Iranianas queimam os hijabs em protesto pela morte de Mahsa Amini

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Erdem Sahin / EPA

As iranianas estão a queimar os hijabs e a cortar o cabelo em protesto pela morte de Mahsa Amini, uma jovem que faleceu após ter sido presa pela “polícia de moralidade”, que faz cumprir as regras islâmicas do país.

Mahsa Amini, de 22 anos, morreu na sexta-feira no norte de Teerão. Tinha sido presa na terça-feira e levada pouco depois para o hospital, com múltiplos golpes na cabeça, segundo avançou a Iran International. A jovem, originária do Curdistão, foi detida depois de uma visita à família.

Segundo os familiares, os agentes espancaram-na na carrinha da polícia após a sua detenção, com testemunhas oculares a confirmarem a acusação. As autoridades rejeitaram as alegações, referindo que a jovem morreu depois de ter sido levada para um hospital na sequência de um ataque cardíaco.

O Presidente Ebrahim Raisi telefonou à família de Mahsa Amini no domingo, informando que a sua morte seria investigada. “A vossa filha é como se fosse minha filha e sinto que este incidente aconteceu a um dos meus entes queridos”, terá afirmado o chefe de Estado.

O presidente do Supremo Tribunal do Irão, Mohseni Ejei, também prometeu uma investigação completa, enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU) apelou a um inquérito imparcial sobre a morte.

“A trágica morte de Mahsa Amini e as alegações de tortura e maus-tratos devem ser investigadas rápida, imparcial e eficazmente por uma autoridade competente independente, que garanta, em particular, que a família tenha acesso à justiça e à verdade”, disse o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Nada Al-Nashif.

Pouco depois da morte da jovem a polícia iraniana divulgou imagens de câmaras de vigilância que registaram parte da sua detenção. “O vídeo mostra a mulher a cair subitamente numa cadeira enquanto falava com uma agente feminina na esquadra da polícia”, relatou a agência noticiosa estatal IRNA.

Os iranianos têm-se manifestado há quase uma semana, com algumas mulheres a queimar os seus hijabs nas ruas. Um vídeo partilhado pela apresentadora da BBC Rana Rahimpour mostra mulheres em pé em cima de carros da polícia, a atacar a República Islâmica.

Pelo menos sete pessoas terão sido mortas desde o início dos protestos.

Este incidente levou a NPR a recordar o caso da iraniana Sahar Khodayari, que em 2019 vestiu-se como homem para entrar num estádio e assistir a um jogo de futebol masculino. Quando a jovem de 29 anos foi presa e soube que passaria seis meses na prisão, imolou-se em frente a um tribunal de Teerão.

  ZAP //

1 Comment

  1. Faz algumas décadas mulheres ocidentais (EUA) queimaram sutiãs, como símbolo de liberdade de seus corpos. Com as iranianas hoje queimando seus hijabs, aos ouvidos surdos dos aiatolas do Iran, que avanço a humanidade conseguiu em termos de igualdade de gênero? A mulher do presidente do Brasil, repete declaração para as mulheres serem apenas “ajudadoras” do seu marido e senhor. Parece que NADA avançamos na civilidade.

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