Há um ano que a Rosetta orbita o cometa 67p/c-g

Rosetta / ESA

Momentos chave do primeiro ano da Rosetta em órbita do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.

Momentos chave do primeiro ano da Rosetta em órbita do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.

A missão Rosetta da ESA celebrou esta quinta-feira um ano em órbita do Cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko e a sua maior aproximação ao Sol ocorrerá para a semana.

Foi uma viagem longa mas emocionante para a Rosetta desde o seu lançamento em 2004. Passou pela Terra, por Marte e por dois asteroides antes de alcançar o seu destino final no dia 6 de agosto de 2014.

Nos meses seguintes, a missão tornou-se a primeira a orbitar um cometa e a primeira a pousar suavemente um módulo – o Philae – à superfície.

As equipas da missão tiveram que superar muitos desafios, tiveram que aprender a voar num ambiente imprevisível e por vezes inóspito.

A sonda enviou um tesouro de dados científicos deste cometa intrigante, abrangendo o seu interior, a sua superfície dramática e a nuvem circundante de poeira, gás e plasma.

“Esta missão é sobre descobertas científicas e todos os dias temos algo novo para admirar e tentar compreender,” afirma Nicolas Altobelli, cientista do projeto Rosetta.

“Um ano de observações perto do cometa forneceu-nos uma riqueza de informações e estamos ansiosos por mais um ano de exploração”, diz o cientista.

Rosetta / ESA

Esta imagem do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko foi obtida pela câmara de navegação da Rosetta no dia 30 de julho de 2015 a uma distância de 178 km do centro do cometa.A imagem tem uma resolução de 15,2 m/pixel e mede abrange 15,6 km.

Os destaques, até agora, incluem a descoberta de que o vapor de água do cometa tem um “sabor” diferente dos oceanos da Terra, alimentando o debate sobre o possível papel dos cometas e asteroides que forneceram água ao nosso planeta ao longo da sua história.

A primeira deteção de azoto molecular num cometa forneceu pistas importantes sobre o ambiente de temperatura durante o “nascimento” do cometa.

O azoto molecular era comum durante a formação do Sistema Solar, mas necessitava temperaturas muito baixas para ficar preso no gelo, de modo que as medições da Rosetta suportam a teoria que os cometas são originários da fria e distante Cintura de Kuiper.

Os dados recolhidos pela Rosetta e pelo Philae durante a descida à superfície permitiram aos cientistas deduzir que o núcleo do cometa não é magnetizado, pelo menos em grandes escalas.

Apesar de se pensar que os campos magnéticos desempenharam uma função importante no movimento de pequenos grãos magnetizados de poeira no Sistema Solar jovem, as medições da Rosetta e do Philae mostram que não continuaram a desempenhar um papel significativo quando as partículas formaram blocos maiores com vários metros de diâmetro.

Rosetta / ESA

Imagens pelo instrumento ROLIS do Philae, que traçam a descida até ao primeiro local de aterragem, Agilkia, no 12 de novembro de 2014.

Imagens pelo instrumento ROLIS do Philae, que traçam a descida até ao primeiro local de aterragem, Agilkia, no 12 de novembro de 2014.

Estes são apenas alguns dos inúmeros exemplos de descobertas científicas da Rosetta e a maioria vem de dados obtidos durante o início das atividades cometárias.

Agora, o cometa e a sonda estão a uma semana do periélio, o ponto da sua órbita de 6,5 anos em que está mais próximo do Sol. No dia 13 de agosto, estarão a 186 milhões de quilómetros do Sol, cerca de um-terço da distância do encontro de há um ano atrás.

“O período de tempo em redor do periélio é cientificamente muito importante, pois o calor do Sol e a resultante saída de gás e poeira atingem o máximo, fornecendo pistas importantes sobre este momento chave no ciclo de vida total do cometa,” comenta Nicolas.

“Por exemplo, as mudanças à superfície podem revelar material fresco que ainda não foi alterado pela radiação solar ou pelos raios cósmicos, dando-nos uma janela sobre as camadas subsuperficiais do cometa”, acrescenta o cientista.

“Esta será a primeira vez na exploração de cometas que as mudanças à superfície podem ser monitorizadas em relação ao aumento de atividade”, salienta.

A Rosetta tem estudado o aumento de atividade ao longo dos últimos meses, à medida que os seus gelos aquecem, tornam-se em gás e são expelidos para o espaço, arrastando poeira cometária.

Juntos, o gás e a poeira criam uma atmosfera difusa, ou cabeleira, em redor do núcleo e uma longa cauda que estende-se por mais de 120.000 km para o espaço, cauda esta que só pode ser vista de longe.

A Rosetta tem um lugar de destaque no estudo de onde e como esta atividade surge à superfície do cometa.

No início de 2015, a sonda passou a apenas 6 km para levar a cabo algumas medições, mas à medida que o nível de gás e poeira aumentava, a Rosetta foi forçada a estudar o cometa a partir de distâncias mais seguras, e opera atualmente entre os 250 e os 300 km.

