Historiador procurou pelo mundo provas da existência dos 12 Apóstolos (e não encontrou)

Na Bíblia, Jesus Cristo nomeou 12 apóstolos para espalhar o seu Evangelho, e a Igreja Cristã primitiva deve a sua rápida ascensão ao zelo missionário destes escolhidos. No entanto, para a maioria deles, há poucas evidências da sua existência fora do Novo Testamento.

No livro “Apostle: Travels Among the Tombs of the Twelve” (“Apóstolo: viagens pelas sepulturas dos doze”), o autor Tom Bissell tenta descobrir se os Doze Apóstolos eram figuras históricas reais ou meramente personagens de uma história de ficção.

Tom Bissell andou por mais de 800 quilómetros ao longo do Caminho de Santiago, no norte da Espanha, visitou o local onde Judas Iscariotes supostamente se enforcou e procurou em vão por um mosteiro misterioso no Quirguistão, onde os ossos do apóstolo Mateus supostamente foram enterrados.

Foi uma viagem cheia de falsos começos, becos sem saída e enigmas não resolvidos que o deixaram tão perplexo como quando começou.

Em entrevista ao site da National Geographic, Bissell afirma que não há evidência histórica da existência da maioria dos apóstolos.

“Alguns dos nomes registados no Novo Testamento são, provavelmente, de pessoas reais. Havia provavelmente um Pedro e um João, definitivamente um Tiago (o irmão de Jesus) e, provavelmente, um Tomé. Além disso, não há nada de histórico que verifique a existência deles além dos próprios Evangelhos. Penso que são uma mistura de factos e ficção”, alega.

Tom Bissell cita um dos grandes mistérios da história cristã primitiva: sabemos uma quantidade razoável de informações sobre Paulo e sabemos que Tiago, irmão de Jesus, era uma pessoa real. No entanto, nenhum deles é um membro dos Doze.

“Há essas 12 pessoas que foram os primeiros seguidores de Jesus, mas não há nada sobre eles em qualquer fonte secular, excepto as cartas de Paulo, que mencionam Pedro e João”, sublinha o investigador.

Onde Judas perdeu as botas?

Bissell iniciou a sua busca em Jerusalém, no lugar se acredita ser o descanso final de Judas Iscariotes. Para ele, a pergunta se Judas foi um personagem histórico real é “espinhosa”.

“Segundo a tradição, embora as Escrituras não sejam claras sobre isso, Judas enforcou-se num lugar chamado Hakeldama, no vale Hinom, que é um vale rochoso, desértico, na parte sul de Jerusalém. Quando se vai lá, realmente sente-se como se fosse um lugar amaldiçoado. Esse é o poder dessas histórias. Sentem-se os séculos de ódio e desgosto por esta pessoa que traiu Jesus”, diz.

“Quanto a saber se Judas era real, e acho que é provavelmente verdade que Jesus foi traído por alguém. Se o nome da pessoa era Judas é uma questão muito mais difícil. Eu suspeito que as linhas gerais da história de Judas, como os escritores dos Evangelhos delinearam, são provavelmente fictícias. Num monte de outras histórias de Jesus, os evangelistas parecem estar a contar a mesma história. Mas com Judas, acho que tinham muito menos matéria-prima para trabalhar, então todos trataram dele à sua própria maneira. Isto sugere que seria mais um personagem fictício do que uma pessoa real”, aponta.

A sepultura de Mateus

O Quirguistão não é um lugar que a maioria de nós associe a histórias da Bíblia – ou com qualquer outra história -, mas foi lá que o autor procurou pela sepultura de Mateus, um dos apóstolos. Tom Bissell explica que havia uma grande quantidade de cristãos na Ásia Central até à Idade Média.

“De acordo com um mapa medieval da Espanha, as relíquias de Mateus foram enterradas num lugar chamado ‘Mosteiro da Fraternidade Arménia’, que se acreditava ficar na margem do lago Issyk-Kul, um belo corpo de água no meio das montanhas do Quirguistão”, explica.

“Um arqueólogo russo alegou ter encontrado as relíquias em 2006, então fui procurá-las. Logo descobri que nunca tinha havido um mosteiro arménio ali, apenas um mosteiro russo do século XIX. Mas foi uma das minhas viagens favoritas, porque foi muito difícil de encontrar e foi um dos lugares mais encantadores que já vi, apesar da minha busca para encontrar as relíquias de São Mateus tenha chegado ao fim num anti-clímax”, lamenta.

O irmão (mais velho) de Jesus

Quanto a Tiago, irmão de Jesus, que não era um dos apóstolos, Bissell garante que há evidências da sua existência. Mais do que isso: segundo o autor, os indícios mostram que pode ter sido a segunda pessoa mais importante do cristianismo no primeiro século depois de Jesus.

Em 2002, foi encontrado um ossário em Jerusalém que dizem pertencer-lhe.

“Sabemos que Tiago, irmão de Jesus, era uma pessoa real. Ele é mencionado por Flavius ​​Josephus, um historiador judeu do primeiro século. Algumas pessoas dizem que o ossário é real, mas a inscrição que supostamente diz ‘Tiago, irmão de Jesus‘ em aramaico, não é. Ninguém encontrou o seu corpo, mas ele era claramente uma figura bem conhecida no primeiro século. O facto de que Josephus e outras pessoas consideraram a destruição de Jerusalém pelos romanos como uma vingança divina pela morte de Tiago, que foi morto por volta de 66 d.C., logo antes da revolta judaica contra Roma, diz tudo o que se precisa saber sobre como ele era significativo”, afirma.

