Inteligência Artificial encontrou um incêndio há um milhão de anos

Sinais de fogo foram descobertos num local arqueológico com um milhão de anos, em Israel, através de uma aplicação de Inteligência Artificial que, utilizada noutros locais, poderia revolucionar o conhecimento sobre esse elemento, considerado uma das mais significativas invenções de sempre.

De acordo com um artigo publicado no domingo na PNAS, citado pelo New Scientist, embora os arqueólogos já disponham de técnicas que determinam o contacto com fogo, esta aplicação permite identificar sinais mais subtis, causados pela exposição a temperaturas entre 200 e 300.º.

Já era possível, por exemplo, procurar sinais de fogo em ossos pré-históricos descoloridos, que adquirem esse aspeto devido à exposição constante a temperaturas de 450.°C. Contudo, é raro encontrar esse tipo de evidência em locais com mais de 500 mil anos.

A aplicação em causa foi desenvolvida em Israel, em 2021. Agora, a equipa responsável pela sua criação, em conjunto com Michael Chazan, investigador da Universidade de Toronto, no Canadá, utilizou-a para analisar pedras de um local habitado por humanos há um milhão de anos, designado Evron Quarry, em Israel.

Os resultados sugerem que muitas das ferramentas de sílex encontradas no local foram aquecidas, na sua maioria a temperaturas de cerca de 400.° C.

Ao examinar pedaços de ossos recuperados do local – recorrendo a outras técnicas existentes -, a equipa confirmou que esses também tinham sido aquecidos. Segundo Chazan, ninguém teria testado os ossos para a exposição ao calor sem os resultados obtidos através da aplicação.

Esse conjunto das pedras e ossos indica que os humanos antigos tinham controlo sobre o fogo em Evron Quarry.

Atualmente, existe uma pequena quantidade de provas que apontam para a utilização do fogo há 1,5 milhões de anos. No entanto, Chazan acredita que com esta ferramenta seria possível verificar se era usado de forma generalizada entre 1,8 e 2 milhões de anos.

  ZAP //

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.