escolar

Departamento do Xerife do Condado de Barron

Jayme Closs conseguiu fugir após 88 dias de sequestro

Jake Patterson, raptor de Jayme Closs, era um jovem “pacato e bom estudante”, de quem nunca ninguém tinha suspeitado. O crime foi planeado ao minuto.

A adolescente, de 13 anos, que tinha desaparecido em outubro, no dia em que os pais foram assassinados, conseguiu fugir ao seu sequestrador após 88 dias de cativeiro. Agora, sabe-se como foi planeado o crime – cuidadosamente engendrado e executado com sangue frio.

Jake Thomas Patterson estava a caminho do emprego, numa queijaria em Wisconsin, quando viu Jayme Closs entrar no autocarro escolar. Teve de parar momentaneamente o carro atrás do veículo e reparou na jovem de 13 anos. Este foi o momento em que decidiu que a ia raptar, contou à polícia, e relatam esta terça-feira a imprensa norte-americana.

Depois de ter sido detido, Patterson garantiu que não sabia quem era Jayme nem com quantas pessoas ela vivia. Decidido a executar o sequestro, tentou de facto fazê-lo por duas vezes, antes do dia 15 de outubro. Numa primeira tentativa – cerca de uma semana antes -, conduziu até à casa de família dos Closs, em Barron, mas acabou por afastar-se por ver muitos carros estacionados à porta.

Voltou um ou dois dias depois, mas o facto de lhe parecer estarem muitas pessoas em casa fê-lo desistir novamente. Não sem aproveitar a viagem para roubar umas quantas matrículas falsas, precaução incluída nos seus planos, para se assegurar que o carro que conduzia não era identificado por nenhuma eventual testemunha.

Jake Thomas Patterson

Mas à terceira foi de vez. Segundo o El País, Patterson estacionou o Ford Taurus numa estrada secundária, trocou as placas de matrícula e preparou-se para avançar. Pegou na espingarda calibre 12, certificou-se que a luz interior não poderia acender ao abrir a porta e retirou também a luz da bagageira.

Nada foi deixado ao acaso. A arma foi escolhida por ter percebido que era uma das mais comuns, logo das mais difíceis de ser rastreada, e as munições com que a carregou foram selecionadas por estar convencido de que eram as mais eficazes para matar.

Segundo a acusação, o assassino usou luvas e rapou o cabelo, barbeando-se também, para não correr o risco de deixar rasto de ADN. Vestiu-se com botas de cabedal com biqueiras de aço, blusão e máscara negros.

Pronto para matar “todos” os que estivessem no interior da casa, voltou a ligar o carro e circulou até próximo da entrada dos Closs. Estacionou, acendeu uma lanterna para ver melhor o caminho e ordenou ao homem que viu pela janela que se atirasse ao chão.

Patterson explicou que o pai de Jayme lhe pediu que mostrasse a identificação, convencido que era um polícia. Mas o raptor matou-o nessa altura, tentando depois, sem sucesso, arrombar a porta de casa usando um dos ombros. Acabou por disparar contra a fechadura.

No interior da habitação, e apercebendo-se que existia uma porta fechada, circulou para ver se encontrava mais alguém e voltou àquela divisão, decidido a encontrar Jayme. A jovem estava de facto escondida com a mãe na pequena casa de banho, na banheira.

Patterson pediu a Denise que colasse a fita que lhe estendeu na boca da filha. Acabou por fazê-lo ele próprio, prendendo-lhe também os pulsos e os tornozelos, ao perceber que a mulher não lhe obedecia. Matou Denise apontando-lhe à cabeça, mas não sem antes ela ter conseguido ligar para a polícia. Foi Patterson quem a obrigou a desligar a chamada.

Depois levou Jayme arrastada por um braço, fechando-a na bagageira e seguindo viagem. Não tinha passado um minuto quando parou para dar passagem a três carros da polícia, que circulavam com as luzes de emergência ligadas, a caminho da casa onde o raptor deixara os dois cadáveres.

Jayme passou três meses debaixo de um cama

Sabe-se que, chegados a casa, Patterson ordenou-lhe que vestisse um pijama e queimou a roupa de ambos.

Quando se ausentava da cabana ou recebia visitas, nomeadamente a do pai todos os sábados, a jovem era obrigada a ficar escondida debaixo de uma cama e ligava o rádio, para evitar que se ouvisse qualquer barulho. Jayme estava avisada sobre as coisas más que lhe podiam acontecer se tentasse alertar para a sua presença.

Jayme conseguiu fugir num dos dias em que o raptor se ausentou. Pediu ajuda a uma mulher que passeava com um cão, foi reconhecida e voltou para casa de uma tia.

Quanto a Patterson, ainda a procurou, mas acabou detido pela polícia, que seguiu as indicações dadas por Jayme e o identificou. Não ofereceu qualquer resistência. De acordo com um dos agentes envolvidos na detenção, saiu do carro, disse saber porque era procurado e confessou. “Fui eu”, afirmou.

Agora está fechado numa uma cela e a fiança foi fixada nos cinco milhões de dólares. O julgamento deverá começar no dia 6 de fevereiro. O jovem de 21 anos, que foi descrito como alguém tido por pacato e bom estudante, não mostrou qualquer emoção na curta passagem pelo tribunal, quando foi presente ao juiz.

ZAP //

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