A grande questão acerca de Tiago é que ele, supostamente, era mais velho do que Jesus, o que desmentiria uma das principais crenças dos cristãos.

“O problema no que toca a Tiago é que ele confunde tudo que os cristãos ortodoxos aceitam sobre o nascimento virginal. Se ele fosse irmão mais velho de Jesus, isso por si só é um grande problema, porque Maria supostamente era virgem quando teve Jesus. Suspeito que Tiago era real e que há uma boa hipótese de que ele fosse o irmão mais velho de Jesus, além de ser a figura mais importante no cristianismo do primeiro século depois de Jesus. Mas o nascimento virginal não faz exactamente sentido. As leis conhecidas do universo normalmente não param de funcionar”, contesta.

Mesmo com a falta de indícios da existência real dos apóstolos, o autor destaca a importância das histórias bíblicas para a formação do mundo ocidental.

“As histórias dos Doze Apóstolos são uma grande parte de como o mundo ocidental decidiu ensinar a si próprio sobre o que se entende por comunidade e contar de histórias e pela verdade, amizade e lealdade”, afirma.

“Percebi que ficar zangado com as pessoas religiosas por acreditarem no que elas acreditam é um pouco como ficar zangado com uma tempestade por deixar as coisas molhadas. A melhor posição é tentar encontrar um lugar onde todos podemos concordar sobre a importância do significado derivado da literatura ou de obras da imaginação. Eu sei que seria um insulto para a maioria dos cristãos considerar o Novo Testamento como uma obra da imaginação. Mas eu não digo isso no sentido de que é tudo falso, mas sim no sentido de tirar consolo da tentativa de outra pessoa em colocar o universo em ordem. Ser apenas uma história talvez seja a melhor coisa que o Novo Testamento pode ser”, define.

ZAP / HypeScience

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7 COMENTÁRIOS

  1. As conclusões deste livro refletem mais a personalidade do autor do que qualquer outra coisa.
    Esta ‘ideia’ de Tiago ser o irmão mais velho de Jesus tem a ver com uma burrice cronica e casmurra do protestantismo. Já estamos carecas de saber de onde vem essa intrepretação erronea. Depois não haver registos seculares… Por amor da santa. Não há registos de praticamente ninguém. Na altura não havia cartão do cidadão. Os cristãos dos primeiro séculos nem templos tinham, eram considerados pelos romanos por pagãos por não terem um culto público. Os apóstolos eram homens normais que iam de Igreja em Igreja (comunidades que se reuniam em casa de alguém) que se reuniam em segredo por causa das perseguições. É claro que não há registos. Este livro apenas serve a retórica do autor a quem é tão querido o comunismo e socialismo soviético. Era obvio que ele nunca poderia escrever outra coisa. Depois escreve isto como se tivesse feito de facto alguma investigação séria, mas sem perceber nada de história e saber alguma coisa de história da Europa. Oh tristes intelectualoides que nos ficaram neste tempo.

  2. A igreja é claramente a maior burla de todos os tempos!…
    Enquanto dominaram o conhecimento, não eram fáceis de contradizer; agora, não é fácil compreender como é que alguém ainda leva essa máfia a sério!!

  3. Os Evangelhos não foram uma invenção literária, fruto da imaginação humana. Existem milhares de manuscritos do Novo Testamento com documentação sobre a existência de Jesus, que mostram que Jesus existiu e andou sobre a terra. Dois dos autores do Evangelhos (Mateus e João) eram discípulos íntimos de Cristo, por isso os Evangelhos não são fruto da imaginação destes autores. Se fossem imaginação literária destes autores, eles não falariam mal de si mesmos (não teriam comentado a atitude frágil, cobarde e vexatória que tiveram ao dispersarem e fugir quando Cristo foi preso). Pedro Jurou que não o negaria e que, morreria com Ele. No entanto, numa situação delicada negou-o. Não apenas uma vez, mas sim três vezes. Então quem contou aos autores dos Evangelhos que Pedro negou três vezes? Quem contou a sua atitude de vergonha, de cobardia e vexatória, se ninguém dos seus amigos íntimos sabia que ele tinha negado? Foi Pedro, o próprio que teve coragem de contar. Que autor falaria mal de si mesmo? Pedro não apenas contou os factos, como expôs os detalhes ao pormenor da sua negação (contou tudo isto ao evangelhista Lucas). Quando Cristo foi aprisionado, injuriado e espancado, o jovem discípulo João abandonou-o, fugiu desesperadamente, juntamente com os demais discípulos. Só tem lógica os autores exporem estas situações para retratarem uma personagem (Jesus Cristo), que estava muito acima deles. Se Cristo fosse fruto da imaginação, eles teriam riscado estes momentos de hesitação, de cobardia e traição. Cristo não viveu um teatro, o que Ele viveu foi relatado. Por isso, Cristo nunca poderia ser fruto da criatividade intelectual de algum autor. Ele não é uma pessoa fictícia ou imaginária, mas de alguém real que andou e respirou aqui na terra (por isso os Evangelhos são documentos históricos baseados em testemunhos verdadeiros).

  4. A bíblia é uma piada de mau gosto. Apenas interpretações de ignorantes sobre o mundo que sequer conheciam. Se fosse um livro inspirado, não haveriam tantos erros que somente um homem, ignorante no séc. I era capaz de ser.

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