“À medida que o periélio se aproxima, as operações perto do cometa provaram ser especialmente difíceis: o aumento do nível de poeira cometária confunde os navegadores estelares da Rosetta e, sem estes a funcionarem corretamente, a Rosetta não consegue orientar-se devidamente no espaço,” afirma Sylvain Lodiot, gestor das operações da Rosetta.

ESA

Sonda Philae no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, com a nave Rosetta em órbita (esboço artístico ESA)

“Todas as equipas envolvidas, incluindo o controlo de voo, dinâmica de voo e operações científicas, tiveram que aprender a adaptar-se a estas condições em tempo real”, conta Lodiot.

“Tivemos que repensar totalmente o modo como operamos a sonda e tivemos que planear as atividades científicas em escalas de apenas alguns dias ou semanas. Tem sido um grande desafio, mas certamente torna a missão ainda mais emocionante”, acrescenta.

Um aspeto importante do estudo a longo prazo da Rosetta será a observação da diminuição da atividade cometária nos meses que se seguem ao periélio.

A esperança é que a Rosetta acabará por ser capaz de se aproximar, novamente, do núcleo e ver como a superfície mudou durante o encontro próximo com o Sol.

“Um ano depois da chegada, a Rosetta acumulou uma série de êxitos impressionantes,” desde a aterragem do Philae, até às muitas descobertas científicas e consequentes publicações,” diz Patrick Martin, gestor da missão Rosetta.

“A colheita científica deve continuar até ao próximo ano, enquanto observamos o comportamento pós-periélio do cometa, antes do grande final da Rosetta, marcado para setembro de 2016, quando planeamos fazer pousar a sonda no cometa”, acrescenta Martin.

CCVAlg

PARTILHAR

RESPONDER

Governo estuda novo confinamento total nas duas primeiras semanas de dezembro

O Governo está a ponderar decretar um novo confinamento total da população portuguesa nas duas primeiras semanas de dezembro. A notícia foi avançada esta sexta-feira pela TVI e, entretanto, confirmada por outros órgãos de informação. O …

Pelo menos 140 pessoas afogam-se no naufrágio mais mortal de 2020

Pelo menos 140 migrantes morreram afogados ao largo da costa senegalesa depois de a embarcação em que seguiam se ter incendiado e naufragado, avançou a Organização Internacional para as Migrações (OIM). O barco transportava 200 pessoas …

Nélson Évora terminou contrato com o Sporting

Nelson Évora, campeão olímpico do triplo salto nos Jogos Olímpicos Pequim2008, vai deixar o Sporting após o fim do contrato com o clube, no sábado, confirmou à "Lusa" fonte oficial do Sporting, esta sexta-feira. O atleta, …

Nova Zelândia aprova eutanásia. Mas rejeita legalização da marijuana

Os neozelandeses aprovaram a eutanásia voluntária, mas rejeitaram a legalização da marijuana para uso recreativo, em dois referendos realizados em 17 de outubro, anunciou esta sexta-feira a Comissão Eleitoral. Cerca de 65,2% dos neozelandeses votaram a …

Governo pondera novas medidas de apoio ao emprego e empresas

O Governo está a ponderar novas medidas de apoio ao emprego e às empresas em resposta ao agravamento da pandemia de covid-19, disse hoje o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro …

Cova da Piedade não joga: "Prefiro perder três pontos do que alguém perder a vida"

O jogo entre Estoril e Cova da Piedade, como se esperava, não vai ser realizado e deverão ser atribuídos três pontos ao Estoril. Diretor do Cova da Piedade não poupa nas críticas. Mais uma partida da …

Investigadores descobrem porque há pessoas infetadas sem sintomas de covid-19

Investigadores do hospital universitário de Aarhus, na Dinamarca, descobriram que algumas pessoas infetadas com o novo coronavírus não desenvolvem sintomas porque este poder ocultar o seu genoma para não ser reconhecido. Como noticiou esta sexta-feira o …

Luís Pina condenado a quatro anos de prisão pela morte de adepto italiano junto ao Estádio da Luz

O principal arguido no processo do atropelamento mortal do adepto italiano de futebol Marco Ficini, junto ao Estádio da Luz, em Lisboa, em 2017, foi hoje condenado a quatro anos de prisão efetiva, por homicídio …

Glenn Greenwald deixa Intercept e acusa editores de “censura”. Foi proibido de publicar texto sobre Biden

O cofundador do site de investigação The Intercept, Glenn Greenwald, anunciou a sua demissão e acusou os restantes editores de “censura” por terem impedido a publicação de um artigo seu sobre o candidato democrata à …

Cristiano Ronaldo está curado da covid-19

Cristiano Ronaldo está curado da covid-19, informou a Juventus esta quarta-feira através de uma nota no seu site oficial. "Cristiano Ronaldo fez o teste para Covid-19. O exame deu um resultado negativo. O jogador está, portanto, …