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Com dedo português, estudo revela que índios norte-americanos têm uma origem inesperada

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Roman Fekonja / Wikimedia

O quadro "Native American Treaty", de Roman Fekonja, mostra um tratado entre índios e colonizadores.

“Native American Treaty”, de Roman Fekonja.

Um novo estudo, que contou com a ajuda de um programa desenvolvido por um português, sugere que os índios norte-americanos podem ter origem na Sibéria.

Dá-se o nome de povos nativos dos Estados Unidos aos povos que viviam no atual território dos Estados Unidos quando da chegada dos primeiros europeus, no século XVI. Estes também são conhecidos como “índios norte-americanos”,”peles vermelhas”, ou, simplesmente, “índios”.

Uma equipa de investigadores procurou perceber quando e como é que as Américas foram povoadas pela primeira vez.

Ao analisar amostras de ADN e uma base de dados de centenas de dentes antigos, concluíram que os índios norte-americanos não descendiam do povo japonês Jomon, como era pensado anteriormente.

Os arqueólogos há muito acreditam que os povos nativos americanos descendiam do povo Jomon, uma população pré-histórica de caçadores-coletores conhecida pela sua cerâmica. Esta teoria baseava-se nas semelhanças entre as ferramentas usadas pelos americanos e pelo povo Jomon.

Agora, o novo estudo baseou-se em dentes pré-históricos, que segundo o autor principal, Richard Scott, são “mais conservadores” e “não mudam muito com o tempo”.

Scott e a sua equipa usaram um novo programa desenvolvido por um aluno de doutoramento português para analisar mais de 1.500 dentições descobertas nas Américas, Ásia e Pacífico.

“É basicamente um algoritmo bayesiano projetado para calcular a probabilidade de um indivíduo demonstrar as características morfológicas de um dos cinco grupos geno-geográficos — Leste Asiático, Ártico Americano, Americano não-Ártico, Sudeste Asiático e Australo-Melanésio”, explicou Scott, citado pelo Ancient-Origins.

Os investigadores concluíram que os Jomon são “dentalmente muito diferentes de qualquer índio norte-americano”.

O estudo sugere, em contrapartida, que os ancestrais nativo-americanos são originários mais do norte, perto da Sibéria, com base nas semelhanças entre os dentes de ambos os povos.

Os resultados estão de acordo com a teoria que afirma que os antigos siberianos alcançaram a Beringia há cerca de 25.000 anos e só começaram a migrar para o sul há 15.000 anos.

Citado pelo Daily Mail, Scott anula praticamente uma relação entre os Jomon e os índios norte-americanos: “A população Jomon incipiente representa uma das fontes menos prováveis de povos indígenas americanos de qualquer uma das populações não africanas”.

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Os resultados do estudo foram publicados recentemente na revista científica Paleoamerica.

  Daniel Costa, ZAP //

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