Irão responsabiliza operador de defesa aérea pelo derrube de avião ucraniano

Abedin Taherkenareh / EPA

Queda de um Boeing 737-800 no Irão

A Agência de Aviação Civil do Irão insistiu no seu relatório final, divulgado esta quarta-feira, em acusar um operador do sistema de defesa aérea pelo derrube de um avião ucraniano em janeiro de 2020, que vitimou os 176 ocupantes.

O relatório, de 285 páginas, concluiu que “o avião foi identificado como um objetivo hostil devido a um erro do operador do sistema defensivo aéreo situado nos arredores de Teerão”.

Devido a este equívoco, “disparou dois mísseis” contra o aparelho, um Boeing 737-800 da Ukranian International Airlines (UIA), que tinha descolado do aeroporto de Teerão na manhã de 8 de janeiro passado com destino a Kiev.

A Agência de Aviação Civil considerou que “a explosão do míssil perto do avião foi a causa do seu derrube”, e que o plano de voo do Boeing 737-800 “não teve interferência na origem desse erro”.

O documento recorda que um erro de 105 graus na colocação de uma das unidades do sistema de defesa aéreo implicou que o avião fosse identificado como uma ameaça e que ocorreram problemas de comunicação entre o operador e o centro de coordenação.

Este incidente originou uma forte controvérsia, após o Irão ter negado durante três dias o disparo contra o avião pelo seu sistema de defesa aéreo, enquanto a Ucrânia manifestava suspeitas sobre um derrube acidental do aparelho.

As Forças Armadas do Irão encontravam-se em alerta máximo nesse dia, após terem efetuado algumas horas antes um ataque contra uma base militar no Iraque com a presença de tropas norte-americanas, e aguardavam uma ação de represália pelos Estados Unidos.

Este ataque foi a resposta ao assassínio, cinco dias antes, por um drone [aparelho aéreo não-tripulado] norte-americano no aeroporto de Bagdade, do poderoso general iraniano Qasem Soleimani.

O Governo iraniano aprovou uma indemnização de 150.000 dólares (cerca de 126.000 euros) para cada uma das 176 vítimas: 82 iranianos, 63 canadianos, a maioria com dupla nacionalidade iraniana, 11 ucranianos (dois passageiros e nove tripulantes), dez suecos, quatro afegãos, três alemães e três britânicos.

Um ano após o sinistro, o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, pediu justiça para as vítimas e suas famílias, assegurando que “não é possível que um crime como este fique sem resposta”. Zelenskiy sublinhou ser “impossível” que o Irão não estivesse informado que o aparelho que efetuava a rota Teerão-Kiev era um avião de passageiros, e que a generalidade da “comunidade internacional considerou tratar-se de um crime”.

O avião que efetuava o voo PS-752 da Ukraine International Airlines, de Teerão para Kiev, foi abatido em 8 de janeiro por dois mísseis. As 176 pessoas que seguiam a bordo, a maioria das quais iranianas e canadianas, mas também 11 ucranianas (incluindo os nove tripulantes), morreram no desastre.

O acidente ocorreu horas depois do lançamento de 22 mísseis iranianos contra duas bases da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, em Al Assad e Erbil, no Iraque, numa operação de vingança pela morte do general iraniano Qassem Soleimani.

// Lusa

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