Incêndio em Monchique já fez 25 feridos. Chamas continuam por controlar

Filipe Farinha / Lusa

O incêndio deflagrou na sexta-feira e já mobilizou, pelo menos, mil operacionais

Vinte e cinco pessoas ficaram feridas durante a noite deste domingo no incêndio que lavra desde sexta-feira no concelho de Monchique e que já obrigou a evacuar diversas localidades e pelo menos uma unidade hoteleira.

Em declarações à agência Lusa, fonte Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) disse que um dos feridos, uma senhora de 72 anos, estava em estado grave e teve de ser transportada de helicóptero para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Segundo Manuel Cordeiro, adjunto de operações nacional da ANPC, até às 05:45 o Instituto Nacional de Emergência Médica tinha registado 64 ocorrências, com 40 pessoas assistidas – 12 civis e 28 agentes da proteção civil.

O responsável explicou que, ao início da manhã, o incêndio progredia em duas frentes: uma em direção a Caldas de Monchique, Podalgais e Vale do Boi e outra a avançar em direção à freguesia de São Marcos da Serra.

A mesma fonte explicou que o fogo ladeou durante a noite a barragem de Odelouca, que ao início da manhã de hoje progredia em direção à Estrada Nacional 124 (Sul) e que foram colocadas no terreno diversas máquinas de rastro para tentar travar o avanço das chamas.

O responsável da ANPC disse ainda que houve durante a “noite várias projeções” deste incêndio, sobretudo em Caldas de Monchique, e que as chamas obrigaram a evacuar as localidades de Caldas de Monchique, Rasmalho, Monchicão, Barranco do Banho e Montinho.

Manuel Cordeiro sublinhou ainda o “importante papel” do pelotão de militares no apoio à GNR na evacuação destes aglomerados populacionais.

Pelas 07:30, estavam no terreno 1.017 operacionais, apoiados por 307 viaturas e um meio aéreo (kamov) estava já a caminho. Os helicópteros aguardavam para poder levantar voo e ajudar nas operações, uma vez que o intenso fumo do incêndio lhes retirava visibilidade.

Este incêndio deflagrou cerca das 13:30 de sexta-feira, em Perna da Negra, no concelho de Monchique.

A vila de Monchique amanheceu hoje debaixo de uma nuvem de fumo, devido ao fogo que lavra na serra algarvia, não dando tréguas aos moradores e bombeiros, que combatem as chamas.

A circulação dentro da vila de Monchique estava às primeiras horas da manhã condicionada ao trânsito, assim como a estrada nacional 266, proveniente de Portimão.

Proteção Civil admite existência de casas ardidas

O comandante operacional nacional da Proteção Civil, Duarte da Costa, admitiu, na noite de domingo, a possibilidade de haver casas queimadas no fogo que lavra desde sexta-feira no concelho de Monchique, no distrito de Faro.

“Num conjunto de pequenas povoações ao longo de toda a área do incêndio, pode ter havido algumas casas isoladas que terão sofrido as ações das chamas”, disse.

Nas próximas 24 horas “vamos tentar aproveitar aquilo que é uma inversão térmica das condições atmosféricas, muito adversas nas últimas noites, aproveitar o aumento da humidade relativa que esta noite se prevê que chegue aos 50%, e um ligeiro abaixamento de temperatura”.

“Com todos os meios que se estão neste momento a dirigir para sul, nomeadamente cinco grupos de combate, força especial dos bombeiros, Forças Armadas e GNR, para que possamos durante a noite conseguir conter finalmente este incêndio que já dura há tempo demais”, explicou.

Marcelo destaca resposta “brutal”

O Presidente da República disse, no domingo à noite, que está a acompanhar permanentemente a situação em Monchique, sublinhando a capacidade de resposta “brutal” no combate ao fogo, sem colocar em risco o resto do país.

“Estou ao longo do dia em permanente contacto com o senhor ministro da Administração Interna, começa logo às nove da manhã, quando temos o primeiro contacto, dura ao longo do dia e ainda há pouco tempo tive um novo contacto. Estou a acompanhar o que se passa”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações à RTP3.

Considerando que os 900 operacionais que estão mobilizados para o incêndio em Monchique, que deflagrou na sexta-feira, “é uma coisa brutal em termos de capacidade de resposta”, sem pôr em risco o restante território nacional, o chefe de Estado reconheceu diferenças em relação ao que se passou no ano passado, nos fogos de junho e de outubro.

“Acho que se olhar para os meios que estão a ser utilizados, há aqui uma diferença de meios muito significativa, meios aéreos por um lado, meios no terreno por outro lado, a forma de estrutura e de prevenção”, referiu, ressalvando, contudo, que o mês de agosto ainda está no início.

De qualquer forma, insistiu, “neste momento a situação é uma situação circunscrita e limitada e isso faz diferença indiscutivelmente ao que se viveu antes de junho do ano passado e ao que se viveu entre junho e outubro”.

