Identificado pela primeira vez o “gene do desmaio”

O calor, a desidratação e a ansiedade podem levar as pessoas a desmaiar, algo que pode mesmo ser fatal se acontecer durante a condução. Agora, uma equipa de cientistas está mais perto de conseguir explicar o fenómeno.

Analisando uma plataforma que contém informações de saúde acerca de, aproximadamente, 400.000 britânicos, uma equipa de cientistas conseguiu identificar as variantes genéticas associadas ao desmaio. Os investigadores analisaram sistematicamente milhões de variantes dos genomas dos participantes.

“Descobrimos que uma parte do cromossoma 2 aumenta o risco de desmaio. Isto significa que há uma variante de risco genético que predispõe as pessoas ao desmaio. Além disso, a nossa equipa é a primeira a mostrar que o desmaio é determinado geneticamente pela associação de um aumento de risco de desmaio com uma posição exata no genoma”, explica Morten Salling Olesen, professor do departamento de ciências biomédicas da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca.

Todos nós temos 23 cromossomas, ou seja, um total de 46 cromossomas em cada célula. A variante genética que os cientistas identificaram está no cromossoma 2. Na prática, uma pessoa pode ter uma, duas ou nenhuma variável de risco no cromossoma 2.

Cálculos estatísticos mostram que se a variante de risco for encontrada em ambas as versões no cromossoma em questão, a pessoa tem 30% maior risco de desmaio, em comparação com as pessoas que não têm nenhuma das variantes.

Análises posteriores mostraram que a variante de risco para síncope determina a extensão em que um determinado gene no cromossoma 2 é expresso. Os cientistas acreditam que essa desregulação do gene é provavelmente o que aumenta o risco de desmaio, avança o Futurity.

Além disso, a equipa descobriu que as mulheres com menos de 35 anos desmaiam, aproximadamente, duas vezes mais do que os homens com idade inferior a 35 anos. No entanto, a causa é ainda desconhecida.

“Se é uma mulher e tem a variante de risco em ambos os cromossomas no par cromossómico número 2, tem um risco aproximadamente três vezes maior de desmaiar comparado aos homens que não carregam a variante de risco”, sintetiza Olesen.

A crença comum é a de que o desmaio é causado pela falta de sangue e oxigénio para o cérebro, o que resulta numa perda total de consciência a curto prazo. Existem vários tipos de síncope, sendo os mais frequentes a síncope vasovagal.

Acredita-se que entre 20 a 30% da população desmaie, pelo menos, uma vez na vida. O gene identificado pelos cientistas é o ZNF804A. A equipa ainda não sabe exatamente que tipo de síncope o gene predispõe, mas acredita que o gene afeta alguns dos reflexos que fazem com que as pessoas desmaiem.

A questão que ainda paira no ar é se o componente hereditário é o mesmo para todos os tipos de síncope. “Acreditamos que o gene que identificamos predispõe à síncope vasovagal, que é o tipo mais comum de síncope. Mas ainda não sabemos. Precisamos de estudar o gene em detalhe”, afirma o autor do estudo, publicado na Cardiovascular Research.

ZAP //

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