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Vacinação terá evitado 140 mortes. Portugal pode atingir “zona vermelha” em 15 dias

António Cotrim / Lusa

Houve um “ligeiro crescimento” no número de novos casos de covid-19 em Portugal, mais notório nas crianças até aos 9 anos, com uma descida nos idosos. Este dado é um fruto da vacinação que terá evitado “cerca de 140 mortes”, mas Portugal está a caminhar para a “zona vermelha”.

“O Algarve é a região de Portugal Continental que apresenta uma incidência mais elevada”, segundo revelou o investigador da Direcção-Geral da Saúde (DGS), André Peralta Santos, na reunião do Infarmed, em Lisboa, nesta terça-feira, perante outros especialistas e políticos.

“No entanto, mantém-se a tendência de decréscimo nas hospitalizações, na mortalidade e observou-se principalmente um aumento do número de testes e a diminuição da taxa de positividade”, referiu ainda o investigador.

Na sua intervenção sobre a situação epidemiológica da covid-19 em Portugal, André Peralta Santos afirmou, com base em dados sobre a incidência cumulativa a 14 dias, que Portugal está, neste momento, com “uma incidência moderada próxima dos 71 casos por 100 mil habitantes e com uma tendência ligeiramente crescente“.

Há 22 concelhos com incidência superior a 120 casos por 100 mil habitantes que correspondem a 636 mil pessoas, 6,5% da população nacional.

O Alentejo e o Algarve são as zonas que apresentam uma situação com mais concelhos com incidência superior a 120 casos por 100 mil habitantes, tendo sido as regiões onde se verificou o maior crescimento da pandemia nas últimas semanas.

“Há uma inversão da tendência e novos casos estão a aumentar“, apontou também o investigador do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), Baltazar Nunes, na reunião no Infarmed.

Ao actual ritmo de crescimento, Portugal atingirá a “zona vermelha” de 120 casos por cem mil habitantes, uma das linhas para travar o desconfinamento, dentro de “duas semanas e um mês”, segundo Baltazar Nunes.

Vacinação terá evitado “cerca de 140 mortes”

Baltazar Nunes reparou na reunião do Infarmed que houve um “aumento significativo” da incidência na faixa etária até aos 9 anos, em particular entre os 5, 6 anos. Um dado que pode estar relacionado com a reabertura das escolas a 15 de Março passado.

Mas o investigador do INSA vincou também que há um aumento igualmente entre a chamada população activa, na faixa entre os 25 e os 50 anos.

André Peralta Santos reforçou a tendência decrescente de novos casos na faixa etária dos 80 anos e mais, “a mais vulnerável à hospitalização e à morte”. Um dado que estará relacionado com o processo de vacinação que estará a contribuir para a redução marcada nos internamentos.

“Há um efeito significativo” do efeito da vacinação nos maiores de 80 anos, de acordo com Baltazar Nunes, reduzindo os internamentos e a taxa de mortalidade.

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As vacinas terão permitido evitar “cerca de 140 óbitos”, segundo o mesmo investigador.

70% da população vacinada até Setembro

A fase 2 do plano de vacinação já começou e já foram vacinadas 400 mil pessoas na faixa etária dos 65 aos 80 anos, de acordo com o que revelou o coordenador da task-force do Governo, Henrique Gouveia e Melo.

O objetivo é vacinar a população mais vulnerável “até à última semana de Maio ou primeira de Junho”, de acordo com o comandante que nota que “quando vacinarmos toda a população acima dos 60 anos, estamos a proteger 96,4 por cento” das pessoas que correm maiores riscos com a infecção por covid-19.

Gouveia e Melo revelou ainda que a task force está a desenvolver um sistema electrónico para agendar a vacinação, prevendo que até Setembro, 70% da população esteja vacinada com, pelo menos, uma dose.

O coordenador da task-force também notou que “em Abril teremos 1,9 milhões de vacinas para administrar”, o que constitui “uma quantidade substantiva comparando com os meses anteriores”, reforçou.

Assim, os responsáveis do plano ponderam juntar as fases 2 e 3 de vacinação.

Até agora, já foram administradas cerca de dois milhões de doses de vacinas contra a covid-19, em Portugal, abrangendo 15% da população com a primeira dose e 6% com as duas doses.

Variante britânica em 83% dos casos

Durante o mês de Março, o INSA sequenciou 1345 vírus, provenientes de 18 distritos, e fica evidente que “a variante do Reino Unido domina o país”, segundo revelou na reunião do Infarmed o especialista do Instituto, João Paulo Gomes.

A variante britânica “já era maioritária em Fevereiro, e em Março domina, claramente, o cenário epidemiológico”, destacou, sublinhando que representa 83% dos casos de covid-19 em Portugal.

“Há alguma homogeneidade em todo o país, à excepção do Norte, com a variante do Reino Unido a estar menos representada”, referiu João Paulo Gomes.

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O especialista assinalou ainda um decréscimo na incidência da variante brasileira, bem como “um crescimento significativo” da variante da África do Sul.

Foram detectados 53 casos desta variante sul-africana, mas que “podem ser apenas a ponta do icebergue”, alertou João Paulo Gomes.

  ZAP // Lusa

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