Marcelo Rebelo de Sousa disse, ainda, que não se irá deslocar a Monchique, recordando as críticas que a Comissão Técnica Independente aos incêndios de Pedrógão Grande fez à sua ida ao terreno em junho de 2017, quando estavam ainda ativos os fogos naquela região.

Situação “mais favorável” mas “continua sensível”

“Neste momento, o Governo espanhol já disponibilizou dois Canadair. Caso haja condições de atuar, hoje mesmo à tarde, provavelmente, já cá teremos os dois”, adiantou Artur Neves aos jornalistas, durante um balanço da situação do incêndio, perto das 10:00.

Durante a manhã, os meios aéreos estiveram impossibilitados de atuar, devido ao intenso fumo originado pelo incêndio, mas prevê-se que comecem a atuar logo que o fumo se dissipe, disse na ocasião o segundo comandante operacional distrital, Abel Gomes.

A falta de visibilidade também dificultou a avaliação das áreas afetadas pelo fogo por parte das autoridades, que ao início da manhã realizaram um voo de reconhecimento sobre a serra de Monchique.

“O reconhecimento aéreo não nos permitiu ver muito aquilo que nós, em pormenor, queríamos ver, porque o fumo não permitia. Fizemos um reconhecimento muito mais alargado do que aquilo que era o objetivo, em termos de distância”, sublinhou.

A situação do fogo que pelo quarto dia lavra na serra de Monchique é hoje de manhã “muito mais favorável”, mas continua “muito sensível”, com vários “pontos quentes” a causar preocupação às forças de socorro e segurança.

De acordo com o segundo comandante operacional distrital de Faro, Abel Gomes, que fazia um balanço perto das 10:00, “neste momento a situação é muito mais favorável do que foi durante a noite”, mas mantêm-se “situações que são sensíveis e merecem preocupação”, havendo uma limitação no que respeita à atuação de meios aéreos, que não conseguem operar devido ao fumo intenso.

No balanço mais recente, o responsável adiantou que, desde o início do incêndio, já houve 44 pessoas assistidas, 31 das quais agentes da Proteção Civil e 13 civis.

ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. Todos os anos é sempre a mesma história.. Aumenta a area ardida de floresta, as temperaturas sobem e a humidade desce secando mais rapidamente toda a vegetação A única hipotese é a reorganização do territorio, uma reflorestação e mobilização a nivel nacional, para além do reforço de meios de combate aos incêndios.

    • A única hipótese é trazer de volta a pena de morte e esta ser aplicada, entre outros, aos incendiários.
      Você pode reorganizar a floresta como quiser, fazer limpeza total, contratar mil meios aéreos e 1 milhão de bombeiros, podia fazer a prevenção que quisesse e não mudava nada.
      90% ou mais dos fogos são de origem criminosa e enquanto a justiça e a política for o que é, vai ser assim até este País ser um deserto.
      Tenho a certeza que com a pena de morte mais nenhum FDP iria arriscar atear fogos.
      Se continuar como é, vamos perdendo vidas, habitações, floresta e gastamos milhões de euros em combate aos incêndios.
      Ás vezes até parece que o fogo é um negócio que dá muito dinheiro a algumas pessoas e empresas.
      Só isto explicaria a ineficácia da política e a justiça que temos em relação aos incêndios.
      Para dar um exemplo, no ano passado um bombeiro e um sapador florestal foram condenados por atearem fogos. Este ano já apanharam mais dois bombeiros. Aposto que nenhum está preso. Se temos bombeiros a atear fogos, então não vale a pena fazer nada. Os criminosos não se sentem ameaçados com estes politicos e justiça e a impunidade reina na nossa sociedade.

  2. É apenas a minha opinião e vale o que vale.
    O nosso presidente “considera que os 900 operacionais que estão mobilizados para o incêndio em Monchique é uma coisa brutal em termos de capacidade de resposta”, esqueceu-se de acrescentar que é também “é também uma coisa brutal em termos de incapacidade de solucionar o problema”.
    A protecção civil destaca que a condição climatérica, hoje de manhã (ontem), é “muito mais favorável”, mas continua “muito sensível”, com vários “pontos quentes”… Se é um incêndio tem certamente “pontos quentes”. O grande problema, na minha opinião, é que são demasiados a dar ordens e com demasiada ineficácia, até parece que estão à espera que o fogo se extinga por obra e graça de alguma entidade celestial.
    Já era tempo de ter no comando gente séria e com capacidades para resolver esta e outras questões, que deixe os operacionais fazerem o seu serviço eficazmente, que não evacue à força aqueles que querem proteger os seus bens para depois deixarem tudo arder. Já era tempo de responsabilizar os ineficazes que levam os moradores ao desespero e deixam perder os seus bens.
    Critique-me quem quiser, é apenas a minha opinião e aquilo que eu sinto.

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