Já se sabe porque é que centenas de estrelas desaparecem sem deixar rasto

Nos últimos anos, pelo menos 100 estrelas desapareceram sem qualquer explicação possível. No entanto, um novo estudo pode dar uma explicação.

Num novo estudo, publicado este mês na Physical Review Letters, os astrónomos investigaram a estranha causa do desaparecimento destas estrelas.

A explicação, provisoriamente sustentada pelas evidências recolhidas no estudo, é que estrelas com massa suficiente podem entrar em colapso num buraco negro sem se tornarem supernovas: transformam-se diretamente num buraco negro, sem a explosão maciça.

Segundo o Science Alert, a equipa de investigadores analisou um sistema estrelar binário no limite da Via Láctea conhecido como VFTS 243.

“Se olharmos para uma estrela que está a sofrer um colapso total, é como se, num dado momento, víssemos uma estrela a extinguir-se subitamente e a desaparecer dos céus”, afirma o autor principal do estudo, Alejandro Vigna-Gómez, em comunicado da Universidade de Copenhaga.

“Não podemos ter a certeza de uma ligação, mas os resultados que obtivemos com a análise do VFTS 243 aproximaram-nos muito mais de uma explicação credível”, acrescenta Vigna-Gómez.

A equipa encontrou evidências que sustentam a ideia de que o buraco negro se formou com pouca ejeção bariónica, o que sugere que poderia ter-se formado através de um colapso total.

O sistema VFTS 243 dá aos astrónomos a possibilidade de comparar um conjunto de teorias astrofísicas e cálculos de modelos com observações reais.

“A nossa análise aponta para o facto de que o buraco negro no VFTS 243 foi muito provavelmente formado imediatamente, com a energia a ser perdida principalmente através de neutrinos”, diz coautora do estudo Irene Tamborra.

Os resultados colocam VFTS 243 como o melhor caso observável para a teoria dos buracos negros estelares formados por colapso total, onde a explosão da supernova falha — ideia que os modelos utilizados no estudo mostraram ser possível.

“Esperamos que o sistema sirva de referência crucial para futuras investigações sobre a evolução e o colapso estelares”, conclui Tamborra.

Soraia Ferreira, ZAP //

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